Por Ana Paula Gonçalves | Foto: Eduardo Montecino Após período de dificuldade econômica no país, o mercado começa a mostrar sinais de recuperação e no setor imobiliário não é diferente. Apesar da grande quantidade de salas comerciais fechadas, especialmente no centro da cidade, o panorama não é negativo, afirma a corretora de imóveis Juliana Majcher Santos. Por ser um mercado muito dinâmico e diretamente relacionado à necessidade das pessoas, Juliana, que também é diretora comercial da Splendore Imóveis, afirma que o setor está sempre em movimento. “As situações do cotidiano movimentam o mercado imobiliário. Casou, a família aumentou ou diminuiu, vai montar um empreendimento, são muitas as situações que pedem uma transação imobiliária”, explica, acrescentando que os trabalhos com venda e locação continuam de forma intensa. “A diferença é que agora nós vemos um mercado muito mais qualificado. Até mesmo as procuras têm sido mais consistentes. Isso ocorre até por conta das linhas de crédito que eram oferecidas, que passaram por mudanças no fim de 2015 e em 2016. Havia um cenário mostrando tudo muito fácil para a aquisição do imóvel, enquanto sabemos que existem critérios a serem cumpridos”, ressalta. Juliana diz que, com isso, as pessoas deixaram de buscar imóveis de forma meramente especulativa. “Olhando de fora para esse cenário, realmente parece que não há tanta movimentação, mas as vendas qualificadas continuam acontecendo”, garante. A corretora salienta que, no ano passado e neste ano, aconteceram lançamentos imobiliários de empreendimentos de porte menor que foram muito bem pensados pelas construtoras. “Nestes casos, eles pesquisaram e trocaram ideias conosco sobre o que o mercado está pedindo. Quando o empreendimento atende às necessidades de quem quer investir num imóvel, ele vende”, destaca. As dificuldades, de acordo com Juliana, giram em torno dos imóveis sem manutenção ou que estão fora do valor de venda. “Os que possuem questões incoerentes, seja no valor, no acabamento, no padrão, problemas com condomínio, estruturais e até mesmo vínculo emocional, são mais difíceis de negociar”, enfatiza. A diretora comercial ressalta que deixar o imóvel coerente com o valor de aluguel ou compra é essencial para atender o mercado imobiliário. Crise trouxe flexibilidade para as negociações No caso das salas comerciais, a corretora de imóveis pondera que as questões estão mais ligadas ao tipo de negócio que a pessoa vai instalar e às exigências impostas pelo proprietário. “Não há dúvidas que as pessoas estão com mais receio de abrir empresas. Muitas fecharam, algumas abriram. Mas, é sempre bom frisar: aquele locador que está flexibilizando está tendo mais sucesso nas negociações”, avalia. Juliana afirma que a crise econômica não influenciou diretamente na desvalorização, mas muitos imóveis superestimados acabaram tendo que se adequar a realidade. “Portanto, a crise acabou normalizando absurdos que estavam sendo praticados no mercado. As dificuldades vieram só para agregar e contribuir, pois filtraram muita coisa”, argumenta. Da mesma forma, pessoas que procuram vender casas e apartamentos ficaram mais abertas a negociar. “O momento é ideal, também, para quem quer comprar um imóvel, já que é possível conquistar vantagens que há três anos não se conseguia. O comprador tem, hoje, um poder maior de negociação”, diz. Verticalização da área central e crescimento residencial nos bairros A corretora avalia que os bairros mais próximos ao Centro, como Baependi, Vila Nova, Czerniewcz, Nova Brasília, são regiões muito valorizadas em Jaraguá do Sul por conta das construções edificadas e da infraestrutura. As áreas são mais visadas para construção de prédios, seguindo a tendência de verticalização da área central, apontada pelo Instituto Jourdan no novo macrozoneamento da cidade. Juliana observa que é importante analisar, no momento de planejar um empreendimento, se está de acordo com o bairro em que será inserido. “Se atende às necessidades do bairro e das pessoas que vivem ou irão viver lá. As construtoras devem observar essas questões, porque um produto bom no lugar errado não consegue a valorização que precisa”, aponta. Para a construção de residências, bairros Amizade, Jaraguá Esquerdo, Barra do Rio Cerro, Ilha da Figueira são os mais visados. No entanto, a especialista diz que a cidade está crescendo e há interesse em todas as regiões. Bairros como o Três Rio do Sul, Três Rios do Norte e João Pessoa estão se desenvolvendo rapidamente, segundo ela. “O jaraguaense está conseguindo vencer as distâncias”, pontua. As mudanças também incluem o comportamento. Há alguns anos, de acordo com a corretora, as pessoas moravam de aluguel porque não tinham poder aquisitivo para adquirir um imóvel. “Hoje, muitas moram de aluguel por escolha. Sabemos disso porque trabalhamos com a documentação do inquilino. E essa pessoa que tem condições de comprar o imóvel, não se contenta com qualquer apartamento ou qualquer condomínio e vai pagar um pouco mais no aluguel para ter uma qualidade de vida”, conclui.