Por Heloísa Jahn | Fotos Eduardo Montecino Se não fossem a poeira e a falta de alguns móveis, daria para dizer que alguém vive até hoje na casa Klug/Fischer. Ao abrir as portas do antigo casarão, é possível perceber que há vida dentro do imóvel. As fotos antigas penduradas nas paredes, os móveis do quarto e da cozinha ainda com roupas e utensílios dentro, e as diversas lembranças ali guardadas ajudam a contar a história da família que há mais de cem anos chegou na localidade de Garibaldi. Apesar de não abrigar morador há mais 20 anos, o imóvel guarda todos os detalhes de quando era habitado. E basta colocar os pés lá dentro para que os irmãos Ronaldo e Charlei Fischer recordem das lembranças da infância e das histórias contadas por outras gerações que viveram ali. “Isso aqui é a raiz de tudo, de toda a história da nossa família”, fala Ronaldo.
Ronaldo e Nilde preservam roupas e objetos pessoais dos últimos moradores da casa
Ronaldo Fischer e Nilde preservam roupas e objetos pessoais dos últimos moradores da casa
O imóvel foi construído pelo bisavó dos dois, José Klug, aproximadamente no ano de 1908. A data não é exata, pois não se tem registro da obra, apenas da compra do terreno neste ano. E foi aí que iniciou a história da família Klug no município, que hoje se tornou Fischer depois do casamento de Vera, mãe dos dois e neta de José, com Werner Fischer. “Meus bisavós moraram aqui, depois meus avós e meus pais por algum tempo. Quando eu casei pela primeira vez, vim morar aqui com o opa e a oma Klug”, lembra Ronaldo. Os avós a quem ele se refere são Alfredo e Tereza Klug, os últimos moradores da casa. “Quando eles faleceram, só fechamos a casa. Acabou ficando tudo do jeito como quando eles viviam aqui”, completa. Por isso, ainda é possível encontrar as roupas, armários, camas e utensílios da cozinha, todos por lá. A casa é formada por três quartos - um no piso inferior e dois no sótão -, uma sala, uma grande cozinha e um banheiro. Esse último, os irmãos não sabem precisar, mas acreditam que foi construído pelo avô. Charlei, o mais novo dos quatro filhos de Vera, viveu no imóvel só até os dois anos, mas sempre frequentou a casa. Hoje ele e a mãe são os responsáveis por ela. “A casa nunca passou por um restauro ou reforma. A gente apenas vai conservando da maneira que dá”, comenta. O imóvel segue da mesma forma como foi construído e o sonho da família é vê-lo restaurado. “É um orgulho ter essa casa, porque é a história de toda a família. De vez em quando venho aqui, ando pelos cômodos, para matar a saudade”, conta Vera. Segundo o historiador Ademir Pfiffer, a casa é um símbolo da imigração Pomerana na cidade. “É uma construção que preserva as referências da presença dos pomeranos na região. Deve ter sido construída no início do século passado e por isso tem uma importância para a história da cidade”, comenta. Pfiffer elogia ainda o pedido da família pelo tombamento voluntário. “É interessante ver que as pessoas que representam famílias remanescentes de Jaraguá do Sul estão interessadas em proteger e salvaguardar a história e nossos patrimônios culturais”, diz.
Nas paredes, as pinturas de época e as fotos de família garantem seu espaço na memória da 5ª geração a frequentar o ambiente
Nas paredes, as pinturas de época e as fotos de família garantem seu espaço na memória da 5ª geração a frequentar o ambiente
Bisavô abriu a primeira ferraria da cidade Vindo de Blumenau, José Klug - que construiu a casa - foi dono da primeira ferraria de Jaraguá do Sul. O grande rancho de madeira onde funcionava o negócio da família ainda está de pé, ao lado da casa, e guarda muitas coisas utilizadas por ele. No interior da casa é possível folhear antigos cadernos com anotações dos serviços prestados ainda naquela época. Depois de José, foi Alfredo Klug quem deu sequência ao trabalho. Quando Vera, filha de Alfredo, se casou, a área de trabalho mudou. A ferraria ficou de lado e a família passou a se dedicar à agricultura. Apesar disso, como brinca Vera Klug Fischer, “o sangue de ferreiro está nas veias”. Os filhos Ronaldo e Charlei mantêm em um novo galpão muitas das ferramentas e equipamentos feitos e utilizados pelo bisavó na ferraria. “Hoje, a gente usa para fazer reparos nos instrumentos que usamos na agricultura. Isso diminui os gastos com oficina”, comenta Ronaldo. Além deles, as pequenas Heloísa e Mirian, filhas de Ronaldo, alimentam uma paixão pelo ofício do tataravó. “É só eu falar que vou na antiga ferraria ou na casa velha que elas correm para ir junto", conta Ronaldo. As meninas são a quinta geração da família a frequentar a casa e a antiga ferraria. Veja mais fotos das relíquias que a Casa Klug guarda: IMG_6349-2 IMG_6278-2IMG_6405-2 IMG_6404-2 IMG_6396-2 IMG_6389-2 IMG_6385-2 IMG_6379-2