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Crônica de Henrique Porto.
Olá, meu nome é Grêmio Esportivo Juventus. Você já deve ter ouvido falar de mim. Tenho esse nome porque nasci dentro do Grêmio da Juventude Católica. O Padre Elemar Scheid, meu idealizador, gostava muito do nome Juventus, palavra derivada do latim ‘iuventus’, que na verdade significa juventude. E é assim que me sinto hoje, quando completo 50 anos.
Sei que minha história é feita de altos e baixos. Mas a vida de cada um de nós não é assim também? Seja no amor, no trabalho ou no esporte. Passei pelas mãos de bons e maus gestores, mas nunca abaixei a cabeça. Sempre que me dão como morto, reapareço e surpreendo. Minha vida é surpreender, gosto de ser subestimado. O Joinville que o diga. Deve ser por isso que me chamam de ‘Moleque Travesso’. Mas um dia também já fui o ‘Time do Padre’.
Na verdade, sou mesmo é o ‘Time do Povo’. Revelei muita gente boa de bola: goleiros, defensores, meias e artilheiros. Também já abriguei um monte de perna de pau, mas o Padre me ensinou que todos merecem uma chance. Venci jogos memoráveis, tive derrotas vexatórias, comemorei acessos e lamentei rebaixamentos. Hoje estou por baixo, mas amanhã posso estar por cima. Você que me acompanha sabe bem como é isso.
Não deve ter um estádio desta terra catarinense onde não tenha pisado. Também tenho a minha casa e ela se chama João Marcatto. No começo era tudo de madeira, mas hoje tenho orgulho daquilo em que o meu lar se transformou. Até me pedem emprestado. Grandes nomes do futebol nacional já atuaram lá. E costumo dar sorte para aqueles que desfilam naquela relva. O Olympya foi o primeiro campeão catarinense de futebol feminino jogando na minha casa e com o meu uniforme. Quem não se lembra da conquista do Jaraguá Breakers, naquela histórica virada sobre o Flamengo nos segundos finais? Então, ela também aconteceu lá no Jaraguá Esquerdo.
Ah, você lembra que por duas vezes representei nossa cidade no Campeonato Brasileiro? E das duas vezes que fiquei entre os três melhores clubes do Estado? Tempo bom, que há de voltar. Título mesmo só tenho um, mas por isso que é bom torcer para um clube que os outros chamam de pequeno. Nossas conquistas são mais saborosas, damos mais valor a elas. Como esquecer aquele 1 a 0 sobre o Joinville, em 1976, quando mais de 200 carros me aguardavam na chegada à cidade, isso em plena madrugada? Ou daqueles 4 a 1 no Joinville de 2007, dentro da Arena da cidade vizinha. Teve até ‘Dança do Siri’. Boas lembranças, né?
Mas tem outras curiosidades sobre mim que talvez você não conheça. Vestindo a minha camisa, um arqueiro passou 674 longos minutos sem sofrer um tento. Já fiquei 23 jogos sem conhecer o sabor de uma derrota. Certa vez, um massagista precisou entrar em campo como jogador e venci o jogo. Teve também um goleiro que marcou um gol de pênalti, isso há 40 anos. Já fiz artilheiros de Campeonato Catarinense. Fiz muita gente sorrir e chorar.
Minha história é bonita, né? Só acho que preciso de um pouco mais de respeito. Sou um cinquentão e, como já disse, hoje estou por baixo, mas nunca abaixei a minha cabeça. A minha vida é surpreender e gosto de ser subestimado. Mas enquanto uma nova molecagem não acontece, só me resta pedir proteção ao meu grande mestre. Esteja onde estiver, rogai por mim Padre Elemar!
 

1969

Foto 1 - 1969
Uma das primeiras equipes da história do Juventus, após a fundação do clube, em 1966. Ainda sem caráter profissional, o time participava de torneios regionais da época, festivais e quadrangulares disputados em um único fim de semana, tendo como maior objetivo a divulgação do clube para os moradores de Jaraguá do Sul. Na foto, alguns jogadores que vestiram as primeiras camisas do Moleque Travesso, como Chico Voigt, Ademar, Floriani, Samara, Elizaudo Leutprecht, Jorge, Roque, Sebastião,além do fundador do clube, Padre Elemar (em pé, o primeiro da esquerda para direita).
Foto 10 - Primeiro João Marcatto

Foto do primeiro Estádio João Marcatto, com arquibancada no lado direito para apenas 200 pessoas, feita de madeira. No lado esquerdo, onde atualmente tem arquibancada, havia uma plantação de roseiras. No fundo, o salão de festas que permanece até hoje, com um amplo espaço de estacionamento em volta, além de um bar ao lado da arquibancada.

