Moradores de mais de 50 municípios de Santa Catarina, principalmente na região Norte e Litoral Norte, convivem com o inseto maruim e seus indesejáveis efeitos. Na tentativa de buscar uma solução para seu combate, uma audiência pública para discutir o tema será realizada na próxima segunda-feira (27), às 19h, na sede da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali), em Jaraguá do Sul. Participam da reunião pesquisadores, agricultores e a população que tem sofrido com a proliferação deste mosquito.

Um dos palestrantes do evento será o pesquisador Luiz Américo de Souza, que desde 2006 faz estudos para encontrar um predador natural do mosquito. Em uma reunião com o deputado estadual Patrício Destro (PSB), presidente da Comissão de Proteção Civil  da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e proponente da audiência, Luiz Américo afirma que tem feito pesquisas com apoio da Amvali e constatou que a clorofila pura pode ser uma alternativa, pois pelo processo de fotossíntese ela se transforma em um alimento que mata o maruim.

A médica Eva do Nascimento, que atende no Posto de Saúde 1, no bairro Seminário, em Corupá, observa que crianças e idosos são os principais prejudicados. “Com a chegada do verão, a procura por consulta é ainda maior. A situação é tão crítica que muitas vezes a criança desenvolve uma alergia grave que não é possível tratar apenas com antialérgico. Elas acabam sendo medicadas com antibiótico, por apresentarem uma infecção bacteriana e precisam ser encaminhados para especialistas em alergia”, descreve a médica. Ela mesma relata que por ser alérgica tem restrições sociais. “Eu não consigo visitar os pontos turísticos da cidade, por exemplo. Os mosquitos estão em todas as partes, salão de beleza, bancos, escolas”, argumenta.

 
Deputado estadual Patricio Destro vai coordenar a audiência pública que será realizada na sede da Amvali, em Jaraguá do Sul | Foto Divulgação/OCP

São mais de 1.400 espécies catalogadas do mosquito e a principal dificuldade encontrada por quem estuda o assunto no Brasil e em países como a Alemanha e Portugal é encontrar um produto que seja nocivo a esse inseto. Desde 2006 o assunto é tema de pesquisas no Norte de Santa Catarina e em algumas regiões, principalmente onde há grandes áreas destinadas ao cultivo de banana, é praticamente impossível ficar sem o uso de telas em janelas e portas e repelente.

“Nós queremos ter um avanço nas informações sobre o combate ao maruim. Por isso, estamos reunindo os pesquisadores e a comunidade. É por meio das reclamações da população que os estudos poderão ser aprofundados em cada área. Não podemos deixar que o mosquito se prolifere ainda mais, pois pode se tornar um problema de saúde pública”, concluiu Patrício Destro.

Serviço

O quê: audiência pública de combate ao maruim

Quando: segunda-feira (27), às 19h

Onde: Amvali (rua Arthur Gumz, 88, Vila Nova, Jaraguá do Sul)

Quanto: gratuito

*Com informações da assessoria de imprensa