Alguns acontecimentos dão a entender que não existe um só Brasil, são duas realidades completamente diferentes, de um lado a crise e, de outro, a do desperdício e privilégios. Com o país em dificuldade, desemprego em alta, são mais de 14 milhões de desempregados, 70 mil servidores públicos federais, de oito categorias, vão receber reajustes que custarão R$ 64 bilhões aos cofres públicos de 2016 a 2019. Somente este ano, o impacto com esses aumentos concedidos pelo presidente Michel Temer (PMDB) é de R$ 23,2 bilhões. Utilizados como moeda de barganha, um terço desses aumentos foram aprovados no começo de junho, com o governo em meio à sua pior crise política, buscando apoio entre os servidores. Antes disso, ao assumir o governo em maio de 2016, uma das primeiras medidas do presidente Temer foi distribuir reajustes a analistas, gestores e especialistas do Poder Executivo; servidores da Previdência, Saúde e Trabalho; das agências reguladoras; das carreiras jurídicas; do Banco Central, além de outra dezena de carreiras. O impacto para os cofres públicos representou R$ 53 bilhões, até 2018, beneficiando 1,1 milhão de servidores civis. Enquanto os servidores públicos federais estão recebendo reajustes e benefícios durante a crise econômica e política, no setor privado a situação é bem diferente e até mesmo no setor público dos municípios, como é o caso de Jaraguá do Sul, onde a categoria não recebeu nem a reposição da inflação. Dos 15 setores mais representativos da economia, 13 estão com remunerações estáveis ou em queda entre os anos de 2015 a 2016. O objetivo de um presidente não pode ser ficar no poder a qualquer custo e sim liderar medidas que auxiliem na construção de um país com mais e melhores oportunidades para todos.