Foto Arquivo/OCP News
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“Após anos de luta a bananicultura brasileira comemora uma grande vitória: está proibida a entrada de banana do Equador no Brasil.” Assim começa a nota divulgada nesta semana pela Conaban (Confederação Nacional dos Bananicultores).

A decisão judicial beneficia a produção nacional, destaca a diretora da Asbanco (Associação dos Bananicultores de Corupá), Eliane Müller, uma vez que a importação da cultura equatoriana poderia prejudicar todo o território nacional.

“O temor era de que essa importação comprometesse toda nossa produção. Verificamos que estavam abrindo a importação de qualquer jeito, sem se importar com a presença do vírus BBrMV [Banana Bract Mosaic Virus] e, se ele chegasse aqui, acabaria infectando as lavouras. O governo brasileiro colocou em risco toda a produção nacional”, enfatiza.

Ela conta que Conaban entrou com uma ação judicial coletiva, englobando associações de todo o país, com o objetivo de mostrar os riscos da abertura de mercado sem as devidas precauções.

“Contratamos uma empresa para fazer o levantamento dos riscos. Fizemos o trabalho que o governo deveria ter feito antes de abrir a importação. E agora, mostramos que ganhamos na raça e no couro. Não foi uma ação política, foi judicial, e provamos que estávamos certos, que há risco para as lavouras”, salienta.

A decisão foi confirmada no dia 26 de fevereiro e derruba a instrução normativa 46 de 6 de dezembro de 2017, que autorizava a importação de banana do Equador para o mercado brasileiro.

Para Eliane, essa decisão só não afetou economicamente ainda mais a produção brasileira porque neste período o dólar esteve em alta.

“Passamos por meses de crise, estávamos ganhando abaixo do preço de custo e se o dólar não estivesse tão alto, talvez essa importação tivesse matado a gente nesse momento”, avalia.

 

Aberturas de mercado

A proibição, ressalta a diretora da Asbanco, pode até mesmo ser revertida, mas ela destaca que o maior ganho dessa decisão é apontar os riscos e chamar a atenção do governo para que novas aberturas de mercado sejam realizadas com mais cautela, levando em consideração as especificidades de cada setor.

“Isso serve para mostrar para aqueles que têm a caneta na mão que é necessário fazer um levantamento da situação antes de tudo. Isso não garante que a exportação não será aberta novamente, mas certamente a partir de agora isso será feito com mais cuidado. Não somos contrários a importação, somos contrários a maneira como isso ocorreu”, finaliza.

A produção de banana no Brasil tem área de cultivo superior a 500 mil hectares e gera, aproximadamente, 1,5 milhão de empregos, destaca a Conaban.

Na região Norte de Santa Catarina, afirma Eliane, são nove associações com cerca de 2 mil produtores organizados divididos entre os municípios de Corupá, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Schroeder, Massaranduba, São João do Itaperiú, Luís Alves e Joinville.

 

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