Depois de comemorar o segundo título consecutivo do Campeonato Brasileiro pelo Flamengo, o jaraguaense Filipe Luís aproveitou os poucos dias de férias que teve para vir a cidade natal, antes de se reapresentar ao Rubro-Negro.

O lateral já retomou as atividades no clube carioca, mas concedeu uma entrevista exclusiva ao OCP para falar um pouco da temporada 2020 e projetar 2021, a pressão por resultados, além dos projetos pessoais.

- Como foi o período de férias em Jaraguá? O que procurou fazer enquanto esteve aqui?

Tem a pandemia e está praticamente tudo fechado, mas fui a Massaranduba e vi pessoas da minha família que eu mais tinha tempo sem ver, no caso minha vó. Conseguir ir na escolinha, falei com todas as turmas e isso foi muito importante, porque o que os professores estão fazendo para manter o nível dos atletas e eles não pegarem Covid é uma coisa maravilhosa, que devia servir de exemplo. Ver a evolução deles me emociona muito.

- No ano passado, você revelou um grande sonho em construir um pequeno estádio na cidade. Esse projeto segue em pauta?

Ainda tenho esse sonho e quero muito, mas realmente a pandemia atrapalhou e não é viável nesse momento por tudo que está acontecendo no Brasil. A instabilidade de hoje faz você parar absolutamente tudo que vivemos. Então é uma coisa que tem que esperar. Mas está nos meus planos, porque seria um sonho ter um pequeno estádio para ver os meninos jogando.

- Como foi viver a temporada 2020 atípica para o futebol na pandemia, ainda mais no Brasil, com jogos atrelados um ao outro e se estendendo por uma parte de 2021?

Foi uma temporada atípica, muito difícil, com muitos jogos, estádio sem público e muitas coisas acontecendo no meio do futebol. Mas foi muito importante para os jogadores, para os clubes e do jeito que foi talvez tenha sido a temporada mais especial da minha carreira. Então fiquei muito feliz com que vivi nesse ano e principalmente a coroação com o título.

- Qual avaliação você faz da temporada do Flamengo no geral? E do seu desempenho pessoal?

Foi uma temporada muito difícil para o Flamengo. Perdemos um treinador (Jorge Jesus) que era a nossa base e nos espelhávamos nele em todos os aspectos, porque tínhamos todas as partes do campo controladas com seu esquema e modelo de jogo. Perdê-lo foi uma porrada. O time se refez, tivemos muitos casos de Covid-19 e muitas dificuldades no caminho, o que acabou nos custando eliminações drásticas na Libertadores e na Copa do Brasil.

Mas no Brasileiro o time sempre acreditou. Não foi a temporada que todo mundo esperava, mas foi perfeita para ser campeão. Fomos o time que mais fez pontos e com mais vitórias. Dentro do que poderia ter sido por tudo que aconteceu, o grupo se manteve por ter homens de caráter e que foi muito importante para conquistar esse título.

Para mim, foi uma temporada espetacular, que me exigiu ao máximo, tanto como jogador, pessoa e pai. Dei tudo que eu tinha. Dos 38 jogos do Brasileiro, joguei 31 e foi maravilhoso no meu ver tudo que vivi dentro do campo. Tive mais altos do que baixos. Foram poucos baixos e tive jogos ruins, mas consegui manter bem a regularidade e cheguei no meu melhor momento no fim da temporada para fazer a minha parte e o time conquistar o título.

- 2020 começou com os títulos das Recopas e do Carioca. Depois, já com a pandemia, o Flamengo teve as eliminações e troca de técnico. Dá para dizer que, nessa temporada, deu para sentir realmente a pressão de uma torcida gigantesca como a do Rubro-Negro?

Sinto essa pressão todos os dias, desde que cheguei aqui. Isso talvez seja o que mais me atrai nessa escolha de jogar no Flamengo. O que mais gosto é a pressão que sinto, que faz eu me exigir ao máximo, ir para cama preocupado, acordar e dar meu melhor, e tira o melhor de mim.

Senti uma pressão muito grande e não tivemos a torcida no estádio que seria maior ainda. Mas senti essa pressão cada dia que entrava na rede social e ia para rua. Percebemos que o torcedor flamenguista não leva nada para casa. Qualquer lugar que você vai, eles falam, então sentimos muito essa pressão.

- No que o elenco se agarrou para dar a volta por cima e conquistar o título do Brasileiro ao final da temporada?

É um elenco de muita qualidade, com homens de caráter. Mesmo a 10 pontos do líder, em mal momento, perdendo jogos em casa que na teoria eram fáceis, sabíamos que dependia de nós e se déssemos o melhor, a vida dentro do campo, poderíamos ter chance de ser campeão. Foi onde conseguimos dar a volta por cima, ‘devagarinho’ ganhar jogos importantes e muito difíceis.

Cada vitória, cada treinamento e discussão fortalecia mais o grupo para poder chegar vivo no final. O título não veio da maneira ideal que seria com vitória, mas tinha que ser dessa forma. Um Brasileiro super competitivo, disputado, com vários times passando pela liderança e tinha acabar com derrota, somado ao empate do Inter. Foi muito merecido e ninguém pode tirar esse mérito de nós.

- Em 2020, você também foi um dos jogadores a contrair a Covid-19. Como foi esse período? E teve algum receio de viajar ou jogar depois?

17 jogadores pegaram Covid ao mesmo tempo quando viajamos para o Equador. Por sorte, tive sintomas leves. No primeiro dia, tive muita dor de cabeça, mas nada demais. E todos os jogadores passaram da mesma forma. Tivemos outros casos no grupo, na minha família, mas não voltei a pegar mais, o que deu uma tranquilidade muito grande para poder continuar viajando e jogar o Campeonato Brasileiro.

- Com a manutenção do técnico e de praticamente todas as peças do elenco, a tendência é ter um Flamengo ainda mais forte em 2021?

Foi muito positivo manter o Rogério Ceni e merecido por ganharmos um título gigante com ele. Com todas as peças mantidas e mais alguns reforços, como o Bruno Viana que já chegou, temos um elenco muito forte. Mas outros times também estão se reforçando, caso do São Paulo, Atlético-MG, entre outros. Por isso, é o melhor campeonato, o mais disputado, e espero que o Flamengo continue com essa força e fome de títulos.

- Em dezembro, você tirou a Licença B do curso de treinador da CBF. Qual o próximo passo?

Estou fazendo curso online e consegui concluir toda parte teórica da Licença B. Falta a parte prática e estou tentando avançar o máximo possível para assim que eu parar de jogar eu possa exercer essa função de treinador, porque é um sonho que tenho e desejo de continuar no campo e fazendo o que mais amo. Acredito que tenho potencial para isso. Vou esperar acabar essa Licença B e já começar a fazer a ‘A’.