O Brasil chegou a marca de 400 mil mortos por Covid-19 nesta quinta-feira (29). Estatisticamente, é provável que a maioria dos brasileiros conheça alguma vítima da doença.

 

É o que aponta um estudo realizado por especialistas brasileiros, que concluiu existir 67,97% de probabilidade de você conhecer alguém que faleceu por Covid-19.

Vendo de outra forma, isso significa que sete a cada dez brasileiros conhecem alguma vítima da Covid-19.

Se contarmos somente a população adulta, o número é mais alarmante, 77% das pessoas adultas conhecem alguém que faleceu pela Covid-19.

O estudo foi feito por Ricardo Takahashi, pesquisador da área de epidemiologia matemática; Leandro Russovski Tessler, físico e professor da Universidade Estadual de Campinas; Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede de Análise Covid-19; e Régis Varão, professor doutor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp.

Para que o estudo fosse possível, foi necessário estipular quantas pessoas cada brasileiro conhece. Atualmente não existem estudos que mapeiam isso nacionalmente.

Foi utilizada a estimativa feita pela especialista em estatística, Tian Zheng, da Universidade de Colúmbia, nos EUA. Nesta estimativa, cada americano possui, em média, 600 conhecidos, entre eles estão amigos parentes, colegas de trabalho.

Número de Dunbar

Outro cálculo pode ser feito também, com o 150 ou "número de Dunbar", criado na década de 90, pelo antropólogo Robin Dunbar.

Neste estudo, cada ser humano, independente da sua nacionalidade, mantém uma rede de amizades com 150 pessoas.

Entre essas 150 pessoas, estão seus amigos distantes e próximos, além da sua família inteira.

E, no Brasil, os parentes são pouco mais de 50% dos laços de amizade, muito pelo fato das famílias serem grandes.

Ao deixar o círculo de relacionamento mais estreito, a chance de conhecer uma pessoa que faleceu pela Covid-19 é menor, porém significativa: 24,77%.

Ou seja, um em cada quatro brasileiros perderam alguma pessoa próxima para a pandemia.

 

 

O cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, alerta que conforme a pandemia cresce no Brasil, estes números fazem ainda mais sentido.

“O número tende a ser cada vez mais verdadeiro. A chance de você conhecer alguém morto pela doença aumenta todo dia”, alerta Isaac.

O número muda também conforme a idade, a região, a classe social, a profissão da pessoa, diz o professor Takahashi.

“Uma pessoa em São Paulo ou em Manaus vai ter mais vítimas conhecidas que alguém que trabalha isolado, no campo, em Goiás”, explica.