Mãe Juliana e irmão Erick sentem falta de Rick | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Mãe Juliana e irmão Erick sentem falta de Rick | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Ser jogador de futebol é o sonho de milhares de crianças, mas no país do futebol o caminho para ter sucesso gera muito sacrifício, e um deles é lutar por um espaço no esporte longe da família.

Diversos garotos do Vale do Itapocu embarcaram para fora de Santa Catarina e até do Brasil nos últimos anos e os pais sofrem longe dos filhos.

Após brilhar na base do futsal e futebol local, Rick Gonçalves recebeu uma oportunidade para atuar no Centro de Treinamento de Cotia, do São Paulo, um dos melhores do país.

O pai do garoto, Ailton Gonçalves, 44 anos, está muito feliz por ver o filho voando alto, mas com o coração apertado. "A gente fica tranquilo pelo clube que o São Paulo é, mas pai e mãe nunca ficam totalmente sossegados. É difícil, só passando por isso para saber como que é", destaca.

Ailton esteve junto com o filho quando ele se apresentou ao São Paulo | Foto Divulgação

Ver o filho de 13 anos partir para a realização de seu grande sonho deixou a mãe Juliana de Oliveira com saudade e preocupação.

Uma semana após Rick chegar a São Paulo, ela teve que se deparar com uma notícia que ampliou sua angustia - 10 garotos da base Flamengo foram mortos em um incêndio no alojamento do clube carioca.

"Eu fiquei sem chão e profundamente triste. Não tem como não se colocar no lugar das mães que perderam os filhos", relata.

Mesmo sabendo que ele está em uma das melhores estruturas do país, ela disse que todo dia liga para o garoto para saber se ele está bem e dar conselhos além da vida futebolística, pois Rick tem apenas 13 anos. "É angustiante não estar perto do meu filho e não poder cuidar dele", destaca.

Ailton conta que seu filho está bem feliz em São Paulo, sempre jogando videogame e futebol com os amigos. Apesar da preocupação com o filho, ele confessa que Juliana é a mais preocupada. "É um pedaço dela que foi embora", conclui.

Coração em Portugal

O caminho árduo do mundo do futebol, onde ouvir um "não" é algo recorrente, é bem conhecido por Vinicius Lorenzi Soares, de 18 anos. Reprovado em peneiras importantes do Brasil, o lateral-esquerdo estava desacreditado até receber uma oportunidade em Portugal.

"Não é fácil você receber uma ligação do seu filho chorando e não poder dar um abraço nele", confessa o pai do jogador, Valdécio Soares, 49 anos.

Quando estava fazendo faculdade de educação física, o jaraguaense foi parar no clube GDSC Alvarenga, após vídeos dele nos gramados serem descobertos pelo clube português. Atualmente ele está emprestado ao Atlético Alcanense e disputa a principal liga sub-19 do país.

"A adaptação no começo é um pouco complicada, tanto dentro como fora de campo, estando longe da família em uma cultura diferente, destaca Vinicius.

Valdécio ressalta que só quem está dentro do mundo do futebol sabe que o caminho está cheio de obstáculos e que para passa-los é preciso de muita luta e apoio da família.

Vinicius no Atlético Alcanense | Foto Divulgação

É preciso confiança e cuidado. O pai ressalta que pesquisa o histórico de todas as pessoas que se envolvem na carreira de Vinicius. "Me preocupo muito com ele", diz.

Dos campinhos da Estrada Nova, aos estádios gaúchos

Chegar em casa e não ver o filho correndo pela casa ou chegando sujo após mais uma partida de futebol divide Regiane Leitempergher, 39 anos. "É muito difícil estar longe dele, a saudade é demais, mas o que importa é que ele está feliz", declara.

Eduardo Henrique largou os campinhos jaraguaenses no começo de 2019, quando foi aprovado nos testes que fez no Juventude-RS. E desde o dia 21 de janeiro, o garoto está morando em Caxias do Sul.

Eduardo recebendo um de seus vários prêmios ao lado da família | Foto Divulgação

Os sentimentos não passam só pela família, mas também para quem sempre acompanhou e instruiu o garoto. Eduardo Negherbon diz que ver seu pupilo alcançando grandes voos também é um sonho. "Além de formar atletas, a gente trabalha com os sonhos das crianças", frisa o treinador do atacante.

A mãe destaca que a saudade se transforma em felicidade ao ver que Eduardo está colhendo os frutos de tudo que plantou. "Ele é um menino de ouro, muito batalhador e que se esforçou muita para chegar onde esta", completa.

 

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