 
AriAriovaldo Xavier dos Santos - Arizinho
Um volante, com faro de gol. Assim pode ser definida as características de um dos maiores jogadores da história Juventus. Ariovaldo Xavier dos Santos, mais conhecido como Arizinho, apelido dado por sua baixa estatura, cravou seu nome no clube ao se tornar o maior artilheiro nestes 50 anos, com 254 gols marcados.
Natural de Taubaté-SP, o camisa 10 fez sua primeira aparição com a camisa tricolor, em 1968, quando jogou uma partida contra o Guarani, de Blumenau, e marcou os dois gols da vitória, sendo contratado em definitivo no ano seguinte. A enorme habilidade nas cobranças de falta, somado a velocidade e boa finalização, o colocaram no hall dos grandes jogadores do Moleque Travesso. “Naquela época, o Juventus era visto como um grande time, pois estava se profissionalizando e jogava de igual com os grandes de Santa Catarina. A crônica do Estado sempre enaltecia nosso trabalho. Tenho a felicidade de fazer parte da historia do Juventus, porque estou inserido no contexto futebolístico de nossa cidade, tempos românticos e saudosos do futebol”, disse Arizinho, hoje com 66 anos.
 
 

1971

Foto 2 - 1971
Em 1971, veio o primeiro título na história do tricolor. De forma invicta, a equipe conquistou o Campeonato Regional, mais conhecido como a Taça dos Municípios, no qual participavam o Ipiranga e Continental, de Rio Negrinho, Operário, de Mafra, e Dom Pedro II, de Corupá. Na foto, os atletas do Juventus ao lado dos jogadores do Atlético de Ibirama, no jogo de entrega das faixas. Faziam parte da equipe jaraguaense: Doza (massagista), Carneiro (técnico), Loreno Marcatto (presidente), atletas Epi, Nondas, Sebastião, Edio, Padre Adolfo, Farraco, Spézia, Henrique, Adilson, Amilton, Valdir, Durval, Darci, Jorge, Ari (artilheiro da competição com 13 gols) e Roquinho.
 

1974

Foto 3 - 1974
No dia 7 de dezembro de 1974, o Juventus sagrou-se campeão da Taça Governador Colombo Machado Salles ‘Zona Norte’, vencendo o encontro final diante do Continental, de Rio Negrinho, por 1 a 0. A partir daí, o clube começou a se solidificar no cenário estadual e chamar a atenção de outros times catarinenses. Equipe: Doza (massagista), Padre Adolfo, Edio, Ademar, Farraco, Spezia, Bebeco, Carneiro (técnico), Valdir, Sebastião, Roque, Ari e Nondas.
 

1976

Wilfrit
11 de abril de 1976. Foi nesta data que o Juventus estreou no Campeonato Catarinense da primeira divisão, com uma derrota para o Palmeiras, de Blumenau, pelo placar de 2 a 0. Eram 14 clubes naquela edição do Estadual, no qual jogavam todos contra todos, divididos em dois grupos. O Juve estava na Chave A, junto com Avaí; Paysandu, de Brusque; Marcilio Dias; Joinville; Inter de Lages e Palmeiras, de Blumenau. Na foto, duelo contra o Avaí, no João Marcatto, que terminou empatado em 0 a 0. Em pé: Wilfrit, Ginho, Pimentel, Bebeco, Nilo, Gerson e Caetano (massagista e jogador). Agachados: Paulista, jogador não identificado, Moises, Russinho e Juquinha.
WilfritokWilfrit Baechtold - Linguiça
Natural de Joinville, Wilfrit Baechtold, foi o camisa 1 do Juventus entre as temporadas de 1972 e 1976. Chamado de ‘Linguiça’ pelos companheiros do grupo, devido a alta estatura e porte físico magro, o arqueiro destacou dois momentos marcantes em sua passagem pelo tricolor jaraguaense. As duas em 1976, ano de estreia do clube no Campeonato Catarinense. Primeiro, a vitória sobre o Inter de Lages, fora de casa, por 1 a 0, um campo e adversário muito difícil de ser batido na época. A outra foi a quebra da invencibilidade de 23 jogos do Joinville, jogando em casa, com outro triunfo por 1 a 0. “Foram duas grandes histórias na minha carreira que jamais vou esquecer e ainda aparecem em alguns sonhos. Tínhamos jogadores que poderiam jogar em qualquer clube do país”, afirmou Wilfrit, que ainda comentou a satisfação em participar da história do clube. “Foram quatro anos que sempre ficarão na minha memória. Só tenho a agradecer por tudo que o clube me proporcionou e desejo todo sucesso do mundo daqui para frente”, destacou.
 

1990

Foto 5 - 1990.xx

Após ficar dez anos sem atividades no futebol profissional, o Juventus voltou a disputar o Campeonato Catarinense da segunda divisão, no dia 16 de fevereiro de 1990. E foi preciso somente um ano na Segundona , para que o Moleque Travesso conseguisse seu retorno à elite do futebol catarinense. O regulamento previa que somente o campeão subiria, mas uma mudança de última hora tornou possível o acesso, já que o Juventus ficou em segundo lugar na competição, que teve o Inter de Lages como campeão.

