Após mais um ano de aulas virtuais e um retorno gradativo às salas de aula em sistema híbrido, no mês de agosto as escolas municipais de Jaraguá do Sul voltaram a atender 100% dos estudantes presencialmente. Desde o dia 16, todas as crianças da rede estão frequentando diariamente as unidades.

Em entrevista ao OCP, a secretária Municipal de Educação Ivana Dias, fala sobre o retorno às salas de aula em meio a pandemia da Covid-19, projetos de acompanhamento aos alunos em dificuldade de aprendizagem e das ações contra a evasão escolar. Confira:

Como está sendo a volta às aulas neste momento de pandemia?

O município de Jaraguá do Sul voltou presencialmente desde o dia 8 de fevereiro e agora, em agosto, nós já estávamos com média de 60% do nosso alunado indo a escola todos os dias, 100% presencial. Com essa flexibilidade do MEC em relação ao distanciamento social, que antes era 1 metro e meio, agora é de 1 metro a 1 metro e meio.

No nosso sistema de ensino, o nosso distanciamento sempre foi 1,3 metros, não entre carteiras, entre cabeça a cabeça, então a gente conseguiu voltar. A portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado na quinta à noite, se não me falha a memória, e na segunda-feira já voltamos 100% presencial. Foi muito tranquilo porque já vínhamos nessa toada há bastante tempo. Foi só trazer os 40% uma vez que o distanciamento agora permite. Inclusive, fico muito orgulhosa, pois fomos o primeiro município a voltar 100%.

Como foi possível esse retorno rápido de todos os alunos?

Em nossas escolas nós seguimos um regramento sanitário seríssimo. O espaçamento, a entrada, a saída, nós contratamos mais servidores justamente para dar conta desse auxílio. Estamos desde 2020 cuidando disso, e muito bem.

Tanto que em 2020 quando as escolas estavam fechadas, nós já atendíamos desde agosto de 2020 o alunado que estava com dificuldade em matéria de tecnologia ou que não estava conseguindo acompanhar bem as aulas digitais.

Nós trazíamos 10 alunos por sala, no máximo, e já tínhamos essas pessoas circulando e cuidando do plano sanitário das escolas. Inclusive Jaraguá do Sul foi quem implantou na região e a secretaria da Educação é quem preside a comissão do Plancon (Plano de Contingência).

Está sendo aplicado o projeto de reforço escolar na rede municipal. Como funciona?

O nome é PEG, Projeto de Educação Garantida. Esse projeto acontece no contraturno, ou seja, o aluno estuda de manhã ele vai a tarde, o aluno estuda a tarde ele vai de manhã. Já quero deixar claro: não se trata de uma aula de recuperação. Não está indo bem em matemática, vai fazer aula de matemática.

Não é nada disso. O PEG vem justamente para trabalhar melhor, para aprofundar as competências e habilidades que não foram bem desenvolvidas em 2020, todo mundo sabe porque. A gente não pode esperar chegar 2022, 2023. A gente tinha em 2020 isso pronto, para dar início quando fosse possível. Em maio estávamos com o projeto do terceiro ao quinto.

Na alfabetização, primeiro e segundo, nós temos um segundo alfabetizador dentro da sala. Esse alfabetizador não está todos os dias, estamos contratando mais, são algumas horas na semana, mas queremos ampliar. A partir de agosto nós iniciamos também com os anos finais. Sexto ao nono ano: língua portuguesa, matemática e ciências. O PEG vem justamente para os alunos que estão com maior dificuldade.

E a evasão escolar, um problema que é realidade em outras cidades durante a pandemia de Covid-19, não tem sido problema em Jaraguá do Sul?

Desde que a pandemia iniciou, lá em março, em 15 dias nós colocamos o nosso alunado no modo digital. A gente já largou na frente, porque nós fomos muito rápidos, a gente percebeu que aquilo ia longe. A gente faz reuniões com os diretores todos os dias desde o final de fevereiro (de 2020) até agora. Todos os dias online, uma e meia, nós nos reunimos. Equipe pedagógica, administrativa, eu e os 61 diretores. Todos os casos de crianças, casos de evasão, tudo é decidido ali.

Na nossa rede é praticamente zero porque esses nossos diretores são muito valorosos, eles descobrem onde está e normalmente são crianças que saíram do município, saíram do Estado… A gente descobre onde está e manda a transferência compulsória para não deixar a criança fora da escola, onde quer que ela esteja. Comunica os órgãos oficiais. Então, há casos, sim como em todo lugar, mas rapidamente a gente avisa Ministério Público, Conselho Tutelar e faz uma “caçada” saudável, educacional.