Em qualquer canto do Centro Cultural da Scar que você ande ouve notas musicais. Não há lugar impróprio para ensaiar. Seja nas rampas, nos corredores, nas escadas ou em algum canto mais escondido e silencioso. Até na área externa, se escondendo ou não do sol, há música. Com a rotina intensa de ensaios, aulas, apresentações na Scar e concertos sociais, os músicos-estudantes dão um jeito para achar tempo e um lugar para executar algumas notas, além dos ensaios programados. As diferentes melodias executadas por diversos instrumentos se entrelaçam no espaço do Centro Cultural e formam um grande labirinto, onde você se perde e se maravilha em meio às notas musicais que embalam o ritmo agitado do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc). Em uma das rampas da Scar, próximo à parede com as grandes janelas espelhadas de vidro, a violinista santista Stephanny Luize Correia, 23 anos, ensaia por um longo período e por repetidas vezes. O som de outro instrumento musical sendo tocado próximo dela, e os tantos outros barulhos no interior do prédio, nem são ouvidos pela paulista, que se concentra nas notas musicais da obra que ensaia. Com olhos fixos no vidro, que reflete sua imagem, ela observa a maneira como toca para adequar a postura. “A rotina é geralmente corrida então o músico escolhe onde der para tocar. Já cheguei até a ensaiar no banheiro em outros festivais porque é bom se ver no espelho para corrigir a postura. Aqui ainda não fiz isso, mas não descarto a possibilidade”, diz, sorrindo. Como chegou apenas na quarta-feira, devido à problemas de saúde, a jovem corre contra o tempo para ensaiar as peças que deve apresentar. “Ou acorda mais cedo e aproveita os momentos livres ou não consegue ensaiar”, conta. Na área externa, com o céu azul e o Morro Boa Vista como cenário de fundo, as violonistas Anaid Santiago, do México, e Ana Sivila, da Argentina, ensaiavam a obra “Tico-tico”. Antes da amiga chegar, Anaid estava há algum tempo tocando sozinha. “Estamos montando um duo para a série Violão Plus e aqui foi um bom lugar que encontramos para ensaiar”, conta. A argentina completa dizendo que “a vista é bonita e até serve de inspiração”. Para elas, os carros que passam pela rua ao lado e a intensa movimentação de pessoas não é nenhum problema. O importante mesmo, é ter um espaço para conseguir colocar as notas em ordem e fazer bonito no dia da apresentação. Aliás, o pequeno ensaio da dupla estava sendo apreciado por quem ali passava. O flautista José Pablo Garrido, também do México, sentou ao lado das meninas e observou atentamente cada nota, dando até algumas dicas e sugestões.