A solidariedade de amigos e familiares, além da bondade de desconhecidos, foi mais do que necessária para que três jovens músicos da Paraíba conseguissem participar do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc). Sem o dinheiro para arcar com as despesas, Lidia Dias da Silva, Elton Kennedy e Jennifer Souza arregaçaram as mangas, correram contra o tempo e arranjaram soluções para estar em solo catarinense. Concertos beneficentes, ajuda de professores e o empréstimo dos instrumentos foram algumas das formas encontradas para viabilizar a participação e que garantiram a felicidade dos três em fazer parte da grande família Femusc. A inscrição despretensiosa no festival acabou dando certo e, como não haviam programado e se organizado com antecedência para arcar com todas as despesas, o casal Elton e Jennifer, de 21 e 17 anos, respectivamente, teve de achar uma forma rápida de conseguir o dinheiro. Em pouco mais de uma semana antes do prazo final do pagamento, eles realizaram concertos beneficentes na cidade de Cabedelo, vizinha da capital paraibana, onde moram. O jovem violoncelista Elton Kennedy conta que não esperava pela aprovação, apesar de já ter participado da edição passada do festival. “Nós nos inscrevemos para tentar, mas sem acreditar muito então quando vimos que fomos aprovados foi uma surpresa”, diz. Nos pequenos concertos que fizeram, recebiam no fim da apresentação doações da plateia. “O coordenador do pólo do nosso projeto (Prima) nos deu um relógio. Valia mais de R$ 600, mas como precisávamos do dinheiro acabamos tendo que vender por R$ 300”, conta Jennifer, que participa pela primeira vez do Femusc. Doação possibilitou vinda de músicos Eles contam que o secretário de Cultura da cidade doou uma passagem de avião, os amigos dos pais ajudaram com dinheiro e as inscrições ganharam de uma pessoa que não conhecem. “As pessoas ajudaram com tanto gosto porque viram que estávamos realmente querendo isso”, enfatiza o rapaz. Como não possuem os próprios violoncelos, os jovens tiveram de emprestar os instrumentos e, para isso, contaram com a ajuda dos professores. “Só temos a agradecer porque estar aqui é uma experiência incrível. É tanta diversidade, com o idioma é um pouco complicado, mas a gente dá um jeito, é uma riqueza cultural. Estamos muito felizes”, afirma Jenny, como gosta de ser chamada. Quem também contou com ajuda de amigos e familiares foi a musicista Lidia Dias da Silva. Nem as dez horas de viagem de Cajazeiras até João Pessoa, na Paraíba, fora o tempo de voo de lá até Santa Catarina, foram o suficiente para desanimar a jovem de participar do Femusc. Como na sua cidade a música clássica e os concertos ainda não são tão comuns, ela teve de pedir ajuda para os conhecidos. “Minha mãe conhecia algumas pessoas da imprensa e um tio meu também ajudou”, conta. Os três músicos compartilham a experiência de participar do Projeto Prima (Programa de Inclusão Através da Música e das Artes), em suas respectivas cidades. “Achei que seria algo bem parecido com o Prima, e até é, mas é totalmente diferente ao mesmo tempo. Aqui tem pessoas de todos os lugares e culturas muito diferentes”, conta. Com um sorriso largo no rosto, os três não escondem a felicidade em estar desfrutando das duas semanas de estudos, concertos e das novas amizades que estão criando.