A escuta como acolhimento humano. Um ato tão simples, mas que faz toda a diferença na vida de cada um.

Desde 2005, o Centro de Valorização da Vida (CVV) de Jaraguá do Sul atende a todos aqueles que precisam de apoio emocional e neste sábado, dia 25 de janeiro, a associação completa 15 anos de história no município.

" O CVV oferece apoio emocional, através de uma conversa acolhedora, onde a pessoa pode desabafar sobre seus sentimentos, consequentemente prevenindo o suicídio", conta a voluntária Clara*.

Somente em 2019, mais de 15 mil atendimentos foram realizados, segundo informações do presidente do Grupo de Apoio à Vida (Gavi) - mantenedora do CVV -, e porta-voz da entidade Carlos Alexandre Costa.

Crises de diversos tipos, como pessoais, financeiras, conjugais, estão entre as principais motivações que levam as pessoas a procurar a ajuda do CVV.

Costa também cita aquelas que sofrem com algum transtorno mental, como a depressão. Essas são as que mais precisam de ajuda, por estarem em uma área de risco grande em relação ao suicídio.

Falar parece tão simples, mas é fundamental e contribui muito no processo de melhora. O CVV acredita que todas as respostas que a pessoa precisa estão dentro dela.

Desde que ela decide buscar ajuda, conversar com alguém abertamente, sem críticas, julgamentos ou aconselhamentos, aos poucos o indivíduo vai organizando as ideias, vai se escutando, o que traz um alívio e também pode proporcionar respostas.

Como tudo começou

O serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio realizado pelo CVV foi trazido a Jaraguá do Sul por um grupo de pessoas da comunidade que se sensibilizou com os índices de morte e tentativas de suicídio existentes na região.

Ao participar de um evento em São Paulo, uma dessas pessoas conheceu a instituição e recebeu panfletos de divulgação.

Foi numa conversa com os voluntários paulistanos que ficou sabendo que existia um posto do CVV em Blumenau e que lá conseguiria apoio e mais informações sobre como iniciar as ações em Jaraguá do Sul.

De volta ao município, um grupo foi até Blumenau e então um comitê foi formado, para arranjar toda a estrutura necessária e encontrar voluntários interessados em se dedicar à causa. Foi assim que surgiu o CVV de Jaraguá do Sul.

O grupo inicial foi muito perseverante e comprometido, conta a voluntária Clara.

No começo, o comitê era formado por sete pessoas. Elas se articularam para conseguir uma sala adequada tanto para os atendimentos ao telefone e também para os presenciais, além de demais equipamentos e materiais necessários.

Com o apoio dos colegas de Blumenau, o grupo também fez ações de divulgação e organizaram cursos de formação para os voluntários interessados.

Esse trabalho começou em setembro de 2004. Em janeiro de 2005, com 16 plantonistas, o posto, situado numa pequena sala no piso superior da Rodoviária, iniciava suas atividades já com um atendimento durante a cerimônia de inauguração.

Na época, a voluntária relata que o telefone ainda era local, um número fixo que atendia principalmente à comunidade de Jaraguá e região.

Com o passar o tempo, o grupo foi aumentando, a quantidade de plantões se expandiu, sempre com o objetivo de estar disponível 24h.

CVV também faz atendimentos pessoalmente, no posto da entidade, na Rodoviária de Jaraguá do Sul | Foto Verônica Lemus/OCP News

Em 2015, o CVV firmou um termo com o Ministério da Saúde em nível nacional e a instituição então passou a atender todo o país de forma integrada, através do número 188.

Para Clara, é a motivação própria de cada voluntário que o leva a fazer parte do CVV.

"Uma motivação sempre voltada no espírito samaritano, sem esperar nada em troca. É saber que podemos ser a única pessoa que está disposta a ouvir a outra pessoa sem julgar ou falar que já passou por algo semelhante e conseguiu superar", compartilha Clara.

O CVV está aberto a todas as pessoas que querem ou precisam conversar. A conversa pode ser feita pelo melhor canal para ela, seja por telefone, pessoalmente e também por chat na internet.

O trabalho do CVV confirma a importância das relações humanas, da troca de sentimentos, pensamentos, vulnerabilidades, da abertura a si próprio e aos outros, o que nada mais é do que ser humano.

CVV de Jaraguá atende todo o país

Hoje, a média de atendimentos mensais realizados pelo posto do CVV de Jaraguá do Sul é de 1,3 mil. O número de voluntários também cresceu e conta com 23 pessoas.

Em todo mês de maio é realizada a Macarronada em prol do CVV, com o apoio do GAVI, mantenedora da associação, com a intenção de divulgar o trabalho e arrecadar fundos para mantê-lo na cidade.

Já no mês de setembro, a associação trabalha fortemente com a campanha de conscientização da prevenção ao suicídio Setembro Amarelo, em que são feitas diversas palestras, panfletagem e enfeites em pontos da cidade.

Entre os planos do CVV estão principalmente a retenção e ampliação do número de voluntários.

Também há a meta de implantar o CVV comunidade, principalmente o GASS, que é o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio, além de trabalhar na manutenção financeira da entidade.

Como ser voluntário

No dia 7 de março o CVV começa um novo curso para formação de voluntários, no horário das 13h às 19h, nos primeiros encontros. O local ainda está sendo definido, de acordo com a quantidade de interessados na formação.

O voluntário Anderson Luis Martin conta que há cinco anos sentiu vontade de ajudar as pessoas, através do CVV.

Ele conta que hoje consegue conciliar o trabalho voluntário com o particular e também a família. "É claro que você abre mão de algumas coisas, mas é uma questão de prioridades. A gente vem aqui ajudar, sem esperar nada em troca, mas acaba recebendo muito mais", conta ele.

Para se inscrever no curso e receber mais informações, os canais são:

  • E-mail: jaraguadosul@cvv.org.br
  • WhatsApp: 99785249
  • Formulário online: tiny.cc/seja-voluntario

Como encontrar um voluntário para conversar

  • Disque 188, de graça, de qualquer telefone - fixo, celular ou orelhão - disponível 24 horas por dia
  • Entre no chat pelo endereço www.cvv.org.br/chat
  • Procure atendimento pessoalmente, das 19h às 22h diariamente, o ano todo, no segundo piso da Rodoviária, rua Antônio da Cunha, 160, Vila Lalau

 

*O nome é fictício para respeitar o anonimato dos voluntários.

 

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