De sorriso fácil, Hudson Pacheco Delfino, 35 anos, fala com orgulho de seus avanços ao longo dos anos. Ele estava entre os três primeiros alunos da AMA (Associação de Amigos do Autista) de Jaraguá do Sul em 1991, quando tinha apenas dez anos de idade. No primeiro ano de vida, ainda em Joinville, Hudson apresentava sintomas do transtorno de autismo. Chorava muito, não parava no colo e quase não se comunicava com os demais. A família logo percebeu que o comportamento era atípico e recorreu a diferentes médicos, mas não se chegava a nenhum diagnóstico concreto. Com a ajuda de uma amiga psicóloga, conta o pai José Goulart Delfino, o menino começou um tratamento psicológico. “Ainda levou alguns anos para chegarmos à palavra ‘autismo’. Não sabíamos o que era e fomos descobrindo junto com ele”, relata. Hudson frequentou a escola regular até o quinto ano do ensino fundamental, mas não seguiu por falta de legislação que assegurasse a devida assistência. Hoje existem leis de inclusão que garantem o segundo professor nas salas de aula para acompanhar alunos portadores de deficiências. AMA Hudson aluno - em (1) José e mais dois pais de filhos autistas fundaram a AMA há 25 anos com o intuito de oferecer um atendimento específico, que promovesse o desenvolvimento deles com amparo de profissionais das mais diferentes áreas, como psicóloga, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e assistente social. Crescendo junto com a instituição, Hudson aprendeu a ler, escrever, discernir o certo do errado e desenvolveu a habilidade de se socializar. “A AMA é tudo na minha vida e os professores são muito bons. Gosto das atividades de educação física, pinturas e de culinária”, comenta Hudson. Pequenas conquistas na rotina Para a diretora da entidade, Tânia Krause, o aluno conseguiu conquistar autonomia e está pronto para desenvolver outras habilidades. Segundo o pai, Hudson é quem lava as louças da casa e se arrisca na cozinha, preparando arroz, feijão, ovo e frango. “Além de crescer no tamanho, ele e até mesmo nós, da família, evoluímos com o atendimento da AMA, que foi fundamental para a inclusão”, destaca José. Diferente de quando era criança e fugia de casa ao escutar o barulho do trem, voltando para casa acompanhado de bombeiros ou policiais que se tornaram seus amigos, Hudson hoje consegue se virar sozinho. Sai antes das 6h30 de casa e vai de ônibus da localidade de Ana Paula, onde mora, até o Centro. Dali, segue até a sede da instituição, no bairro Vila Lalau. O trajeto é o mesmo na hora de ir embora, e se repete durante a semana. Para a diretora, a participação da família foi de extrema importância para o desenvolvimento de Hudson. Ele mora com a mãe, pai e dois irmãos. “Todos são tratados igualmente e Hudson tem uma rotina de horários a ser seguida. A irmã dele é professora e também cobra bastante”, comenta o pai. Uma das missões da AMA é trabalhar a rotina, com atividades com o objetivo de proporcionar a autonomia dos autistas. Todos os dias, ao chegar no local, os estudantes têm as atividades que serão executadas por cada um organizadas em um quadro de figuras, para melhor assimilação da prática. Dia de Conscientização tem treinão solidário Nesse domingo (2) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e a AMA promove mais uma edição do Treinão Solidário. A iniciativa começa às 8h30, na Praça Ângelo Piazera e tem acesso livre. Os interessados em integrar o movimento podem adquirir camisetas e bonés da campanha, ao preço de R$ 20 e R$ 15, respectivamente, no Espaço Abril Azul instalado no piso L2 do Jaraguá do Sul Park Shopping, ou no próprio evento. O Treinão Solidário inclui uma caminhada de três quilômetros e uma corrida de seis quilômetros de distância. O trajeto também poderá ser feito de bicicleta. A AMA vai oferecer água e frutas para os participantes. Na largada serão soltos balões azuis em diferentes partes da cidade. Na praça, ainda haverá atrações adicionais, como brinquedos para crianças, aula de alongamento e sorteio de brindes. Também no dia 2, às 19h, acontece uma missa de Ação de Graças na Igreja Matriz São Sebastião, no Centro. Após a celebração, a entidade distribuirá folder informativo para a comunidade. Os eventos para conscientização seguem ao longo do mês, intitulado Abril Azul.