Ela é movida à paixão. Autêntica e intensa, a chef de cozinha Cláudia Mafuhd, 47 anos, esbanja bom humor e alegria de viver. Conhecida pela ousadia com que conduz os projetos profissionais e pessoais, e por se jogar de cabeça em tudo o que faz, Claudinha, como é mais conhecida, é um livro aberto. Adora publicar fotos dos deliciosos pratos que produz. Não tem papas na língua e é bem resolvida em relação aos quilinhos a mais. Como se não bastasse, Cláudia tem uma característica rara: a facilidade para conquistar e manter amizades, independente de personalidade, classe social ou faixa etária. Esta maneira de ser, aberta e despojada, a torna uma mulher singular e a distingue do chamado perfil jaraguaense, reservado e mais voltado ao trabalho. Características bastante conhecidas pelas pessoas do meio em que convive. E apesar de fugir do padrão e de se manter grande parte do tempo fora da cidade, por conta da atividade profissional, Claudinha assegura que Jaraguá do Sul é seu lugar. Formada em Biologia e Gastronomia, Cláudia Mahfud já foi servidora do Estado e do município como professora e orientadora educacional e por muitos anos conduziu as duas atividades paralelamente. Há 11 anos, passou a se dedicar exclusivamente à gastronomia, viajando através de eventos culinários. “Minha especialidade são as culinárias medievais, com carnes exóticas e saladas”, esclarece. Avestruz, javali coelho, jacaré, bode e cabrito montês são algumas das carnes que ela costuma preparar. Some a isso com muitas frutas coloridas para finalizar os pratos, que enchem os olhos e dão água na boca, sempre compartilhados nas redes sociais. “A gente costuma ter um conceito gastronômico. O bode é o ‘primo’ do cordeiro... A gastronomia é de todos os elementos e de tudo o que pode surgir para ser consumido”, observa. A chef jaraguaense defende também que a gastronomia é humanitária, ligada à solidariedade, além, de ser comercializada. “É a primeira arte, a maior ação social. As cidades só se formaram pela possibilidade de comer e beber”, comenta. Casada há 22 anos com o advogado Mauro Mahfud e mãe de três filhas, rotina não faz parte do vocabulário dela. Nas andanças divulgando a arte culinária, desenvolve trabalhos para a rede Angeloni, além de grandes empresas alimentícias, como a Jasmine. Recentemente retornou de viagem à Itália, onde permaneceu 16 dias. Não por acaso, no retorno passou a promover ações da Barilla, marca de massas italiana fundada em 1877. Além de percorrer o país e o mundo, Cláudia toca projetos entusiasmantes na cidade. Em parceria com Beto Costa e o radialista Macarrão, promoveu três edições do “Chefs and Beer”, em 2015, além do “Radical Food” e “Winter Burger and Bier”, em 2016. “Estou numa fase em que quero mais panela cheia, fogo alto, tatuagem e rock’n roll”, afirma, com uma gargalhada. Estar de bem com a vida é algo que a chef leva para todas as esferas da vida. “Nunca guardei nada, nem mágoas, nem felicidades, nem dores. Sempre vivi o momento”, complementa. Filosofia que também aplica com ela mesma, principalmente em relação aos padrões sociais de beleza, com os quais não se importa. “Nunca tive vontade de mudar”, sentencia. Mesmo com o pé na estrada, Claudia permanece sempre profundamente ligada com a Jaraguá do Sul. “Jaraguá sempre vai ser a minha cidade. Em qualquer lugar do mundo, tenho orgulho em ser jaraguaense”. Para ela as pessoas na região se destacam pela pluralidade de etnias, por aceitar tantas culturas e ter uma população pacifista. “Ainda existem nuances interioranos que se consegue preservar. É uma terra em que as diferenças sociais não inibem as amizades”, acredita Claudinha.