Por Dyovana Koiwaski | Foto Eduardo Montecino O colorido das flores e a grama baixa no jardim do aposentado Waldir Quost, 57 anos, foram além dos portões que cercam sua residência e deram vida às margens da ferrovia que passa pela rua Augusto Borchardt, no bairro Bomplandt, em Corupá. O morador decidiu dar início aos trabalhos dois anos atrás, incomodado pelo mato alto na frente de casa. A inspiração, como relembra, foi um jardim ao redor dos trilhos de trem da empresa onde trabalhava em Jaraguá do Sul. O primeiro passo foi limpar a área de mais de 60 metros de comprimento para plantar a grama e retirar as pedras. flores à margem dos trilhos - em (2)

Incomodado com o mato nas proximidades do trilho, seu Waldir decidiu colocar a mão na terra (Foto Eduardo Montecino)

A mulher, Edla, 61 anos, sempre teve como passatempo cuidar das plantas e foi a responsável por preparar as mudas de flores e árvores que foram cultivadas no local. Hoje, ao se aproximar da casa, já é possível avistar as orquídeas, eugenias, podocarpos e palmeiras que formam um belo contraste com o tom metálico dos trilhos.

“Faz parte da nossa rotina olhar e cuidar da área para que ela se mantenha assim. Quem passa por aqui elogia e se sente motivado para fazer o mesmo em seus terrenos”, comenta Quost. No fim do ano passado, um ponto de ônibus foi instalado pela Prefeitura de Corupá no jardim. Com isso, além de plantar mudas de árvores que possam fazer sombra para quem espera pelo transporte, o aposentado construiu mais dois bancos ao lado do ponto e uma lixeira. “Cerca de 20 crianças esperam pelo ônibus escolar aqui todos os dias e nos preocupamos em oferecer mais conforto para elas, com espaço para sentar e um pouco de sombra”, observa Quost. Familiaridade com o trem O casal planeja continuar com o cultivo e expandir ainda mais a variedade de espécies no jardim. O trabalho extra para manter as plantas verdes e floridas já é parte da rotina do casal. No verão, conforme Edla, a poda precisa ser feita semanalmente. “Estamos sempre arrumando, mesmo que seja só um galho caído para retirar”, conta ela. Personagem fundamental para a existência do jardim dos corupaenses, o trem já não é mais um incômodo para o casal, que mora há 37 anos no mesmo lugar. Diariamente, de três a cinco trens passam pela residência dos Quost. “Quando nos mudamos,estranhávamos o barulho, mas com o tempo fomos acostumando e nem percebemos mais”, revela Edla. Os próprios funcionários que fazem a manutenção da ferrovia, segundo Quost, têm um cuidado especial ao passar pelo trecho. “Quando estão passando veneno nas plantações que ficam às margens do trilho e chegam aqui, eles reduzem a faixa para não atingir as flores”, destaca.