Quando ficaram noivos, em dezembro de 2014, os jaraguaenses Vilmar Raitz Júnior, 32 anos, e Karine Mendonza, 27, não costumavam pensar muito sobre os detalhes do grande dia. Mas a decisão de festejar o momento trouxe questões importantes para garantir o sucesso do evento e o equilíbrio financeiro: quanto gastar? Onde encontrar os melhores serviços pelos melhores preços? Como fazer com que um momento importante não se torne um fardo no orçamento? Em tempos de crise, questões como estas se tornam cada vez mais comuns entre os casais que pretendem oficializar a união. Segundo empresários do setor, a instabilidade econômica tem provocado uma mudança de perfil nestes consumidores – hoje, os mini weddings (mini casamentos, em tradução livre) são uma grande tendência, e a negociação de preços se tornou parte decisiva na escolha dos fornecedores. No caso de Vilmar e Karine, a solução encontrada foi investir em planejamento. Desde o momento em que decidiram o perfil da festa, o casal criou um sistema de economia para garantir os recursos necessários. Todo o mês, uma quantia era economizada. A organização foi fundamental, já que, segundo Vilmar, o valor da festa ficou acima do planejado. A situação é bastante comum entre os brasileiros – uma pesquisa feita pela empresa Quem Casa Quer Site, no ano passado, mostra que 50% dos casais gastam mais do que o esperado na festa.
Cerimonialista Djanifer Pachmann afirma que casais buscam boas condições de pagamento e descontos
Cerimonialista Djanifer Pachmann afirma que casais buscam boas condições de pagamento e descontos
De acordo com a cerimonialista Djanifer Pachmann, cada vez mais casais adotam a postura de Vilmar e Karine. Também cresce o número de pessoas que buscam fornecedores com condições de pagamento atrativas e descontos representativos à vista. “As pessoas não vão deixar de fazer a festa, mas elas irão procurar o melhor custo-benefício e um serviço ou produto que se enquadre no orçamento”, explica. Normalmente, a decoração está entre os itens mais caros da festa, variando entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para um casamento de porte normal (150 convidados). Já o buffet é a parte mais em conta e costuma ser uma das estrelas da festa, com preço médio de R$ 40 por pessoa, são R$ 6 mil em uma festa com 150 convidados. Segundo Djanifer, os casamentos com número de convidados entre 80 e 100 pessoas têm aumentado, mas há quem arrisque ir além. “No final do ano vou fazer um casamento para 15 pessoas”, conta a cerimonialista. É uma mudança de padrão, mas não significa que as pessoas estejam gastando menos. Conforme Djanifer, os casamentos costumam variar entre R$ 50 mil e R$ 300 mil na região (salvo raras exceções). Ou seja, é um mercado a pleno vapor. Os dados mais recentes do setor mostram que em 2014 o mercado de casamentos movimentou mais de R$ 2,2 bilhões, o que representa 15% do setor de eventos. No ano passado, a projeção de crescimento era de 6%, índice representativo para um ano em que o PIB caiu 3,8%. “Este ano eu já realizei 23 casamentos. Ano passado foram 45. O que vemos são muitos casais desistindo da festa em 2017 para ver como as coisas vão ficar. Entretanto, só na semana passada fiz cinco orçamentos para 2018, as pessoas estão organizando com mais antecedência”, analisa Djanifer. Inovação com preços para todos os bolsos Para atrair os clientes, a loja Bella Sposa Atelier tem apostado na combinação de variedade de produtos com uma alta gama de preços. A tática tem funcionado e, conforme a gerente da loja, Michele Kammer Lopes, as vendas tem se mantido estáveis. “Com a queda na procura sentida por todos os setores, consideramos um grande avanço conseguir manter os resultados. A expectativa é de que os próximos meses sejam de maior procura”, destaca a gerente. Há 17 anos no mercado, a loja precisa constantemente se reinventar para continuar competitiva no mercado, que cresce rapidamente. “Antigamente, recebíamos novidades mensalmente. Hoje, com novas tendências surgindo o tempo todo, oferecemos novos produtos aos clientes quase que semanalmente. Estar atento e constantemente atualizado é fundamental, especialmente em uma época que os clientes não se importam de ir até Joinville para pesquisar, por exemplo”, ressalta ela.

14315906_893160754149668_1520618281_oLoja aposta na variedade dos preços e em manter trajes de acordo com as tendências

Além da maior disposição para pesquisar preços, o consumidor tem prezado por um atendimento diferenciado e boas condições de pagamento, explica Michele. “As pessoas estão dando mais atenção ao valor do produto, principalmente as noivas”, diz a gerente. Hoje, a loja oferece vestidos que variam entre R$ 700 e R$ 3,5 mil para aluguel. “Temos que mostrar ao nosso público que a cidade possui boas opções e convencê-los que vale a pena fazer negócio aqui. Este é o desafio constante”, complementa. Em busca de uma identidade própria Fato é que os noivos estão mais interessados em dar uma “cara diferente” para a sua festa, tendência para a qual o mercado precisa estar atento. Vilmar e Karine resolveram fazer a festa em uma chácara, para 230 convidados. Como atrativo, Karine conta que investiram em brinquedos para crianças e um jantar feito de finger food (pequenas porções), no lugar do tradicional buffet. Tudo na busca por autenticidade. “Temos muita procura por lugares ao ar livre, mas tem poucas opções por aqui então as pessoas acabam indo pra outras cidades. A decoração está ousada, tenho um casal de noivos que vai transformar o salão em uma floresta com temática de Alice no País das Maravilhas. Temos clientes cada vez mais informados e em busca de algo fora do tradicional”, explica Djanifer.

14315773_893160737483003_1330980713_oVilmar e Karine organizaram bem as finanças para garantir que a festa saísse de acordo com o orçamento

Outra tendência são os próprios noivos e familiares confeccionando parte da festa, como convites e até decoração. “Este ano, 60% dos meus clientes fez o próprio convite”, exemplifica Djanifer. E até dá para entender, afinal alguns convites chegam a custar mais de R$ 10 a unidade. Para quem trabalha no setor, a saída é usar a criatividade: as famosas plaquinhas divertidas e decoração com papel estão em alta. Segundo Djanifer, a meta principal dos fornecedores deve ser inovar. “O cliente está seletivo, procura boas condições, bons preços e ideias diferentes. Ainda temos muito para crescer”, avalia a cerimonialista. Para ela, apesar de assustar, a concorrência ajudar a estimular os fornecedores locais a buscarem novos caminhos, capacitações e ideias. Mercado de oportunidades A jaraguaense Janaina Dalcanale, de 25 anos, começou a produzir doces para incrementar a renda, mas viu a demanda crescer tanto que resolveu se dedicar inteiramente ao ramo. No início, o foco eram os aniversários e eventos empresariais, mas aos poucos Janaina entrou no setor de casamentos e viu ali uma ótima oportunidade de crescimento. Segundo ela, quando diz respeito à alimentação, o público jaraguaense costuma atrelar o preço à qualidade do produto oferecido. Para a empreendedora, o quanto o cliente paga está diretamente ligado à capacidade de fornecedor de oferecer algo diferenciado. “Vejo este mercado com espaço para todos, quem quer diferencial vai conquistar através do que oferece para o cliente, não precisamos ter medo,  concorrência sempre terá. Certa vez eu li ‘As ideias se copiam, mas o talento não, esse é único!’. Então o diferencial será mostrado através dele, ou melhor, experimentado pelo cliente”, acredita Janaina. Em geral, um evento com 150 convidados exige em média, entre 900 e mil doces.