O relógio marcava cinco horas e cerca de 1,5 mil fiéis já estavam no Rio Molha, em Jaraguá do Sul, prontos para uma das celebrações religiosas mais importantes da região. Eles desafiaram a chuva e, munidos de velas, iniciaram a via sacra de 3,5 quilômetros até a gruta Nossa Senhora de Lourdes e a igreja Nossa Senhora do Rosário, na manhã desta sexta-feira (25). A chuva, entretanto, atrapalhou a vinda de muita gente. O evento religioso costuma reunir de cinco a sete mil católicos da microrregião.
As orações foram conduzidas pelo pároco da Igreja Matriz de São Sebastião, Diomar Romaniv. A subida íngreme não desencorajou os fiéis, que paravam em cada uma das 15 estações do percurso, que representam o número de vezes que Jesus Cristo caiu segurando a cruz. Nestes momentos os fiéis entoavam cânticos e rezavam o “Pai Nosso” e a “Ave Maria”.
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A peregrinação, que reuniu famílias inteiras e de várias gerações, ocorreu grande parte do tempo silenciosa, iluminada pelas velas e pela luz dos postes. A chuva, que em muitos pontos caía com mais força, pegou de surpresa alguns participantes, que mesmo sem a proteção de guarda-chuvas, seguiam tenazmente morro acima. À medida que a chuvarada se intensificava, o caminhar se tornava mais pesado. De longe, a semiescuridão era quebrada em parte pelo colorido das sombrinhas. O som contínuo dos passos no asfalto davam um som solene à já tradicional manifestação católica.
À espera dos peregrinos
O vendedor Wilmar Elízio, 58 anos, se mantinha firme com uma banca improvisada em frente a um estabelecimento comercial do Rio Molha. Por volta das 5h30, ainda escuro, ele aguardava atento a subida do grupo, dessa vez bem menos numeroso do que em edições anteriores. Ele oferecia pacotes com 25 unidades de biscoitos, salgadinhos embalados, garrafas de água e velas. Conta que se instalou ali desde as 19 horas de quinta-feira (24), e que durante a noite, o movimento de subida e descida dos fiéis foi constante. “Pretendo ficar até o meio-dia. Geralmente, vendo bastante neste dia”, declarou, confiante.
O final da jornada
Ao alcançarem o alto do morro do Rio Molha, os rostos se tornaram sorridentes. O sentimento era de superação por meio da fé. Para muitos, que participam do evento desde que a via sacra foi iniciada, há mais de 15 anos, esta teria sido a primeira vez com chuva. Por essa razão, as orações foram breves e o grupo se dispersou rapidamente. A descida agora seria menos cansativa. Às 17h ocorreu a missa na Igreja Matriz São Sebastião, seguida da procissão, que ocorreu às 19h.
A operadora de bobinagem Ruth Dallecourt Matuszewski, 51, veio de Massaranduba para participar da subida penitencial e nem se preocupou com o tempo ruim. “A fé me traz aqui, sempre quis participar. Há cinco anos é um sonho realiza “Para mim, traz paz interior. Peço sempre pela saúde da família”, observa Ruth, que foi acompanhada pelos familiares. “Viemos em dez pessoas, em três carros”, complementa.
A dona de casa Fabiana Mueller também foi acompanhada da família. Moradora do Centro, fez a peregrinação do Rio Molha com a mãe, Gertrudes Mueller, 64, e a filha, Emily Amaral, de cinco anos. “A gente veio agradecer pela saúde. Ontem (quinta-feira), participamos do Lava-pés na Igreja São Sebastião”, ressalta.
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