No último fim de semana foi confirmada a primeira morte causada pela dengue em Santa Catarina, registrada na cidade de Criciúma. Dentro deste contexto, a equipes da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Jaraguá do Sul apontam para o aumento exponencial de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, em vários pontos da cidade.

De acordo com a supervisora de Controle e Fiscalização de Zoonoses do Município, Aline Cristiane Borba Monteiro, em 2021 houve aumento de 519% no número de focos em comparação a 2020.

“Ano passado, este número foi de 564 focos o que contrasta com os 91 do ano anterior”, observou.

Em janeiro, até o momento, foram detectados 73 novos pontos de proliferação do mosquito. Aline acrescenta que esta discrepância no números de focos de 2020 para 2021 se dá em função de vários fatores.

“Entre eles, estão as mudanças climáticas e a adaptação do mosquito enquanto vetor da doença. Porque antes gente podia acompanhar que no período não epidêmico, que seriam os períodos mais frescos como o inverno, não tinha tanta incidência dos focos do mosquito. Agora, como as estações não estão tão definidas este inseto acabou se adaptando aos dias mais frescos”.

Aline Monteiro observa ainda que em 2021 houve poucos dias frios e mesmo durante o inverno houve períodos com alta temperatura o que favoreceu a proliferação do inseto.

“Isto em conjunto com a falta de cuidado de algumas pessoas referente aos recipientes com água, e limpeza do ambiente onde vivem”, emendou a supervisora.

Estratégia

Segundo o Município, a resistência dos munícipes em atender os agentes, como consequência muitos imóveis fechados, é outro fator que dificulta o trabalho dos fiscais. Para isso, o setor já desenvolveu algumas ações, entre elas a elaboração de um formulário no qual solicita ao munícipe agende um horário para a visita.

“Infelizmente, falta ainda a a conscientização de parte da nossa comunidade em atender aquilo que é pedido pelo agente de endemias no que se refere a eliminar possíveis criadouros”, apontou a supervisora de fiscalização.

Isolamento

Segundo Aline, outro fator que pode ter contribuído para o menor número de focos em 2020 em relação ao ano passado foi justamente o isolamento ocorrido no começo da pandemia do Covid-19.

“As pessoas estavam mais em casa, estavam cuidando mais deste ambiente, principalmente a questão dos recipientes com água. A gente também conseguiu fazer mais visitas para prevenir e orientar as pessoas naquela ocasião.”

Contraponto

Apesar do número expressivo de focos, a Secretaria de Saúde registrou redução de casos confirmados de dengue e suspeitos em Jaraguá do Sul. Ano passado foram 68 casos suspeitos, 19% a menos que em 2020.

Já os confirmados, 12 casos, tiveram uma redução de 52%. Destes cinco deles autóctones, ou seja contaminados dentro do próprio Município. Este ano, até o momento, foram contabilizados cinco casos suspeitos que ainda aguardam resultado de exame.

“Isso nos deixa feliz, mas não aliviados porque a partir do momento que a gente consegue conter essa contaminação, por outro nos mostra que precisamos continuar trabalhando para, orientar e contar com mais apoio da população visto que daqui um pouco como Jaraguá”, afirma Aline Monteiro.

Ela completa que hoje há pelo menos cinco bairros infestados de mosquito transmissor da dengue nos quais a gente faz um ciclo de tratamento, inclusive de recipientes que não podem ser eliminados.

“Tentamos barrar (este avanço) e torce para que as pessoas nos ajudem a manter esse vírus longe porque só depende mesmo da não proliferação do mosquito para conseguirmos desinfestar uma área o que é bem difícil. Tem que ficar praticamente um ano sem pegar foco naquela localidade.”

Entre as localidades com maior incidência de focos do Aedes aegypti estão os bairros Centro, Vila Nova, Ilha da Figueira e Nova Brasília.

CUIDADOS DENTRO E FORA DE CASA
  • Tampe os tonéis e caixas-d’água;
  • Mantenha as calhas sempre limpas;
  • Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo;
  • Mantenha lixeiras bem tampadas;
  • Deixe ralos limpos e com aplicação de tela;
  • Não utilizar pratos em vasos ;
  • Limpe com escova ou bucha os potes de água para animais;
  • Retire água acumulada na área de serviço, atrás da máquina de lavar roupa.
  • Cubra e realize manutenção periódica de áreas de piscinas e fontes ornamentais;
  • Limpe ralos e canaletas externas;
  • Substitua bromélias e outras plantas que podem acumular água;
  • Deixe lonas usadas para cobrir objetos bem esticadas, para evitar formação de poças d’água;
  • Pneus devem ser mantidos em local coberto.