A população de Guaramirim pode ficar sem água se a contaminação voltar a ocorrer no rio Itapocuzinho. Na manhã de quarta-feira (27), o problema foi identificado pela Companhia Águas de Guaramirim, responsável pelo abastecimento da cidade. A mancha que estava em maior proporção, já diminuiu de tamanho nesta quinta-feira. O diretor Osni Dencker afirmou no início da tarde de quinta-feira (28) que funcionários passaram o dia fazendo coletas a cada meia hora para verificar a situação. Com a mancha escura ainda visível na superfície, o diretor destacou que em sete dias será possível determinar as características do produto e então verificar qual das empresas instaladas junto ao rio foi responsável pelo despejo. "Encaminhamos a água coletada para a empresa que faz a análise, mas demora sete dias para eles responderem qual é o produto", explica. Dencker lembra que atualmente há um mapeamento que aponta as empresas ao redor do rio. "Conforme o produto, temos como identificar a empresa que está poluindo". O diretor destaca que nessas épocas do ano, nos fins de semana e dias de chuva – pela falta de fiscalização e condições climáticas, que dificultam a visualização de manchas – empresas costumam soltar efluentes sem o devido tratamento, de forma totalmente ilegal. A autarquia conta com uma boia para fazer contenções, mas não é suficiente para barrar as manchas. "Ela ajuda em parte, não totalmente porque o produto acaba embolando no filtro e não tem como limpar a água".  A preocupação é que a contaminação volte a ocorrer nos próximos dias, o que poderia paralisar a captação e afetar o abastecimento aos mais de 40 mil moradores. Na semana que vem, a companhia deve identificar a origem da poluição. “Passaremos para os órgãos fiscalizadores, como a Fujama e a Polícia Ambiental, para verificar onde foi jogado o produto”, destacou Osni. Ele acredita que a empresa que está poluindo está localizada próximo à companhia.
PROBLEMA É RECORRENTE 
Segundo o diretor da Águas de Guaramirim, esse é o segundo caso de contaminação este ano e em 2016 foram pelo menos nove interrupções na captação e quase 30 casos de contaminação, conforme informação da Serrana Águas, divulgada no ano passado. Denker destaca que o último caso teria sido por uma empresa de esgoto, que foi notificada e punida com multa. Em 2015, a situação crítica chegou a reunir órgãos ambientais da cidade, Jaraguá do Sul e Schroeder, por onde passa o rio. O Ministério Público também abriu inquérito civil para investigar as ocorrências. Além do impacto para o sistema, o problema afeta os moradores ribeirinhos que convivem com mau cheiro. *Reportagem de Gabriel Junior e Natália Trentini