TomazelliRogério Lauro Tomazelli - Tomazelli
Nascido e criado em Jaraguá do Sul, o ex-volante Tomazelli não ajudou o Juventus apenas dentro de campo, mas também fora dele. Com um forte poder de marcação e boa finalização de fora da área, o atual presidente da Liga Jaraguaense de Futebol atuou no tricolor de 1976 a 1979. “Meu primeiro pé num estádio de futebol foi no Juventus e depois estava jogando pelo clube. Fui praticamente o primeiro jaraguaense a ser registrado como atleta profissional na época. Então sempre vesti essa camisa, com muito amor”, afirmou. Mesmo com o encerramento das atividades no clube, em 1980, Tomazelli manteve a paixão pelo Moleque Travesso e hoje possui um dos maiores acervos de fotos e informações sobre o clube. “O Juventus tem uma história grandiosa e ela não pode ser apagada. Sou muito grato pelo que o time deu para mim, para a cidade e todos os atletas que passaram por aqui”, disse.
 

1994

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Foi no ano de 1994 que o Juventus teve uma das melhores campanhas de sua história na Série A do Campeonato Catarinense. Com um ataque avassalador, que balançou as redes em mais de 50 oportunidades, a equipe chegou até a semifinal, quando enfrentou o Figueirense. Depois de empatar, em casa, por 1 a 1, o time jaraguaense perdeu para o alvinegro na capital, por 1 a 0, ficando com a terceira colocação do Estadual. Na foto, em pé: Neilor, Leonetti, Alcir, Nei, Luisinho, Celso Rezende (preparador físico) e Dr. Glenio (médico). Agachados: Índio (massagista), Silvinho, Indio, Alaor, Carlos Alberto e Ricardo.
13081582_10154193248494973_254921062_nAlaor Palacio Junior - Alaor
“Matador do João Marcatto”. É com esta expressão, que o atacante Alaor fez sua trajetória curta, mas meteórica no Juventus. Hoje, aos 47 anos, o paranaense de Arapongas jamais será esquecido pelos torcedores, após as grandes exibições pelo clube, na temporada de 1994. Logo no ano em que o Moleque Travesso alcançou sua melhor campanha no Estadual ao ficar com a terceira colocação, Alaor foi o grande destaque daquela equipe, terminando como artilheiro do campeonato, com 21 gols marcados. “Só não chegamos na final daquele ano, porque fomos roubados escandalosamente, em Florianópolis. Se tivéssemos feito a final, seríamos campeões”, declarou. Centroavante clássico, o camisa 9 formava um trio de ataque de ouro naquele Catarinense, ao lado dos pontas Índio e Ricardo. “A qualidade do nosso ataque era muito grande e tinha a sorte de ter dois excelentes companheiros, fazendo com que a bola chegasse toda hora”, completou. “Devo muita coisa ao Juventus, não só na parte de futebol, mas também da família. Sou casado e tenho uma filha de Jaraguá do Sul. Então além de proporcionar a chance de ser artilheiro do Catarinense, ainda consegui ficar aqui na terra e formar uma família”, finalizou.
 

1995

Foto 7 - 1995 - 24 © Rogerio Tomaselli (Arquivo Pessoal)
Em 1995, o clube teve a primeira participação em um Campeonato Brasileiro. Na Série C, a equipe disputou quatro jogos na primeira fase, empatando duas com o Santo André-SP, além de ganhar uma partida e perder outra para o Ituano-SP, conseguindo se classificar a etapa seguinte. Na segunda fase, enfrentou o Ypiranga, de Erechim-RS, e conseguiu a vaga ao vencer no Rio Grande do Sul e empatar, no João Marcatto. Já nas oitavas de final, o tricolor teve pela frente o Caxias-RS e após empatar em casa e perder fora, por 1 a 0, acabou sendo eliminado.

Sandro Luis Schmitt - Toto

Toto

Além de Alaor, o Juventus teve outro atacante eternizado na história do clube por sua facilidade em balançar as redes. Natural de Jaraguá do Sul, Sandro Luis Schmitt, o Toto, liderou o esquadrão tricolor, em 1990 na Série B, e 1991 na Série A, se tornando o grande artilheiro do Estadual nas duas ocasiões, com 19 e 23 gols marcados, respectivamente, e sendo um dos principais responsáveis na ascensão do Moleque Travesso no cenário estadual, após ficar dez anos sem atividades no futebol profissional. Centroavante e com 1,86m, Toto era um exímio cabeceador e foi o grande destaque do tricolor nas duas temporadas em que esteve no clube. “É uma honra fazer parte deste seleto grupo de atletas que marcaram o nome na história do Juventus. Tenho muita honra e orgulho de ser lembrado em momentos assim”, destacou.

2004

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O Juventus retornou à disputa de competições de futebol profissional, em 2004. Foi neste ano, que conquistou seu primeiro e único título estadual, a Série B. O time comandado pelo técnico Itamar Schulle obteve uma das maiores invencibilidades do futebol catarinense ao ficar 23 jogos sem derrota, entre os dias 30 de maio e 9 de outubro, com 14 vitórias e 9 empates.

2006

Foto 9 - 2006

O Juventus igualou a campanha de 1994 e fez história no Estadual de 2006. O time de Pereira, Acássio, Everaldo, Sabiá e companhia, terminou a primeira e segunda fase na vice-colocação, conquistando vaga na semifinal. No confronto decisivo, a equipe foi derrotada pelo Joinville por 1 a 0, no duelo de ida, em casa, e na volta, sofreu um 3 a 0.