O estudo técnico que ditará os parâmetros para o licenciamento ambiental dos cinco cemitérios municipais de Jaraguá do Sul tem previsão de ser concluído em abril. A iniciativa atende a determinações do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e do TAC (Termo de Ajuste de Conduta), assinado em setembro de 2014 com o Ministério Público Estadual. O estudo levantará a necessidade de projetos de remediação para recuperar áreas passíveis de danos ambientais, adequações e futuras ampliações. A empresa Ethos Engenharia, de Jaraguá do Sul, foi a vencedora da licitação, ao custo de R$ 140 mil. O documento conduzirá à Licença Ambiental de Operação Corretiva, pelo fato dos cinco cemitérios operarem sem autorização de órgãos ambientais. O diagnóstico contemplará os dois cemitérios do Centro, mais os da Vila Lenzi, Chico de Paulo e Nereu Ramos. O presidente da Fujama (Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente), Leocádio Neves e Silva, reconhece que os espaços para enterrar os mortos da cidade estão praticamente esgotados. Uma das preocupações é com a liberação de líquidos tóxicos no solo e gases poluentes, liberados no ar com a decomposição dos corpos. Ele exemplifica que o necrochorume (viscoso e de coloração castanho-acinzentada), dependendo da quantidade, além de contaminar o solo, pode atingir o lençol freático. “O estudo vai apontar sobre a expansão dos cemitérios, se será vertical, ou não, como será a coleta do chorume. Temos uma equipe com capacidade técnica para análise da contaminação do solo, mas ainda não trabalharam com cemitério”, salienta Silva, reconhecendo que a implantação das ações será no médio e no longo prazo. “Existem projetos de expansão na Vila Lenzi, mas aguardam o resultado desse estudo”, assinala. Ossário seria a solução Uma das soluções para liberar espaços nos cemitérios, de acordo com Silva, seria desenterrar os corpos a partir de cinco anos de sepultamento e transferí-los para um ossário, prática adotada por municípios como Blumenau e Joinville, “É uma questão cultural. Antigamente a população era bem menor, mas hoje, se considerarmos que uma pessoa vivem em média entre 60 e 80 anos, vamos concentrar os tecidos duros, com metais pesados, pesticidas.” O administrador dos cemitérios municipais, Adilson Hélio dos Santos, afirma que ainda há espaços disponíveis nos bairros Nereu Ramos e Chico de Paulo. “Temos um prazo médio de três anos para sepultamento. Com os serviços do crematório, também desafoga um pouco”, constata. Segundo ele, o número de falecimentos gira em torno de 16 ao mês na cidade.