O educador musical Genival Santos da Silva, 44 anos, nascido em São Paulo e radicado desde 1997 em Jaraguá do Sul, iniciou a carreira de professor desde cedo, aos 17 anos, tanto que já perdeu a conta de quantos alunos formou. “Já tenho ex-alunos tocando em orquestras dentro e fora do país”, declara, com orgulho. Com formação em Pedagogia, licenciado em Música, Psicopedagogia e bacharel em trombone, ele conta que chegou em Jaraguá do Sul, à época, contratado pelo Colégio Marista São Luís. É trombonista na Orquestra Filarmônica da Sociedade Cultura Artística (Scar), uma das instituições onde já lecionou. Silva é servidor de carreira da rede municipal de ensino desde 2012, quando passou a ser alfabetizador musical para estudantes das séries iniciais do ensino fundamental. Em sua trajetória como educador do município, já passou pelas escolas Albano Kanzler, Vítor Meirelles e Padre Alberto Jacobs. A partir deste ano, está na escola Anna Töwe Nagel. Em sala de aula, utiliza o violão. Para impulsionar o aprendizado das crianças do 2º ano com dificuldade de leitura, ele transforma histórias infantis em textos musicados. “Com a história cantada, se cria um vínculo de grupo, pela habilidade musical”, acredita. Paralelamente, Silva é professor de música no Colégio Evangélico Jaraguá, função que ocupa desde 2006. “A questão da vida profissional como educador, alfabetizador musical, tem sido marcante na minha vida. Quando observo uma criança, ou adolescente, que teoricamente não conseguiria aprender, e aprende, se quebra paradigmas”, observa. “A música dentro da escola, aplicada de forma inclusiva, dá 100% certo em sala de aula. Nenhuma criança fica restrita. Independente do potencial, cada um tem habilidade para algo”, complementa. De acordo com Genival, a ligação entre o professor e o aluno cria laços. “Tenho alunos na Filarmônica que tocam comigo. A ideia é que o aluno seja melhor que o professor, desenvolva mais habilidades. Isso é que dá satisfação”, afirma. Não por acaso, a família de Genival Silva respira música. Casado com a também professora e violinista Suzana da Silva, 43 anos, uma das coordenadoras do Festival de Música de Santa Catarina, teve o mesmo caminho seguido pelos filhos. David Santos da Silva, 22 anos, é designer gráfico e trompetista, enquanto que a filha Laísa Santos da Silva, 21 anos, estudante de Biomedicina, é violoncelista. “Na questão cultural de Jaraguá do Sul, gosto da organização dos descendentes de europeus. São pessoas fechadas, mas quando criam vínculos, são firmes”, opina ele. Sobre os 140 anos do município, destaca a diversidade e a abertura às pessoas que vieram de fora. “Jaraguá do Sul é uma grande cidade e ao mesmo tempo uma cidade do interior. Vejo como uma cidade completa, mas sem os atropelos de uma grande cidade”, salienta. A lacuna que se apresenta, para ele, é quanto ao mercado de trabalho a partir de agora. “Daqui para frente, o desafio da cidade é poder absorver os profissionais que estão se formando. Será que meus filhos terão as mesmas oportunidades de crescimento que tive?”, questiona. Também aponta outra preocupação, quanto à gestão administrativa, relacionada ao trânsito, mobilidade e cuidado com a cidade.