Desviando-me propositalmente do velho clichê emocional da homenagem pelo dia ou mês da mulher, pretendo preencher esse breve espaço textual instigado em refletir, porém jamais concluir, a condição da mulher. É até possível que, ao final do texto, o teor possa transparecer homenagem. Fica por conta do leitor.
A história humana permitiu que chegássemos ao estágio de discutirmos com profundidade a complexa dimensão de nossa identidade e condição. Isso nos remete a questões delicadas como, conceito de gênero e, sobretudo, desigualdade social. Se nos reportarmos às características que dizem respeito à condição natural do homem e da mulher, perceberemos diferenças biológicas determinantes, mas também, diferenças culturais historicamente construídas.
De modo geral, pesquisas apontam que entre as “melhores coisas” de ser mulher, a possibilidade de concepção aparece em primeiro lugar. Já, entre as “piores coisas”, destaca-se a subordinação aos homens. Por outro lado, entre as “melhores coisas” de ser homem, vence a condição de não engravidar, não parir, não menstruar. Já, entre as “piores coisas”, aparece o papel, socialmente imposto, de provedor da família, o que particularmente não se coaduna com minha visão, diga-se de passagem. De ambas as partes, são compreensíveis e aceitáveis as diferenças quando reportadas as “melhores coisas”. No entanto, devem ser desprezíveis e superadas as diferenças reportadas as “piores coisas”, pois são essas que reprimem o processo de evolução e igualdade de nossa espécie enquanto ser social.
A propósito, faz-se oportuno alertar que podemos sim, ser diferentes, mas é inconcebível sermos desiguais.  E no Brasil, o abismo da desigualdade entre homem e mulher ainda é considerável. É notório que avançamos em alguns quesitos como, educação, saúde e proteção, mas ainda mostram-se pífias as conquistas em quesitos importantes como, participação da mulher na economia e na política. Agora atente para o seguinte paradoxo: A despeito de elas serem comprovadamente mais escolarizadas que os homens, representarem praticamente a metade da população economicamente ativa, possuírem cientificamente mais sensibilidade e habilidade em liderança, sua remuneração média é 30% inferior a dos homens.
Então, podemos admitir que, se essa condição desigual foi historicamente promovida por nós homens, a luta pela igualdade deverá ser muito mais de iniciativa e intensidade do homem do que da mulher. Só assim estaríamos prestando uma autêntica homenagem.