A vacinação contra a Covid-19 está avançando no Brasil e até esta quinta-feira (5) foram aplicadas pouco mais de 147 milhões de vacinas em toda a população. No país, são quatro fabricantes que estão fornecendo vacinas: AstraZeneca, CoronaVac, Janssen e Pfizer.

Todas elas possuem efeitos colaterais e com exceção da Janssen, é necessário aplicar duas doses para a imunização efetiva. Os sintomas vão de dores de cabeça até diarreia e perda de apetite. Inclusive mais de 4,6 milhões de pessoas não foram receber a segunda dose por medo dos efeitos colaterais, porém fica o questionamento: a segunda dose é tão intensa ou pior que a primeira?

Em entrevista ao G1, o presidente do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), João Viola explicou que na AstraZeneca as reações após a aplicação são reduzidas, às vezes imperceptíveis.

"A AstraZeneca tem um percentual maior de reações leves e moderadas na primeira dose e isso cai bastante na segunda. Na primeira dose, as pessoas relatam dor no local e isso é comum, passa com 24h, 48h. E tem também quem não tem reação alguma. Consideramos isso como efeitos adversos leves, sem muitas consequências. Apesar das reações, é importante tomar a vacina”, conta.

A própria bula da AstraZeneca reforça que os efeitos são menores na segunda dose.

"... a vacina pode causar efeitos colaterais, apesar de nem todas as pessoas os apresentarem. Menos efeitos colaterais foram relatados após a segunda dose", explica a fabricante.

CoronaVac

Já a vacina da CoronaVac, em teste realizado pelo fabricante, Instituto Butantan, com 5.051 pessoas adultas entre 18 e 59 anos mostrou que 50% deles tiveram sintomas leves após a segunda dose como dor no local da aplicação. Mas também podem ocorrer dores de cabeça, febre naúsea e mialgia.

Apenas 9,2% dos adultos e 8,1% do grupo dos idosos apresentaram sintomas inesperados, porém nenhum deles foi de alto grau.

Pfizer

Em relação à vacina da Pfizer/BioNTech, os sintomas após a segunda dose não fogem muito das reações quando aplicada a primeira dose. O médico Peter Hotez, especialista em vacinologia e reitor da Escola de Medicina Tropical da Baylor College of Medicine contou que teve sintomas comuns como calafrios por algumas horas.

"Sabemos por que isso acontece: a vacina é muito potente em induzir uma resposta imune. Essa é uma das razões pelas quais estamos obtendo níveis tão altos de proteção contra a Covid-19", explicou o médico.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA podem surgir outros efeitos colaterais como dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção, e possivelmente dor de cabeça ou náusea.