Por Kamila Schneider, Heloísa Jahn e Dyovana Koiwaski Ser mãe é estar constantemente em busca do equilíbrio entre as emoções e os desafios de criar um filho. Não é segredo que a tarefa mais desafiadora da vida de uma mulher é também a mais recompensadora – afinal, não há cansaço que supere o sorriso terno de uma criança. E é em meio a este furacão de sentimentos que a vida acontece, dia após dia, sempre dividida entre o choro e o riso, o medo e a alegria, a distância e o abraço. E que abraço! Poucos lugares no mundo são melhores do que os braços de uma mãe. É para homenagear todas as mães que o OCP conta a história de três mulheres que encontraram na maternidade a sua melhor versão. Com doçura e muita garra, elas enfrentam os desafios diários sem olhar para trás, sempre em busca do melhor caminho. Neste especial, os leitores irão conhecer Shaiane de Lima, que aos 25 anos se divide entre o trabalho e os cuidados com as duas filhas pequenas, pelas quais já mudou de emprego e de rotina inúmeras vezes. Também contaremos a história de Marciléia da Silva Branco, que viu sua vida transformada pela maternidade e se desdobra para exercer o papel de mãe e pai para o pequeno Pablo, de apenas quatro meses. E para mostrar que toda a mãe possui mil facetas, trazemos ainda o exemplo da advogada Janaína Peixer, que com determinação encontra tempo para estudar, trabalhar, ser atleta e cuidar dos três filhos, tudo isso enquanto aguarda a chegada da mais nova integrante da família. Uma mulher de muitas facetas  Para muitas mulheres, ser mãe significa ser capaz de conciliar a casa, os filhos e o trabalho. Já se foi o tempo em que a maternidade representava abdicar das ambições pessoais e, modéstia à parte, as mulheres aprenderam como ninguém a equilibrar suas muitas tarefas. A jaraguaense Janaína Peixer, 36 anos, em especial, prova que não há limites para uma mulher moderna e, com esforço, conseguiu levar a ideia de “mãe versátil” a um nível totalmente novo. Desde que casou, há nove anos, Janaína sempre soube que queria uma família grande, com muitos filhos, mas também sabia que seria um desafio encaixar tanta responsabilidade na rotina agitada. Quando o primeiro da turma nasceu, Ian (hoje com sete anos), Janaína tinha começado a fazer um mestrado na área de direito em Curitiba, e precisava conciliar ainda o trabalho no escritório com as aulas ministradas à noite em uma universidade da região. A turma foi crescendo e o trabalho em casa também: com o nascimento de Lorena, de cinco, e Isis, três, Janaína decidiu diminuir a carga de trabalho e dedicar parte do tempo à criação dos filhos – mas não sem antes dar início ao doutorado. Hoje grávida de nove meses da quarta filha, Amora, Janaína não abre mão da vida ativa de que é acostumada. Todos os dias, ela levanta às 6h para levar a criançada para o colégio, preparar as aulas, corrigir provas e, claro, garantir uma dose diária de ioga ou alongamentos. “Se eu tivesse que definir, minha primeira função é ser mãe, é isso o que me realiza. O resto serve como combustível para que eu possa encarar esta tarefa e dar o meu melhor”, afirma ela. Para Janaína, o trabalho e o esporte são oportunidades de descansar a mente, respirar novos ares e renovar as energias para curtir ao máximo os filhos. Além de doutoranda e professora, ela também é triatleta e costuma dedicar boa parte do seu tempo aos treinos e provas das modalidades que pratica. “Com a gravidez precisei aliviar os treinos, mas parar totalmente, jamais. Quanto ao trabalho, pretendo dar aula até o último dia de gravidez”, diz ela, rindo, só para mostrar que não existe tempo ruim. Segundo Janaína, o segredo para conciliar tantas tarefas é levar a vida com leveza, vivendo um dia de cada vez. “A gente costuma se cobrar muito, mas não existe fórmula mágica, nenhuma mãe é perfeita. Temos que encarar as coisas com menos cobrança e mais leveza”, afirma a mãe, que no ano passado criou o blog Diários da Maternidade para compartilhar sua experiência e ajudar com os desafios da maternidade. “Sou uma mãe dedicada, mas tenho consciência que criamos os filhos para o mundo. Vai chegar o tempo que eles vão seguir com a vida deles e eu quero poder ter o meu futuro também, com o que eu gosto de fazer. Hoje quero aproveitar cada momento com eles, valorizar essa relação. Tudo tem seu tempo”, acredita Janaína. Mesmo sem creche, mãe consegue aliar cuidado dos filhos com o trabalho Desde que se tornou mãe, aos 20 anos, a facilitadora de costura Shaiane de Lima descobriu um novo sentido para a vida. Com a chegada da segunda filha, então, todos os sentimentos se intensificaram. São as pequenas Manuela e Milena que, diariamente, encorajam a mãe a enfrentar todas as dificuldades.“Quando a gente se torna mãe, deixa de ser egoísta porque não pensa só no que é bom para uma pessoa, mas sim no bem-estar dos filhos, que são a prioridade”, declara sem titubear. A joinvilense, hoje com 25 anos, encara o desafio de educar as meninas ao lado do marido, Marcos Cristofolini, e conta com o apoio da família para conciliar o cuidado com as filhas, casa e trabalho. Desde a primeira gravidez, ela teve dificuldades em encontrar creche e, por isso, teve que mudar de emprego algumas vezes e até ficou sem trabalhar para cuidar das meninas. “Quando engravidei pela segunda vez estava empregada, mas depois de quatro meses fiz acordo porque não consegui vaga na creche. Voltei a procurar emprego, mas quando você tem duas filhas, para conseguir voltar a trabalhar é bem difícil. Existe muito preconceito”, diz.
