De um dia para outro, a vida de Isabelle Pedrotti Hubner, 12 anos, mudou completamente. Era hora de encarar uma doença que amedronta qualquer adulto: o câncer. Foram cirurgias, exames e mais de 10 meses de quimioterapia, encerrados na última semana.

A mãe, Vanessa Pedrotti Shawarski, 38 anos, conta que Belle, como é chamada carinhosamente, encarou todo o tratamento do sarcoma de “forma incrível e corajosa”.

“Quem visse a Belle tirando os cabelos que caíram, jamais diria que ela tava passando por tudo isso!”, comenta a mãe. “Sempre sorridente, um pouco manhosa, que criança não seria, mas sempre de bem com a vida, curtindo as bandas que ela adora, sempre desenhando…”.

Belle, sempre sorridente, ao longo do tratamento. Fotos: Arquivo Pessoal

Foi um longo período de muito aprendizado, comenta Vanessa, especialmente em encontrar forças para seguir confiante e, apesar da gravidade, lembrando que existe um tratamento para a doença.

O diagnóstico

Vanessa conta que o câncer foi descoberto por acaso. Belle, sem querer, levou um empurrão na escola ao tentar separar um desentendimento de dois alunos pequenos.

No dia seguinte o pai, Luís Ricardo, ao dar um abraço de bom dia na filha sentiu um pequeno caroço nas costas dela, próximo da caixa torácica. A menina foi levada ao médico para fazer exames e ver que se tratava.

“A primeira vista parecia apenas um hematoma, mas 26 dias depois refizemos os exames e o hematoma não tinha desaparecido, e o tamanho dele já estava maior”, comenta.

A família buscou um oncologista que marcou uma cirurgia para retirar o caroço. Durante o procedimento ele percebeu que se tratava de algo diferente.

“Quando o médico saiu da sala de cirurgia, já nos falou que havia retirado todo o tumor com margem de segurança, mas que se tratava de um câncer raro e agressivo devido à particularidade da cor das células do tumor serem diferentes”, relembra.

Passaram vários dias até a confirmação de que se tratava de um câncer maligno e outra espera até a definição de que se tratava de um Sarcoma.

Força para encarar o tratamento

Vanessa confessa que receber o diagnóstico foi como sentir um buraco abrindo sob os pés no instante que a palavra “maligno” foi dita.

“Corremos contra o tempo para fazer tudo o mais rápido possível. Tinha dias que nem dava tempo para parar e pensar muito, pois a nossa sede de cura era maior que os nossos medos”, conta.

Houve dias de choro, de questionamento: “por que com a Isabelle?”. Mas a mãe conta que os pensamentos negativos se transformam.

“A gente arruma força que nem sabia que existia e vive cada segundo de maneira única! Nunca, em momento algum de nossas vidas imaginávamos que viveríamos isso... A gente nunca espera que possa acontecer conosco. Mas aconteceu!”, pontua.

A grande família: Luís (D), Fernanda, Helena, Belle, Marlon com a Maitê no colo e Vanessa celebrando a última quimio

Da mesma forma, foi com Isabelle. A mãe conta que ela se assustou após receber o diagnóstico, mas secou as lágrimas e encarou todo o tratamento.

Inclusive uma cirurgia de emergência próxima do aniversário, em abril, que a fez passar data internada.

Toda a vida se transformou. A menina precisou deixar a rotina na escola e viver um isolamento social muito antes da pandemia, por conta da queda de imunidade durante a quimioterapia.

Conscientização

Vanessa conta que ao descobrir que Isabelle estava com sarcoma, um tipo de câncer nos ossos que normalmente atinge crianças e adolescentes, surgiu a vontade de alertar os pais sobre a doença.

Ela ressalta a importância de estar sempre percebendo alterações no corpo das crianças e ouvir as queixas e dores que elas manifestam.

“O diagnóstico precoce é a melhor forma de salvar vidas! Se não tivéssemos prestado atenção no caroço que tinha na Belle, o câncer dela poderia chegar em fase de metástase em pouquíssimo tempo. Muitas crianças não têm tempo de lutar pela vida, pois já descobrem tarde demais”, comenta Vanessa.

Confiança

Chegar ao fim da quimioterapia sem necessidade de radioterapia é uma celebração para a Belle e toda a grande família, formada por Vanessa, o marido Marlon e a irmã Maitê, e pelo pai Luís, a esposa Fernanda e a irmã Helena.

A comemoração da família de Belle rendeu até camiseta padronizada

Por mais difícil que seja lidar com a doença, Vanessa reforça a importância de lutar e acreditar na cura levando um dia de cada vez. Para ela, é preciso fazer com que esse momento de dor possa se transformar em aprendizado e superação para crianças.

“Será isso que eles vão levar de lembrança para vida deles”, afirma.

 

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