Em meio a um cenário político conturbado, pairando incertezas sobre o futuro econômico e social, os brasileiros e o mundo assistem a uma histórica transição de poder, quiçá de modelo republicano, na condução de nosso país. As primeiras medidas ou intenções previamente anunciadas pelo governo interino demonstram, aos mais avisados, que quaisquer que sejam as mudanças, essas devem, em primeira instância, causar “impacto” antes mesmo de se dimensionar “efeitos”. Sob ponto de vista estritamente político, tal estratégia faz sentido, já que o governo dispõe de pouco tempo para implementar ações e comprovar resultados concretos. Justifica-se daí, a tática do governo em fundamentar e legitimar a transição, buscando evidenciar a premência pela redução da inchada máquina governamental, por meio de cortes e fusões de ministérios. Embora essa medida, possa traduzir a aparente intenção do governo para com a redução do tamanho do Estado, faz-se oportuno ressaltar que, sob ponto de vista estritamente técnico econômico, o que teremos são cortes e fusões de pastas e não, necessariamente, de estruturas.  Mas é um começo. Em que pese a importância dessa iniciativa do governo, envolvendo vários ministérios, a ampla repercussão na mídia se fez mais sentida no âmbito da Educação e Cultura, hoje, com seus respectivos ministérios. Diante desse contexto, torna-se oportuna uma pontual reflexão: Se o momento trágico que nos encontramos é, essencialmente, consequência da desenfreada corrupção, não nos soa um tanto contraditório enxugar logo Cultura e Educação? Sem o propósito de isentar esses ministérios de notórias políticas e práticas corruptas, atrevo-me sustentar que não há outro meio de minimizar a corrupção, senão pela cultura e educação. Urge nos espelharmos na grande parte do mundo que pensa a cultura e educação como estratégia de desenvolvimento. Sob essa ótica, embora a relação não seja cartesiana, é possível asseverar que quanto mais cultura e educação, menos corrupção. Alertando-se também, diga-se de passagem, que mais cultura e educação não tem relação determinante com quantidade de ministérios. O que esperamos do governo transcende locais de instalação para cultura e educação. Muito mais importante do que um ou dois ministérios, é sabermos em qual patamar serão colocadas e tratadas a cultura e a educação. A única certeza que temos até aqui, é que se permanecermos no atual patamar, não reduziremos a corrupção e, por conseguinte, não avançaremos na democratização.