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Mãe da Manuela e Milena, Shaiane de Lima sofre com a falta de creche, mas conta com a ajuda de familiares que cuidam das meninas enquanto ela trabalha | Foto Eduardo Montecino
Empregada há um mês no segundo turno, mesmo horário que o marido trabalha, Shaiane conta com a ajuda dos avós paternos, Juceli e Gildo, para cuidar das meninas. Manuela, a mais velha, frequenta o jardim de infância no período da tarde, mas Milena, de um ano e sete meses, ainda não tem vaga na creche. “Eles buscam a Manu na escolinha no fim do dia e ficam com elas até 23 horas, quando voltamos do trabalho e passamos para pegar elas. É bem difícil ter que deixar elas e buscar, ainda mais nesses horários, mas fico tranquila porque sei que elas estão bem cuidadas com os avós”, enfatiza. Shaiane afirma que se não fosse a contribuição dos sogros, ela não teria como trabalhar. “Sem vaga na creche e sem ter com quem deixar elas depois do horário, porque muitas vezes a creche não pega o turno completo de trabalho dos pais, não seria possível”, completa. “A gente enfrenta todas as dificuldades para que elas tenham uma vida digna”, declara. Apesar de ter sido mãe muito nova e sem planejar, a jovem que mora há nove anos em Jaraguá do Sul não faria nada diferente. “Não planejei ter filhos com a idade que tive, mas ser mãe mudou totalmente a minha vida. Elas se tornaram o sentido de tudo, a minha felicidade”, resume. Costureira descobre maternidade e dribla desafios de ser mãe solteira Um sorriso espontâneo logo pela manhã é a forma perfeita de desejar bom dia para alguém que se ama. Com apenas quatro meses, o pequeno Pablo Gustavo parece conhecer bem essa receita. Ao abrir os olhinhos e enxergar a feição da mãe, Marciléia da Silva Branco, 30 anos, o bebê solta uma daquelas risadas contagiantes para alegrá-la. O gesto serve como injeção de força para Marciléia. Mãe de primeira viagem e sem o apoio do pai da criança, ela enfrenta uma batalha diária para conciliar os cuidados com o filho, o serviço como costureira e a manutenção de sua casa no bairro Santa Luzia, onde mora sozinha com Pablo. Logo ao descobrir que estava grávida, no começo do ano passado, Marciléia procurou o pai da criança, com quem mantinha um relacionamento casual. A costureira também marcou um exame de DNA para provar a paternidade, mas o homem não compareceu. Durante os nove meses de gravidez e ao longo desses quatro meses de vida do menino, o pai ainda não estabeleceu contato com a família. Um processo judicial de reconhecimento da paternidade está em andamento.
Marciléia não fazia planos para ser mãe quando descobriu a gravidez. A mãe diz que o nascimento de Pablo mudou sua vida para melhor | Foto: Eduardo Montecino
Marciléia não fazia planos para ser mãe quando descobriu a gravidez. A mãe diz que o nascimento de Pablo mudou sua vida para melhor | Foto Eduardo Montecino
  O período de gestação foi complicado para a costureira. “Eu precisava ir constantemente ao hospital devido aos vazamentos de líquido e crises de hipoglicemia. Aceitar essa condição no começo foi difícil, por isso tive acompanhamento de um psicólogo”, recorda a mãe. Nessa trajetória, a ajuda da família foi fundamental para Marciléia conseguir bancar todos os gastos com a gravidez e enxoval da criança. “Sustentar ele, pagar o aluguel e todos os demais custos mensais somente com o meu salário não é fácil”, comenta. Pablo frequenta o berçário 1 da creche Daniel Carlos Pret, enquanto a mãe atua como costureira em uma fábrica no Santa Luzia. Às 14h30, ela busca o bebê no centro, leva para a casa da avó e retorna à função. Saídas para Marciléia amamentar o filho também são permitidas pelo local de trabalho. Como uma típica mamãe coruja, ela ressalta as qualidades do filho contando que o bebê é extremamente calmo e simpático. “Nossa rotina dentro de casa é muito tranquila, ele não acorda muito e adora brincar”, garante ela. Ser mãe não estava entre os planos de Marciléia, mas a surpresa da maternidade, como ela mesma define, mudou sua vida para melhor. “É uma experiência diferente de tudo. Antes eu parabenizava a minha mãe e agora tenho o meu filho para me abraçar nesse dia de homenagem”, destaca a mãe.