Antes mesmo do desembarque no Brasil na última sexta-feira (6), Simone Ponte Ferraz já tinha seu próximo objetivo bem traçado: conquistar uma vaga nas Olimpíadas de Paris em 2024.

Integrante da delegação brasileira de atletismo nos Jogos de Tóquio, finalizadas na semana passada, a jaraguaense estreou no maior evento poliesportivo mundial com um 14° lugar na bateria e 38ª geral nos 3.000m com obstáculos.

Foto: Wagner Carmo/CBAt

Uma participação que entrou para história de Jaraguá do Sul por ter sido a primeira atleta da cidade a disputar uma Olimpíada.

De volta para casa, a corredora da APA/Secel já iniciou preparação para um novo ciclo olímpico.

Em entrevista ao OCP, ela projetou mais esse sonho, além de trazer detalhes sobre os Jogos de Tóquio e o crescimento da modalidade em Jaraguá.

Por tudo que você passou nas últimas semanas, qual o sentimento de ser uma atleta olímpica e ter vivido os Jogos de Tóquio?

“Agora posso dizer que sou atleta olímpica e que vale a pena todo esforço, dedicação para chegar nos Jogos Olimpicos. É muito emocionante vivenciar esse sonho, estar entre as melhores atletas do mundo. É real, eu fiz acontecer realmente”

Tem como descrever em palavras como é uma Vila Olímpica? E teve algum ídolo que você pôde conhecer, seja do atletismo ou de outra modalidade?

“Foi muito gratificante estar na Vila Olímpica. Os ídolos brasileiros estavam todos lá conosco e são gente como a gente. São super educados, o tempo todo cumprimentando e esse é o principal espirito esportivo, que é fazer novas amizades. O Arthur Zanetti (argola) é muito simpático, assim como a Rebeca Andrade (ginasta) e muitos outros. Poder estar ali no dia a dia com esses atletas que são referências nacionais foi muito legal. Também tem o intercâmbio com os outros países e vi meus ídolos do atletismo como a Emma Coburn (3.000m com obstáculos). A estrutura montada foi muito bem pensada e serviu como um entretenimento para os atletas que estavam confinados”

A grave situação que Tóquio e o Japão vive por conta da pandemia chegou a causar preocupação?

“Estávamos muito seguros. Nosso primeiro compromisso do dia era fazer o teste de Covid-19 e haviam restrições, cuidados dentro da Vila Olímpica. Os japoneses foram muito caprichosos e tiveram cuidado especial conosco. E estávamos dentro de uma bolha. Íamos da Vila Olímpica para pista e da pista para Vila Olímpica. Em Saitama, era a mesma coisa. Não fomos colocados em risco em nenhum momento”

Você embarcou com o objetivo de melhorar a marca pessoal, mas acabou não conseguindo. Quais foram as maiores dificuldades dentro da prova?

“Fiz uma excelente aclimatação em Saitama e quando cheguei em Tóquio estava muito calor. Tive dificuldades para me adaptar ao clima de Tóquio. O nível da prova também era altíssimo e teve uma largada muito forte. Esperava que a prova fosse um pouco mais técnica e se desenrolasse com mais suavidade. Mas as atletas mostraram que realmente eram Jogos Olímpicos com nível fortíssimo. Senti um pouco o nível técnico da prova, mas também muito motivada para estar nas próximas Olimpíadas e competindo mais vezes nesse nível”

Você já havia confirmado que vai buscar vaga nas Olimpíadas de Paris em 2024. Quais os primeiros passos para esse objetivo a partir de agora?

O projeto Paris já começou. Ser atleta olímpica tem uma representatividade muito forte a nível nacional e internacional. Meu objetivo principal é buscar novos parceiros/patrocinadores para que eu possa competir mais em Meetings Internacionais e competições na Europa para pegar mais ritmo e chegar na próxima Olímpiada mais competitiva. Quero competir mais em alto nível”

Já definiu a prova em que vai buscar a vaga?

“Como estou figurando entre as 40 melhores atletas do mundo nos 3.000m com obstáculos ficou claro que é minha prova no momento e tenho que aproveitar essa oportunidade. Então vou buscar a vaga nos 3.000m com obstáculos. Tenho certeza que até Paris estarei mais competitiva. Ficou o gosto de quero mais em participar das Olimpíadas. Tirei uma grande aprendizagem. Foi uma oportunidade única e quero repetir”

Agora é o momento certo para as modalidades captarem novos atletas pelo interesse gerado das Olimpíadas. O que você pode falar sobre o projeto em Jaraguá do Sul?

“Meu objetivo sempre foi inspirar jovens e a escolinha de atletismo da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e da APA (Associação Prática de Atletismo), de Jaraguá do Sul, vem para descobrir novos talentos de 8 a 13 anos na iniciação e já temos os atletas de rendimento, a partir dos 14 anos. Quem quiser participar do projeto, é só ir no Centro Esportivo Municipal Murillo Barreto de Azevedo e vivenciar o atletismo, que é a base de todas as outras modalidades. Nesse momento que sentimos esse clima olímpico na nossa cidade percebi que os jovens da equipe (APA/Secel) estão respirando novos ares e estão muito motivados nos treinos e competições pela minha convocação para os Jogos Olímpicos. Isso é muito bom e sentimos que os jovens querem mais. Quem sabe não conseguimos ter novos campeões dentro do atletismo de Jaraguá do Sul”

Como você pode ajudar nesse projeto para que o atletismo da cidade cresça ainda mais?

“Pelo exemplo que dou para eles (jovens atletas). Estou treinando todo dia, me dedicando e suando. Eles conseguem ver isso. O maior incentivo começa com o exemplo. É isso que posso transmitir para os atletas. No momento, não posso contribuir passando treinos, porque meu foco é continuar treinando. Fico feliz de estar no dia a dia com os atletas e eles percebendo que a gente só chega longe com muita dedicação e trabalho”