Com a chegada do frio intenso no estado de Santa Catarina, os produtores rurais estão arrumando diferentes alternativas para proteger os cultivos. Em Chapecó, no Oeste, um agricultor usa uma estufa e aquecedor para ajudar a proteger uma plantação de tomate e evitar que o fruto congele. A reportagem é do G1 SC.

O produtor rural Emer Daniel Meneghini, planta o tomate fora de época, pois na hora da venda, o homem garante um preço melhor.

Porém, essa prática não é a mais recomendada, pois a planta não se desenvolve da mesma forma. E nos dias de frio intenso é ainda pior, pois quando a temperatura chega a zero, o tomate pode congelar e morrer.

Em virtude disso, além da estufa, o Emer instalou um aquecedor.

"O aquecedor é feito a gás. É um aquecedor antigo, daqueles que se usava em aviários. Nosso trabalho aqui é tentar manter a temperatura um pouco mais elevada para ele [tomate] não acabar morrendo", disse o produtor.

Com o frio intenso que vem fazendo nos últimos dias, produtores de outras regiões também estão fazendo o que podem. Como o ensacamento das bananas no Vale do Itajaí. Isso evita que a geada queime os cachos que já estão formados.

Em outras plantações, como aipim e batata doce, os agricultores têm colhido a rama (parte superior) para replantar quando o frio mais intenso passar. A colheita é feita atrasada, mas desse jeito uma parte da plantação é salva.

Geada

A geada também é uma inimiga para os produtores rurais. A Defesa Civil e a Cooperativa de Agricultores de Itajaí (Cooperar) já distribuíram mais de 5 mil metros quadrados de lona para proteger algumas plantações.

O produtor Genomar Tomasi perdeu alguns pés de brócolis depois que as plantas ficaram branquinhas com a geada na propriedade. Agora, ele está colhendo o que pode e guardando na câmara fria.

"O brócolis não estava no ponto. A gente antecipou um pouco a colheita para não ter mais perdas. O que não for vendido amanhã será nos outros dias, para não perder mais", relatou.

Foto: Reprodução/NSC TV

Para os pés que serão colhidos na semana que vem, o engenheiro agrônomo Ivan Tormen orientou que os produtores prendam as folhas do brócolis com um elástico de forma a cobrir a cabeça do vegetal.

"Quando passar o maior frio, que está previsto para sexta-feira (30), o produtor vem aqui no sábado (31), vai tirar a borrachinha, ver que não estragou as folhas e está com a cabeça para colher e entregar no comércio semana que vem", disse.

Influência no preço

Esses cuidados minimizam os prejuízos para os produtores rurais, mas também são importantes para os consumidores. Pois, com menos produtos no mercado, o preço só tende a subir.

"Nos próximos dias, é para ter falta de brócolis, falta de couve, a própria salsa. Ela não cresce por causa do frio", afirmou Tomasi.

O presidente da Cooperar, Fábio Luiz Felicio, acredita que o frio vai trazer prejuízo para as plantações.

"Toda a agricultura aqui da nossa região e do Sul do país vai acabar sendo prejudicada. E vai acarretar que vai ter que vim de fora, de São Paulo, de outros estados, vai começar a ficar caro pelo frete que vai ser pago pelo produto", disse.