Da Escola Municipal Luiz Gonzaga Ayroso, em Jaraguá do Sul, ao Pará e, agora, Espanha. Esse foi o caminho que o projeto de Leticia Luisa Braun e Scheila Aparecida Straub, ambas de 13 anos, percorreu ao longo de apenas 10 meses.

Com apoio do professor Jean Facchini, 52 anos, as duas desenvolveram uma bala antitabagismo que será apresentada na "Expocerca Jovem", em Barcelona.

Provocar a curiosidade nos alunos - essa é a ideia da atividade de iniciação científica que é desenvolvida pelo professor Facchini. Entre essas pesquisas, Leticia e Scheila buscaram conhecer a diversidade da couve e a partir dos estudos descobriram que a verdura exercia o poder contra o tabagismo.

Com esse viés e motivadas pela vontade de estimular pessoas a pararem de fumar, elas produziram uma bala. Mas como o doce foi feito só de couve, o resultado não foi positivo nos primeiros testes.

"Para melhorar o sabor, inserimos outros ingredientes, como hortelã, erva-de-são-joão, canela-do-ceilão e gengibre", destaca Facchini.

Além do sabor, a maioria dessas especiarias e ervas também é conhecida por propriedades terapêuticas que ajudam a largar o cigarro.

O incrimento desses ingredientes deixou a bala mais saborosa e ela teve 91% de aprovação dentro da comunidade escolar, trazendo resultados positivos para o teste sensorial.

Caminho até a Europa

Na feira interna da escola, o projeto de Leticia e Scheila ganhou passaporte para a Feira Brasileira de Iniciação Científica (FEBIC), que foi realizado dentro do movimento Jaraguá em Ciência, em setembro de 2018.

Na FEBIC, elas conseguiram credencial para participar da Mostra de Ciência e Tecnologia da Escola Açai (MCTEA). Com isso, em dezembro elas partiram para a cidade de Abaetetuba, no Pará. Novamente, a bala fez sucesso e as meninas garantiram passagem para a Expocerca Jovem, na Espanha.

"A gente não imaginava que iria tão longe, pensamos que no máximo iriamos ganhar aqui perto. Ficamos muito feliz, não tem nem como explicar", relata Scheila.

Facchini ressalta que o projeto conseguiu acesso a Barcelona pela sua metodologia bem fundada, já que todos os passos do processo estão bem definidos. Entre eles está a aplicação em fumantes para comprovar a eficiência da bala.

As alunas e o professor vão sair do Brasil no dia 26 de fevereiro e a feira acontece nos dias 28 de fevereiro e 1º, 2 e 3 de março. Com ajuda de custo de R$ 3 mil, a Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs) vai pagar a estadia deles, enquanto a Secretária da Educação vai auxiliar na passagem com R$ 12 mil.

"O Brasil inteiro saiu com apenas três credenciais e uma delas veio para Jaraguá do Sul. É um orgulho imenso", destaca o secretário de Educação de Jaraguá do Sul, Rogério Jung.

Futuro do projeto

A base de um trabalho científico é a adaptação, algo que aconteceu recorrentemente com a bala produzida pelas meninas. O próximo passo é fazer a verificação do potencial do projeto na prática, testando com pessoas fumantes.

"Nós já fizemos o teste em off, mas agora precisamos aplica-lo metodologicamente, passando por todos os processos e pelo comitê de ética", destaca Facchini.

De acordo com Leticia, o maior aprendizado com o projeto foi que, com determinação, todo mundo pode chegar no seu objetivo. O delas era diminuir o número de fumantes no mundo. "A nossa meta é conseguir fazer a humanidade parar de fumar e pelo jeito estamos conseguindo", enfatiza.

As alunas não esperam ter tanto sucesso com o projeto | Foto Eduardo Montecino OCP News

Scheila destaca que a bala tem levado as duas a lugares imagináveis, conhecer culturas completamente diferentes e aprender novas experiências com ideias de outros estudantes. "Fiquei surpresa quando descobri que iriamos a outro país", frisa.

O impacto da iniciação científica

O secretário de Educação, Rogério Jung, conta que tinha a preocupação em fazer escolas integrais darem certo na cidade, como é o caso da Luiz Gonzaga Ayroso. Conversando com o professor Facchini, o secretario resolveu incentivar a iniciação científica na escola em 2017.

Somente no ano passado, a escola produziu 36 projetos desse ramo. No 6º ano, a aplicação científica é obrigatória para que os alunos possam conhecer melhor esse mundo e no 7º ao 9º ano é facultativo.

"Quando começamos a iniciação científica, eu tinha certeza que daria [certo], mas não tão rápido", destaca Jung.

O secretario conta que esses projetos incentivam as crianças a buscarem o conhecimento, explorar outras culturas, agregando um valor além da sala de aula. "Eu vejo que eles aprendem brincando. A educação tem a função de formar a parte social da nossa cidade", comenta.

 

 

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