A moradora de Jaraguá do Sul Isabeli Lourenço tem um novo coração. Apenas 13 dias se passaram desde a cirurgia de transplante do órgão e a jovem fisioterapeuta de 27 anos já tem motivos de sobra para comemorar. Isabeli está em recuperação no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, e recebeu alta da UTI na segunda-feira (26). “Ela ficou muito emocionada em saber que o rim e o coração já estão trabalhando sozinhos, sem ajuda de aparelhos”, revela a mãe, Márcia Lourenço. Apesar de estar bem debilitada em virtude da cardiomiopatia hipertrófica – doença que aumenta os músculos cardíacos e dificulta o bombeamento do sangue –, a fisioterapeuta ainda conseguia ficar em casa sob medicação. Moradora de Jaraguá do Sul desde criança – natural de Rio Negro, no Paraná –, Isabeli estava em casa quando recebeu a notícia de que faria o transplante. Logo em seguida, um helicóptero do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina veio buscá-la para a cirurgia. O coração transplantando era de Indaial. A família de Isabeli agradece à equipe do hospital, dos bombeiros de Jaraguá do Sul e Blumenau, à família de doadores e ao Batalhão de Operações Aéreas pelo trabalho. “A gente sofria junto esperando notícias, quando soubemos que tinha um coração compatível foi uma felicidade imensa”, relata Márcia. Para ser um doador de órgãos, a pessoa deve manter a família avisada. O passo mais importante é conversar e deixar bem clara a intenção. Não é necessário deixar nada por escrito, porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação. “Escutamos muito sobre transplante, mas quando não é conosco, pode acabar passando despercebido”, completa Márcia.

Anos de luta

Durante as idas e vindas ao hospital, Isabeli alimenta uma página no Facebook chamada “Coração a bordo”, quase como um diário, onde ela coloca todas as atualizações sobre seu estado de saúde, evoluções e desabafos pessoais. Ela usava, há cerca de cinco anos, um Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI) e tinha deixado de lado atividades que adorava fazer, como surfar e velejar. A mãe conta que antes da operação Isabela ia ao hospital diariamente para tomar mediação, devido ao estado crítico de saúde. Mesmo em meio a esse grande desafio de vida, a fisioterapeuta continuou firme na rotina. Enquanto estava internada, Isabeli chegou a concluir a pós graduação em acupuntura que estava cursando a distância.