As mãos por trás do conserto de aparelhos de som

Cotidiano

Por: OCP News Jaraguá do Sul

terça-feira, 04:00 - 20/09/2016

OCP News Jaraguá do Sul
É em meio aos aparelhos de som, dos saudosos “toca discos”, rádios de automóveis aos mais modernos exemplares, que o corupaense Rolf Anton Zehnder passa boa parte de seu dia. Aos 80 anos, ele se orgulha da relação que criou com o mundo sonoro, trabalhando até hoje no conserto de radiolas e outros equipamentos de som. Em sua emblemática oficina às margens da linha férrea, no centro de Jaraguá do Sul, o técnico mantém vivo um ofício cada vez mais incomum, oferece a possibilidade de reparar invés de substituir. A atividade no meio eletrônico começou por acaso, Zehnder saiu do local onde trabalhava como mestre confeiteiro e, para pagar as prestações do novo rádio, se ofereceu para ajudar o dono da loja em consertos. A prática ganhou espaço e se tornou a principal atividade de sua vida. Zehnder atuou alguns anos em Corupá, mudou-se para Joinville onde continuou exercendo a função, até que decidiu seguir para Jaraguá do Sul onde tem o comércio há cerca de cinco décadas. Nesse tempo, consertou muitos equipamentos, mas também deu vida a novos aparelhos. O técnico calcula que tenha fabricado aproximadamente 1,2 mil rádios e 400 radiolas, em quatro tipos de modelos. “Tenho o dom de aprender as coisas fácil, então consegui aprender e logo fazer os meus próprios aparelhos”, diz. Ele seguiu esse ofício até meados de 1980, quando parou a fabricação. “Novos aparelhos foram surgindo e o pessoal não queria pagar o preço que um equipamento meu valia, então parei, mas até hoje continuo fazendo os consertos”, diz. Para isso, ele conta com a ajuda do já aposentado Anésio Gelsleichter, 58 anos. Os dois passam as manhãs contando histórias e arrumando os equipamentos. 2016_09_19 Sr Zehnder conserto radios - em (2)-2

Radiola construída em 1969 está entre as relíquias pelas quais Zehnder cultiva grande carinho

A boa memória de Rolf Zehnder guarda muitas histórias, que envolvem cada um dos equipamentos que fez. Mas os bilhetes e registros nos próprios aparelhos contribuem para a preservação da história. “Tenho um caderno onde anoto o nome de quem comprou, o ano e qual modelo. Nos aparelhos também faço essas marcações”, lembra. O que ele lamenta é não ter ficado com um exemplar de cada modelo que construiu. “As coisas antigas são o meu xodó, é meu jeito de me manter ocupado e a mente funcionando”, releva. Hoje, a família tem dois modelos das radiolas, um está na casa da filha e outro é exibido na entrada da loja. Porém, um bilhete bem grande avisa: não está à venda. “Todos entram aqui pedindo para comprar, mas essa eu não vendo”, diz orgulhoso, olhando para sua obra.  
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