Em meio ao caos do shopping, uma fila se forma e aguarda atenta para um bate-papo com o bom velhinho. Enquanto de um lado crianças especulam sobre a vida do Noel, do outro, sentado em um trono majestoso e cercado por enfeites, está Begliomini Fontanetti. Atencioso, ele recebe cartinhas, abraços e beijos, além dos pedidos. Dos 62 anos de vida, dez foram dedicados à função de Papai Noel. “Falaram que eu tinha o perfil e me convidaram para fazer, eu não tinha nem ideia. Como gosto muito de crianças e de toda a sensibilidade dessa época do ano, aceitei”, conta. Desde então, já atuou em Curitiba, onde mora, em Itajaí, e há quatro anos reserva dezembro para trabalhar em Jaraguá do Sul. Para Fontanetti, interpretar o personagem é uma forma de se doar ao próximo e colaborar com a sociedade. “É a maneira de sentir a transferência de energia das crianças para a gente e ao mesmo tempo tentar fazer parte disso, do Natal dela. Também é tentar melhorar uma sociedade que está em transformação e que precisa tanto de atenção”, afirma.
Para Fontanetti, interpretar o personagem é uma forma de se doar ao próximo | Foto Eduardo Montecino/OCP
Conforme o Noel, pedidos dos mais distintos são feitos pelos pequenos e até pelos adultos, mas os que mais magoam são aqueles distantes de alcançar. “Aqui em Jaraguá do Sul mesmo já recebi o pedido para visitar uma pessoa que estava doente, acamada, mas que queria ver o Papai Noel. A gente embarca nisso e percebe que essa atitude de ouvir o pedido e até conseguir realizar, faz a diferença na vida das pessoas”, acredita. Para ele, que ainda não sabe por quantos anos seguirá na profissão, o gratificante é ver a alegria nos olhos de quem conversa com o Noel. Leia também: Motorista de ônibus decide levar espírito natalino aos passageiros de Guaramirim e Jaraguá do Sul