A necessidade de se manter atualizado na profissão e acompanhar as mudanças tecnológicas fizeram com que Teodoro Ruda, de 71 anos, voltasse a estudar. Ele é o aluno mais velho do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) de Jaraguá do Sul e cursa o segundo módulo do curso técnico em eletrotécnica, no campus Geraldo Werninghaus, do bairro Rau. Ainda atuando na profissão de eletricista e dirigindo a própria empresa desde a década de 1970, Ruda decidiu retomar os estudos no ano passado. Toda sua trajetória é de luta para acumular o conhecimento necessário e se manter em atividade até hoje. “Trabalhei toda a vida com a parte elétrica e vi que precisava me modernizar. Decidi fazer eletrotécnica. Tenho uma empresa familiar e atuo na área desde 1968. Na Celesc, trabalhei 28 anos e quatro meses e, de 1970 para cá, tenho minha empresa também”, revela. Casado, pai de quatro filhos e com oito netos, ele conta que quando decidiu residir em Jaraguá do Sul, no fim dos anos 1960, tinha estudado somente até o terceiro ano do primário. Trabalhando inicialmente na Empresa Sul-Brasileira de Eletricidade (Empresul), que depois foi absorvida pela Celesc, Ruda concluiu o ensino fundamental e médio, mesmo que a atividade profissional demandasse percorrer a região, especialmente atuar em Blumenau. “Naquela época, o trabalho era muito diferente, começávamos às 6 horas e não tínhamos hora para terminar”, recorda. Ao longo de quase três décadas na companhia, fez diversos cursos pelo Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Celesc direcionados à parte elétrica, mesmo sem ter o ensino fundamental completo. Em 1996, ele decidiu se aposentar, mas parar sua caminhada profissional não entrou nos planos. Após concluir o ensino médio, prestou vestibular para o primeiro curso de engenharia da Ferj (atual Católica) ao mesmo tempo em que sua filha passou pelo processo seletivo para administração. Das cem questões da prova, acertou 44, ficando em 42º lugar. Duas posições acima, ele teria conquistado a vaga. Em 2008, ele ingressou no curso de administração e gestão empresarial na Universidade Católica SC de Jaraguá do Sul, e conseguiu se graduar em 2012. Nunca é tarde para estudar, diz ele, em busca das melhores notas Depois de quatro anos sem estudar e sentindo que precisava se atualizar na profissão, Teodoro Ruda resolveu ingressar no curso do IFSC. Ele conta que até a família mostrou resistência. “Diziam que eu não precisava, mas eu gosto muito de estudar, mesmo que se torne cada vez mais difícil. Hoje, estou vendo que há necessidade de me dedicar mais, deixando de trabalhar, porque só frequentar as aulas à noite não adianta e, em casa, não me sobra tempo”, conta. A rotina do aposentado é corrida: levanta às 6 horas, trabalha até 17h30 e quanto para o serviço é hora de ir para a sala de aula. “Eu também já não sou muito novo”, diz, bem-humorado. Esforçado, o aposentado não sabe se conseguirá a aprovação em todas as disciplinas dentro do tempo do curso, que é de dois anos, mas garante estar se empenhando. O aluno ressalta que os “meninos” que saem do ensino médio chegam com toda a bagagem no curso técnico, mas ele já esqueceu muita coisa. Na sua época, diz ele, o “segundo grau” não tinha todo o conteúdo que tem hoje. “Mas estou tentando”, diz. Ruda salienta que a convivência com os colegas é boa e muitos o ajudam com o conteúdo. A turma iniciou com 65 alunos, mas hoje ele acredita que só a metade permanece. Um de seus netos, Antônio, de 20 anos, também cursa Eletrotécnica no instituto, à tarde. No entanto, pela diferença de horário de trabalho e de curso, não consegue ajudar o avô nos estudos. “Ele também trabalha e estuda, assim como eu. Já pensou em desistir, mas eu digo que tem que continuar, tem que aproveitar a juventude e o fato de que ainda não tem uma família para sustentar, porque depois é preciso muito mais força de vontade”, recomenda. Atualmente, três filhos trabalham com Ruda e um foi morar nos Estados Unidos no começo do ano. “Ele está gostando muito e já me chamou para morar lá. Disse que se eu for não volto mais. Mas, primeiro quero terminar o curso. E, assim... eu tenho medo de viajar de avião”, comenta, aos risos. Para quem se acha “velho” para voltar a estudar, Teodoro Ruda enfatiza: “Eu não me considero velho, porque eu tenho saúde. A pessoa, quando está doente, realmente não tem condições. Eu, no máximo, tenho uma gripe. Tenho muita vontade de estudar, embora, na minha idade não precise mais nem trabalhar, porque já sou aposentado. Mas, não sei ficar parado, sempre fui muito agitado, com um ritmo muito intenso”. LEIA MAIS: IFSC abre dois novos cursos técnicos em Jaraguá do Sul