"Gente como a gente”, que adora uma boa gargalhada e segue em uma busca eterna da felicidade. Afinal de contas, segundo ela, essa busca é o caminho da vida. Mulher, mãe, atriz, produtora, apresentadora, são muitas as facetas de Beatriz Gentil Pinheiro Guimarães, a Cissa Guimarães. Figura conhecida na telinha há mais de 30 anos, ela chega na cidade na próxima sexta-feira (29), com o espetáculo “Doidas e Santas”, na Scar. Livremente inspirado no livro de mesmo nome de Martha Medeiros, a peça fala sobre uma mulher madura, decidida, bem realizada profissionalmente mas que vive uma crise no casamento e se questiona quando deu uma última gargalhada. Em entrevista ao jornal O Correio do Povo, a atriz, que completou 59 anos na última semana, fala sobre o que motivou a criação da peça - seu primeiro trabalho como produtora no teatro. Cissa fala também sobre a mulher moderna, suas conquistas, reforçando que a mulher é tudo aquilo que ela quiser ser e que tudo será melhor quando ela não precisar exigir respeito. SERVIÇO O quê: Espetáculo Doidas e Santas. Quando: dia 29, às 20h30. Onde: Grande Teatro da Scar. Quanto: os valores variam de R$ 50 a R$ 120 Doidas_e_santas_1ENTREVISTA OCP - Como surgiu a ideia para essa peça e como foi o processo de adaptação? Cissa - O projeto todo começou em 2008, quando li alguns textos da Martha Medeiros e liguei para ela perguntando se ela tinha um texto para fazer um espetáculo. Ela falou que não, mas que estava vindo para o Rio de Janeiro fazer lançamento do livro “Doidas e Santas”. Um livro com esse nome só poderia dar coisa boa, né? Nos conhecemos na noite de lançamento do livro e pronto. Começou todo o projeto. Estava querendo falar dessas novas mulheres de 50 anos que não são como nossas mães e avós. Mulheres que estão no fronte, felizes, com tesão pela vida e também o sexual, né? Que estão cheias de desejos e vontade de realizações. A peça lida com várias questões referentes ao dia-a-dia da mulher. Como considera a importância de se levar esse tema para o palco de forma bem humorada? É uma coisa essencial da Martha (Medeiros), ela que levanta sempre esses temas volta e meia. Ela nos faz refletir isso. Não temos que subjugar e dar nenhum rótulo. Sou doida e sou santa. A peça fala que você pode ser o que quiser. Eu sou mulher e faço o que quiser da vida, então eu acho que a gente quer dizer que não tem rótulos, estigmatização e que o que a sociedade quer nos impor, não existe. O que é muito bonito é que nesse espetáculo os homens se identificam com o personagem Orlando, vivido por Giuseppe Oristânio, veem o machismo e repensam sua conduta. Você se vê na personagem e acredita que ocorra uma identificação das mulheres com a Beatriz? Tem essa coisa de identificação, mas é mais do que isso. A Beatriz mostra que não é quando estamos “resolvidas” - casada, com filhos, formada, como manda a sociedade - que estamos realmente bem. Ela se questiona quando foi sua última gargalhada e segue nessa busca. Estamos sempre em uma busca porque esse é o caminho que é a vida. Então você está sempre buscando resolver suas questões essenciais. Tem gente que acha que se resolveu e isso não é legal. A gente vive nessa busca, na busca da felicidade. “Doidas e Santas” retrata também as conquistas da mulher. Como é ser mulher nos dias atuais e o que ainda falta para mulher moderna? Eu acho que é isso, já conquistamos muita coisa, mas ainda há muito a conquistar. Equiparação salarial, ninguém toca no meu corpo se eu não deixar. Eu acho que estamos indo bem, a mulher está cada vez mais se colocando e se fazendo respeitar, mas eu acho que isso é chato, sabe? É chato ter que fazer se respeitar, preferia ser respeitada normalmente, não queria ter que exigir isso. Na trama, a sua personagem lida com problemas no casamento e um marido machista. Como trata essa questão do machismo, que hoje em dia ganha cada vez mais evidência nas redes sociais? Claro, contribui. Os homens normalmente vão para o teatro porque são levados pelas mulheres e aí já quebramos um paradigma: homem pode e deve ir ao teatro, eles adoram. Estamos todos juntos nessa, nós mulheres adoramos os homens e eles nos adoram. Precisamos andar juntos e quebrar todas as barreiras. Recentemente vimos uma polêmica envolvendo a vice-primeira dama Marcela Temer repercutir as redes sociais devido à matéria da Veja que a estereotipou como “bela, recatada e do lar”. Qual sua opinião sobre isso? É só olhar minhas redes sociais. Lá eu deixei bem claro que somos o que quisermos e podemos fazer aquilo que quisermos. (A atriz publicou em sua conta no Instagram a foto da capa da Revista Sexy, quando posou nua em novembro de 2005. Como legenda, ela usou “Por um Brasil sem preconceitos! #BelaRecatadaEDoLar#SomosLivres#Gratidão”).