Em menos de 24 horas, 85 mil brasileiros foram vítimas de golpes cibernéticos às vésperas do Dia das Crianças. O levantamento foi feito pela empresa de cibersegurança Kaspersky. Os dados são do ano de 2019, mas de acordo com o analista sênior de segurança da companhia, Fabio Assolini, eles poderiam facilmente ser de hoje.

Em 2021, o cenário se tornou ainda mais preocupante. Desde a pandemia, muitas pessoas começaram a comprar pela internet, e com isso os risco de ser direcionado para algum site não confiável ou ter os dados pessoais e bancários roubados só crescem.

"Com isso, o que acontece é que a criança pode acabar comprando algo com o cartão dos pais, ou, o que é ainda pior, clicando em alguma mensagem maliciosa e fazer com que os dados pessoais ou bancários dos pais sejam roubados", completa.

De acordo com o especialista, este tipo de golpe, é conhecido por phishing, o nome remete ao termo em inglês "fishing", que significa pesca, pois é como se fosse uma pescaria, as vítimas são “fisgadas” por supostos brindes e promoções. Atualmente é um dos mais comuns no país e é aplicado na maioria das vezes em datas comemorativas, aproveitando que as pessoas estão mais vulneráveis emocionalmente e tendem a fazer compras por impulso.

Desde 2019 até o ano de 2021, a Kaspersky observa que os cibercriminosos estão apostando cada vez mais em campanhas divulgadas pelo aplicativo WhatsApp, com mensagens falsas em nome de fabricantes de brinquedos e lojas varejistas, para enganar as vítimas e, com isso, conseguir dinheiro ou dados pessoais. Para Assolini, existem, basicamente, cinco modalidades de fraude às quais os usuários devem ficar atentos.

"A primeira que eu destacaria é, talvez, a menos inofensiva de todas: a pessoa clica, é direcionada a um link e, aparentemente, não acontece nada — mas, naquela página, está cheio de propagandas. O esquema de monetização é o chamado page view (visualização da página) – como tem muita gente que clica, vai ter muita visualização e, assim, o criminoso ganha muito dinheiro", diz.

"Outras modalidades incluem direcionar o usuário para uma página com o objetivo de coletar dados pessoais; pedir o celular da vítima para confirmar um suposto prêmio e, com isso, cadastrar a pessoa em serviços premium; fazer a vítima instalar aplicativos legítimos que pagam por cadastro, como o TikTok ou Kawaii; e fazer a vítima instalar um programa malicioso, como um Trojan. Essa última é a mais agressiva, pois compromete a segurança do dispositivo como um todo, bem como de diversos dados pessoais", completa.

Como se proteger?

Para o especialista, a forma mais prática de se proteger contra os golpes cibernéticos, em especial o phishing, é instalar uma solução de segurança nos dispositivos e mantê-la sempre atualizada. Porém, ele observa que a medida, por si só, não é o suficiente e ainda assim é preciso ter atenção na hora de fazer compras online.

Cada vez mais as crianças e adolescentes estão presentes no mundo digital, por esse motivo é fundamental que os pais ou responsáveis façam um acompanhamento das atividades online dos filhos e, sobretudo, os ensinem os perigos da internet e coloquem limites no uso dos dispositivos. Essa orientação vale não só para o Dia das Crianças mas para todos os momentos do ano.