Não estranhe se você encontrar objetos “incomuns” ao dia a dia na área central de Jaraguá do Sul na próxima semana. Com um olhar voltado para a cidade, alunos da disciplina de Arte do curso técnico integrado em Química do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) transformaram questionamentos em arte. Por meio do projeto “Arte e Cidade: propondo vivências”, eles expõem as obras por diversos pontos do município a partir de segunda-feira (29). O olhar e a obra podem até parecer minimalistas, porém, a intenção é gigante. Pensando nas pequenas plantas que passam despercebidas ao nosso cotidiano e fazendo uma relação com os monumentos, a jovem Lais Krause, 18 anos, preparou uma intervenção artística que cabe em uma pequena lata de metal. Dois mini pedestais de massa epóxi com um fio entre eles, que imitam uma faixa delimitadora, e um mini cartaz escrito “Por favor, não toque” foram o suficiente para passar a mensagem proposta pela estudante. “A ideia de preservar os monumentos já é comum e conhecida por todos, mas o que a maioria não faz é prestar atenção e preservar a natureza presente em meio à cidade. Por isso decidi fazer essa proteção para despertar a curiosidade e chamar a atenção para as pequenas plantas”, explica. Os protetores serão espalhados por diversas plantas da região central, no entorno da Praça Ângelo Piazera.

IFSC Larissa - em (2)É misturando o passado e o presente que Larissa Obenaus pretende atiçar a memória de quem viveu na cidade antigamente e revelar aos mais novos como Jaraguá do Sul era há décadas atrás

Enquanto Laís reforça a preservação ambiental, a estudante Larissa Obenaus resolveu trazer à tona imagens antigas da cidade. Dois tubos, um com uma fotografia na ponta e outro sem nada, servirão para os curiosos fazer uma breve viagem ao passado. A estudante escolheu cinco fotografias de pontos conhecidos da cidade, como a Avenida Getúlio Vargas e o Museu da Paz, e irá colocá-las em frente ao mesmo local onde foram tiradas. “Escolhi essas imagens antigas para que quem viveu na cidade nessa época reviva as memórias e lembranças e para que os mais novos conheçam como o município era”, explica. As fotografias foram conseguidas com um professor do IFSC. Os trabalhos das estudantes estão entre os 34 projetos que estarão espalhados pela cidade ao longo da próxima semana. A exposição faz parte de um projeto desenvolvido a cada semestre com os estudantes e esta é a primeira vez em que sai dos “muros” do IFSC. Para as alunas, é uma oportunidade de dar mais visibilidade aos trabalhos elaborados em sala de aula. A professora responsável pela iniciativa, Sandra Fachinello, explica que os estudantes foram estimulados a olhar para a cidade e refletir sobre ela. “Pensar a cidade como espaço artístico não é algo inusitado, vimos algumas propostas de artistas, mas eles olharam para a própria cidade e levantaram questões pertinentes, positivas ou negativas, todas para reflexão e foram aprofundando o olhar. A arte permite um olhar diferente para uma questão que é comum a todos e a cidade é um reflexo da gente, da nossa postura”, diz.