Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Mbappé e Salah. A lista de jogadores é interminável e, não bastassem eles, ainda tem os especiais, os estádios, as seleções completas. Agora, imagine isso tudo, em figurinhas e imagine todos esses adesivos rodando por aí.

O álbum da Copa do Mundo conquista torcedores, mas também quebra barreiras porque até quem não é muito chegado ao futebol tomou para si a paixão na hora de colar as figurinhas.

E, em alguns casos, a paixão está passando de geração em geração. É o caso do pequeno Gabriel Valério Birckholz, de oito anos, que pôde comemorar na última quinta-feira (17). O motivo? Álbum devidamente fechado, figurinhas coladas com capricho. Todas elas, as 682.

Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Segundo a mãe de Gabriel, Fabiana Borges Valério Birckholz, na última Copa, em terras brasileiras, mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo, Gabriel já tinha seu álbum e contou com o financiamento e a ajuda do pai na missão.

“Na Copa aqui no Brasil ele era muito pequeno, mas o pai dele fez questão de completar. Hoje, está guardado”, conta. Dessa vez, foram cerca de 45 dias desde o momento em que comprou o álbum até completá-lo.

Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Além da ajuda dos pais, avôs, tios e familiares, Gabriel contou com o auxílio profissional do comerciante Luiz Henrique Serenato, que dos 50 anos vividos, está há 40 colecionando figurinhas. O acervo é digno de profissional. E o comerciante não se limita aos álbuns da Copa. Campeonatos brasileiros, Copas, especiais; sendo futebol, está valendo.

O motivo da paixão de Serenato tem cor, a verde, e nome, o Palmeiras. Foi o time paulista que incendiou a paixão no coração do comerciante.

“Foi a paixão pelo Palmeiras que me levou a amar futebol e o resto é consequência”, garante.

O comerciante tem um trabalho bastante cuidadoso e passou a dedicar todo o seu tempo a ele desde que a o álbum da Copa foi lançado neste ano. Tabelas, anotações, separações. Em um “bolinho” jogadores, em outro, estádio, em um terceiro apenas as especiais. Tudo em ordem crescente.

O comerciante Serenato é o responsável por muitos outros torcedores completarem os álbuns. | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

As figurinhas da Copa do Mundo movem a vida de Serenato e o resultado não poderia ser outro. Além de completar o seu álbum, ele é o responsável por muitos outros fãs completarem os seus, como o pequeno Gabriel, que saiu do Bazar e Papelaria Marechal com os olhos brilhando.

As três figurinhas que insistiam em não sair nos pacotinhos estavam ali, esperando. Para Serenato, essa satisfação é a recompensa final. “O reconhecimento é ver a alegria, é esse reconhecimento que a gente quer”, conta.

Com a grande coleção de Serenato, a troca de figurinhas é contínua. | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Atualmente são cerca de 3,3 mil figurinhas aguardando para serem coladas. O comerciante explica que seu trabalho é complexo apenas na parte da organização, mas é simples na execução: é uma troca contínua de figurinhas.

E a todo momento, colecionadores entram pela porta já mirando o número estampado em um quadro atrás do balcão. É lá que está estampado o 111 que representa o número de álbuns fechados por ali.

Cada álbum que Serenato ajuda a completar é um número a mais no quadro que fica atrás do balcão da papelaria. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

O primeiro deles foi o de Serenato, que não poupou esforços para ser o primeiro jaraguaense a completar o álbum da Copa do Mundo 2018.

Trocas fora do ambiente virtual

O objetivo é claro: ser mais um entre as centenas que já completaram o álbum graças a troca de figurinhas. Foi por isso que o estudante João Pedro Dreschel, 23 anos, chegou ao balcão para “negociar” as figurinhas.

Torcedor do Flamengo, o estudante já está em seu quarto álbum de Copa. Os de 2006, 2010 e 2014 estão completos em casa. Neste ano, restam 150 para fechar a coleção. Para ele, a mais emblemática de todas já foi conquistada: a figurinha da taça. “Ah, é a taça né? Porque é a taça, é o objetivo que todas as seleções buscam”, explica.

João tem lembranças da infância, quando fazia o álbum junto com o pai. | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

O estudante lembra que a paixão passou de pai para filho e a memória de João ainda guarda a imagem do pai colando figurinhas em uma época que a cola era companheira inseparável.

“Meu pai gosta muito e nós já fizemos álbuns juntos. Ele tinha aquelas de colar com cola mesmo, sabe?”, conta.

O investimento até o momento foi de cerca de R$ 250 e, além de comprar, as trocas entre amigos também ajudaram a ir completando o álbum. Ele conta que a papelaria tem até mesmo um grupo, no qual os clientes se organizam para marcar trocas.

Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Para Luiz Henrique Serenato, o anfitrião das trocas, as figurinhas que conquistaram crianças, adolescentes e adultos, têm um papel maior do que a coleção. Mesmo que por um período, o álbum motiva uma mudança de hábitos, especialmente entre as crianças, hoje tão ligadas ao mundo eletrônico.

“A gente aqui acaba vivendo o dia a dia com as crianças e percebe que elas têm deixado de ficar na TV e no celular para se dedicar às figurinhas e aos álbuns”, diz. Além disso, ele afirma que elas podem e são usadas de forma didática.

Figurinhas para ensinar

Cristina Travi, 30 anos, tem aproveitado o álbum de figurinhas para ensinar algumas coisas ao pequeno Davi, de seis.

Ela, que também procurou o ponto de trocas, conta que o filho não é muito chegado a times ou ao futebol na TV, mas que a coleção de figurinhas está a todo vapor em casa, ajudando inclusive no aprendizado.

“É ele que cola as figurinhas e como está na fase de aprender os números, estou tentando usar isso de forma didática”, afirma.

O pequeno Davi, de seis anos, não é muito chegado no futebol, mas a coleção de figurinhas está a todo vapor para completar o álbum. | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Os países também estão na mira da mãe, que aproveita o álbum para ensinar o filho a reconhecer o nome de cada um dos países que disputam a Copa. “Panamá ele já lê direitinho, porque é mais simples”, finaliza.

Serenato garante que a paixão não tem idade e que os clientes possuem uma faixa etária bastante abrangente, que começa aos três anos e não tem limite. “Quem quer completar o álbum e se dedica, consegue. Não tem figurinha difícil”, garante.