Por Kamila Schneider Aprender, criar, estimular. São estas as principais tarefas de quem encara o desafio de integrar uma sala de aula, seja como aluno ou como professor, e é no trabalho colaborativo que cada objetivo evolui para grandes projetos. Em Jaraguá do Sul, um novo modelo de ensino desenvolvido pelo Senai e pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) promete levar o conceito de aprendizado a um novo patamar, integrando a indústria e a academia em prol da inovação. Trata-se da Faculdade Colaborativa do Senai, um projeto que após três anos de desenvolvimento abre as portas oficialmente nesta segunda-feira (12). Criado com o intuito de unir a prática acadêmica às demandas do mercado econômico, o espaço pretende sair do campo do discurso para adentrar efetivamente na prática, com ações em parceria direta com as empresas, explica o vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer. “Para a indústria, este projeto é uma oportunidade de parcializar com a academia nossos processos de desenvolvimento e inovação. Neste ambiente, os professores passam a ser um elo importantíssimo para unir as expectativas dos alunos com as demandas da indústria e assim juntos buscarem uma evolução em seus projetos”, afirma Bayer, destacando que o projeto é pioneiro e deve servir de protótipo para novas iniciativas dentro do Senai nacional. sala fisica aplicada - em O projeto recebeu o aporte de nove grandes empresas da região, além de contar com o apoio do Centro Cultural Scar. De acordo com o diretor do Senai de Jaraguá do Sul, Michael Siemeintcoski, foram investidos R$ 5,7 milhões na estrutura, sendo R$ 2,2 milhões repassados pelas empresas parceiras e cerca de R$ 3,5 milhões em recursos próprios do Senai. Como resultado, a estrutura conta hoje com nove ambientes educacionais, cada um deles idealizado por uma empresa, e três administrativos. “Cada um destes ambientes temáticos objetiva desenvolver uma capacidade cognitiva ou uma etapa de um projeto, por isso temos espaços como o ‘criar’, ‘dialogar’, ‘prototipar’, ‘programar’, ‘experimentar’, entre outros. Costumo dizer que esta estrutura é algo vivo, em constante desenvolvimento, que vai sempre se renovando”, afirma Siemeintcoski. “O mais importante é que o mercado acredita neste projeto e cada vez mais empresas buscam fazer parte dele – até agora, quatro empresas já aguardam a oportunidade de participar”, complementa o diretor do Senai. Processo transforma maneira de encarar a educação A nova estrutura do Senai servirá de apoio para os cursos de graduação e pós-graduação da instituição, que atualmente conta com cerca de 400 alunos, e também para as empresas da região que buscam um espaço diferenciado para inovar. Segundo a coordenadora do curso de Design de Moda e idealizadora do projeto, Renata Vavolizza, cada espaço foi criado a partir das impressões e percepções do próprio mercado, por meio de oficinas realizadas com as empresas parceiras. “As próprias indústrias puderam praticar o que os alunos irão vivenciar e isso foi muito fértil, pois ressalta a importância da educação no fortalecimento do processo colaborativo”, diz a docente.
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Ildefonso Silva Junior (E), Renata Vavolizza e Michael Siemeintcoski mostram os novos espaços colaborativos | Foto Eduardo Montecino
Cada sala será equipada conforme uma temática e terá equipamentos específicos para o desenvolvimento das atividades da área, seja mecânica, computação ou fotografia, enquanto outras funcionam como uma espécie de estúdios de criatividade mais informais, para desenvolver trabalho em equipe, processo de brainstorming e criação de produtos, por exemplo. Para o coordenador da faculdade Senai, Ildefonso Silva Junior, os ambientes ajudam a dar mais produtividade e qualidade ao ensino, oferecendo um dinamismo que a educação tradicional já não consegue alcançar. “É claro que a teoria continuará a ser parte importante dos cursos, mas os professores passam a ter as salas como uma ferramenta para fortalecer conceitos e explorar teorias”, explica ele. Enquanto o trabalho acontece dentro das salas de aula, os corredores se transformam em espaços de inspiração – e para suprir esta demanda, parcerias com os núcleos artísticos da Scar deverão render grandes espetáculos para os alunos que frequentam a universidade. Tudo em prol do pensamento criativo. “O acadêmico consegue teorizar o que ele vê na prática e colocar na prática o que ele vê na teoria. Ele vai construindo o conhecimento e não só absorvendo uma informação”, salienta Renata. Para aproveitar ao máximo a estrutura, o Senai deve trazer em breve dois novos cursos: o de Engenharia de Controle e Automação, já aprovado pelo Mec, e o de Engenharia Mecânica, que ainda aguarda liberação. Além disso, os espaços darão apoio ao desenvolvimento e capacitação empresarial, uma vez que qualquer empresa da região pode utilizar as salas de criação. “Queremos mostrar para a comunidade que não é mais preciso ir para fora do país para buscar uma educação diferenciada. Estamos adotando aqui conceitos adotados em universidade americanas, com ambientes interativos e abordagens inovadoras”, complementa Siemeintcoski.