A experiência de espectador somada às atribuições de presidente do Instituto Femusc. É assim que Hilton Faria, que assumiu o cargo em outubro passado, resume a experiência à frente do instituto após a primeira semana de Festival de Música de Santa Catarina (Femusc). Consumidor ávido das apresentações do festival e apreciador de música clássica, ele alia as percepções de quem acompanha pela plateia e as necessidades organizacionais do evento. Após os primeiros nove dias de festival, Faria faz um balanço da experiência de presidir o Instituto Femusc, planos para a próxima edição do Festival e comenta como lidar com possíveis restrições orçamentárias, assim como houve neste ano. Em 2015, o orçamento do festival girou em torno de R$ 2,8 milhão. Para esta edição, o valor diminuiu para R$ 2,2 milhão culminando na redução de 200 vagas e outros cortes. OCP - Como está sendo a experiência à frente do Instituto Femusc? Hilton Faria - O Hilton como espectador mudou muito mais do que o presidente, está vibrando cada vez mais com o nível dos espetáculos, qualidade das apresentações e inserido mais no contexto, aí sim como presidente. Os olhos não são diferentes, são iguais mesmo porque, quando se é espectador ou quando se está à frente enquanto presidente, você percebe só o trabalho final, aquilo que está pronto. Quando se é participante da diretoria e espectador você sabe que esse trabalho vem de muito tempo. Na verdade, começa quando acaba o anterior. Essa preparação feita com bastante antecedência por toda a diretoria, equipe técnica e executiva dá o resultado que nós vemos como espectadores. Há alguma coisa acertada para o Femusc 2017? A diretoria não se reuniu ainda durante o Femusc, vai reunir-se. Já tem ideias sim, todos que são membros da diretoria e estão participando já sabem alguns pontos que possam ser diferentes, sejam de melhorias ou novidades. Tem algumas propostas que serão debatidas em reuniões subsequentes à 11ª edição do Femusc. Certamente tem algumas ideias, falamos e começamos a ensaiar - mas ainda não foi discutido com a diretoria, quem sabe em fazer um Femusckão. Já que temos o Femusckinho e o Femusc Jovem, por que não ter um Femusckão para pessoas acima de 60 anos? Mas isso ainda é algo para ser discutido, não é nada de concreto. São ideias que vão surgindo. Alguns refinos naquelas apresentações, não na parte artística porque essa está muito bem feita, mas na parte de logística. Toda a equipe está preparada para ir registrando as possíveis melhorias, já existe essa prontidão de todos que participam da realização do Femusc. Todos têm a missão de fazer observações em pontos onde é possível melhorar e novidades também, isso está no DNA de quem organiza. O orçamento desta edição do Femusc diminuiu cerca de R$ 600 mil. Como lidar com essa situação? Não podemos nem dizer que foi um corte, mas sim uma otimização. Estamos fazendo bem e melhor com menos. Então esse é o principal ponto: fazer mais com menos. Teremos que usar a criatividade para continuar mantendo o nível, e talvez até melhorar, porque pode ser que tenhamos também alguma redução necessária para o próximo ano e precisaremos otimizar esses recursos. Em meio a esses cortes, alguns professores aceitaram vir para a cidade apesar do menor valor oferecido. O que isso significa? Tem muito a ver com a coletividade, com a comunidade de Jaraguá do Sul. É uma cidade como tantas outras, mas tem um diferencial, um acolhimento muito diferente. Acho que isso faz com que os professores também tenham vontade de voltar aqui. Eles [professores] têm um propósito de vida que é repassar aquele conhecimento que um dia receberam, pois tiveram oportunidade através de outros mestres. É como uma retribuição. Esses professores são os nossos embaixadores. Vendem a imagem de Jaraguá do Sul para o mundo inteiro. A cidade tem esse privilégio por ter um número significativo de mestres que falam em suas cidades do Femusc, de Jaraguá. Eles tem desprendimento para dizer “eu vou mesmo que não seja para ganhar muito”. Ninguém tem culpa do cenário econômico do país, aqui em Jaraguá ninguém tem possibilidade de mudar essa realidade, é uma conjuntura. Vai muito além do que ganhar algum dinheiro ou perder algum dinheiro por conta da conjuntura econômica e que não temos como dominar isso. Se nós não conseguimos retribuir, um dia espiritualmente eles serão retribuídos de alguma forma, todos que estão trabalhando dessa forma - sejam os professores ou voluntários. Nós só temos a ganhar se preservamos isso, a comunidade inteira cresce com isso. PROGRAMAÇÃO Terça-feira (26) • 9h - Série Femusc nos hospitais - Local: Hospital Unimed • 12h - Série Femusc no Shopping - Local: Jaraguá do Sul Park Shopping • 15h - Série Femusc nos hospitais - Local: Hospital Unimed • 18h - Série Piano Masters - Local: Sala 201 da Scar • 18h - Série Recitais de Canto Lírico - Local: Sala de Exposições da Scar • 19h - Série Momento Springmann Local: Pequeno Teatro da Scar • 19h - Série Violão Plus - Local: Piano Bar da Scar • 20h - Série Musicalmente Falando Local: Grande Teatro da Scar • 20h30 - Série Grandes Concertos - Concerto de música de câmara com professores e participantes do programa Promusc - Local: Grande Teatro da Scar Obras: Applebaum, Mark - Aphasia Britten, Benjamin - Simple symphony Brouwer, Leo - Arranjos dos Beatles para violão e Quarteto de Cordas Ginastera, Alberto - Sonatina para harpa (1938) Brahms, Johannes - Quarteto para piano e cordas em sol menor, op. 25 • 20h30 - Série Recitais de Câmara Local: Pequeno Teatro da Scar Quarta-feira (27) • 12h - Série Femusc no Shopping - Local: Jaraguá do Sul Park Shopping • 18h - Série Piano Masters - Local: Sala 201 da Scar • 18h - Série Recitais de Canto Lírico - Local: Sala de Exposições da Scar • 19h - Série Momento Springmann - Local: Pequeno Teatro da Scar • 19h - Série Violão Plus - Local: Piano Bar da Scar • 20h - Série Musicalmente Falando - Local: Grande Teatro da Scar • 20h30 - Série Grandes Concertos - Concerto de música de câmara com professores e participantes do programa Promusc - Local: Grande Teatro da Scar Obras: Holborne, Anthony - Danças Dvorak, Antonin - Quinteto de cordas em sol maior. Beethoven, Ludwig van - Fantasia coral • 20h30 - Série Recitais de Câmara - Local: Pequeno Teatro da Scar *A programação completa e a série Grandes Concertos ao vivo pode ser conferida no site www.femusc.com.br. Os ingressos são gratuitos e começam a ser distribuídos com dois dias de antecedência dos espetáculos.