Se o som dos violinos, harpas, pianos, entre tantos outros instrumentos, é comum ao ouvido de quem acompanha o Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), as vozes também estão se tornando. Ao andar pelos corredores do Centro Cultural é possível ouvir sopranos, barítonos, tenores e outros tantos cantores líricos dando uma palhinha no interior do prédio. Seja durante uma aula ou ensaio, eles deixam sua marca e mostram que o programa - inserido no festival em 2015 - veio para ficar e merece a atenção do público. As vozes, que na última edição ficaram restritas às aulas, a uma noite de ópera e aos bastidores do evento, neste ano ganharam uma atenção especial. Além da inclusão de uma ópera completa na programação (no dia 29) e algumas outras apresentações, o programa de canto lírico ganhou uma série de recitais - apresentações individuais ou em grupo com obras sugeridas pelos próprios alunos. De segunda-feira a sábado, sempre às 18 horas, a sala de exposições da Scar (em frente ao Grande Teatro) se tornou um grande palco onde as vozes poderão ser prestigiadas pelo público do festival. Quem está contente com a oportunidade e com a cabeça fervilhando de ideias, a fim de levar apresentações para fora da Scar, é a carioca Gabrielle Agura. Estreando no Femusc, ela conta que veio ao evento devido aos professores que participam e está contagiada pelo clima do festival. “O pessoal é bem animado e isso torna tudo muito divertido”, conta. Para a cantora, que está na área há sete anos, aliar os estudos com apresentações é algo enriquecedor. “É bom para lutar contra a ansiedade porque cantamos muito na sala de aula e estar no palco encarando o público é diferente e essa é uma oportunidade de crescimento”, diz. A animação com as apresentações foi tamanha que Gabrielle projeta - junto com outros cantores - levar apresentações de canto lírico para o shopping e outros palcos. “Estamos pensando em cantar em outros lugares para a comunidade mesmo, mas é uma ideia que ainda precisa ser aprovada”, conta aos risos. O diretor artístico do festival, Alex Klein, explica que a série de recitais nasceu de uma necessidade que ele observou nos cantores. “No ano passado percebemos que eles querem mais e precisam de mais para evoluírem. Além da oportunidade de participarem da ópera, agora tem essa série e é possível que ao fim do festival os alunos, que somam 40 pessoas, tenham se apresentado seis ou sete vezes. Essa é uma oportunidade excelente que une o conhecimento das aulas com a apresentação ao público e uma forma de vazão para eles aprimorarem suas técnicas”, enfatiza. As obras, apresentadas nessa série, foram sugeridas pelos próprios cantores. Assim como as demais apresentações do Femusc, a série de recitais tem entrada gratuita e os ingressos começam a ser distribuídos com dois dias de antecedência de cada apresentação. A voz de uma miss A beleza chama a atenção, mas nem só dela a mineira Silvia Neves é feita. Com carisma sem igual e uma voz que encanta, a estudante de canto lírico celebra a participação no Femusc. Dona do título de Miss Brasil Plus Size Sênior de 2014, ela está contente por Jaraguá do Sul, cidade que ainda não conhecia pessoalmente, sediar uma ferramenta importante de democratização da música. “Estou um pouco ansiosa, mas adorando tudo. Fico feliz em ver que no Brasil existe um evento desse porte, que não faça restrições e dá tantas oportunidades para músicos, cantores e comunidade”, comemora.

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Já carregando a coroa de Miss, Silvia Neves mostra que, além de beleza, tem talento para o canto lírico e celebra as oportunidades dadas no Femusc

Conciliando a carreira de modelo – até fotografou para uma empresa jaraguaense - com a de cantora há cerca de dez anos, ela se prepara para as apresentações nos recitais e se mantém focada nas aulas. Para ela, um dos pontos positivos do festival foi o fato de não ter idade máxima para participação. “Muitos festivais restringem a idade para cantores e o Femusc não tem isso, por isso que posso estar aqui participando”, enfatiza. O sorriso no rosto, acompanhado da adrenalina de correr contra o relógio para não perder nenhum minuto de aulas ou ensaios, justifica a vinda da moradora de Belo Horizonte para a cidade e a vontade de aprender mais. O quê: Recitais de Canto Lírico Quando: De segunda a sábado, às 18 horas Onde: Sala de exposições da Scar, em frente ao Grande Teatro