A simples presença do técnico brasileiro Tiago Splitter, de 41 anos, no comando do Portland Trail Blazers, da NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos, já era um fato histórico. Afinal, ele é o primeiro profissional do país a ocupar um cargo deste cacife.
Na madrugada desta quarta-feira (15), o treinador catarinense, natural de Joinville e radicado em Blumenau, adicionou mais um feito à carreira: conduziu o time Trail Blazers à vitória contra o Phoenix Suns por 114 a 110, na casa do adversário, garantindo vaga nos playoffs, o mata-mata do principal campeonato de clubes de basquete do mundo.
O duelo valia a sétima posição da Conferência Oeste e um encontro com o San Antonio Spurs na próxima fase – a equipe do Spurs terminou na vice-liderança da Conferência Oeste. A série melhor de sete jogos começa no próximo domingo (19), às 22h (horário de Brasília) de Brasília, na casa do Spurs, no Texas.
“Não quero falar de mim mesmo, apenas do grupo. É a culminação de um ano difícil, mas eles são muito resilientes. Mostramos isso hoje no último quarto, acreditando em nós mesmos. Estou feliz por eles. Estar nos playoffs é um grande feito para esse grupo”, comemorou Splitter após a classificação.
Na partida decisiva, o Blazers chegou a estar 11 pontos atrás no placar no último quarto, mas reagiu na hora mais importante e assegurou a vitória que colocou o time de volta nos playoffs após cinco anos. O ala israelense Deni Avidja foi o grande destaque da equipe, com 41 pontos.
Em outubro de 2025, Splitter estreou como técnico na NBA em um contexto delicado. O técnico do Portland Trail Blazers à época, Chauncey Billups, foi preso após investigação do FBI por envolvimento com um esquema de fraude de jogos de pôquer com participação da máfia. A equipe havia acabado de fazer a primeira partida na temporada 2025-2026. Um dia após assumir o comando do time, o brasileiro estreou com vitória sobre o Golden State Warriors, por 139 a 119.
Tiago Splitter tinha experiência como assistente técnico de outros dois times da NBA, o Brooklyn Nets e o Houston Rockets e, por uma temporada, comandou o Paris Basketball, da França, conquistando os títulos da Liga Francesa e da Copa da França. No Blazers, Splitter herdou um elenco recheado de jovens que nunca havia chegado aos playoffs, o ápice da competitividade da NBA.
O duelo contra o Phoenix Suns foi válido pelo play-in, mini-torneio que define as duas últimas vagas de cada conferência nos playoffs, no caso a sétima e oitava vagas. Por ter terminado com a sétima melhor campanha da Conferência Oeste na temporada regular, o Suns teve a vantagem de realizar o jogo único em casa, diante do Blazers, que fechou a fase inicial em oitavo.
O triunfo da equipe de Splitter a confirmou na sétima vaga, enquanto o Suns terá outra chance de conquistar um lugar nos playoffs, desta vez na oitava posição. Na sexta-feira (17), o time recebe o vencedor do duelo entre Los Angeles Clippers (nono colocado) e Golden State Warriors (décimo), que acontece hoje. A mesma configuração vale para a Conferência Leste.
O ex-pivô comandou o Paris Basketball em 2024/2025 e brilhou no basquete europeu ao conquistar a Copa da França e Liga Nacional do país. Antes, ele já havia sido assistente na NBA pelo Brooklyn Nets entre 2020 e 2023, e no Houston Rockets em 2023-24.
Splitter gravou seu nome na história como atleta ao ser o primeiro brasileiro campeão da NBA com o Santo Antonio Spurs, em 2014. Aposentado das quadras desde 2017, o catarinense também teve destaque no Atlanta Hawks e Philadelphia 76ers, além do Saski Baskonia, da Espanha.
Pela seleção brasileira, conquistou medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano de 2003, nos Jogos Pan-Americanos de 2003, na Copa América de Basquetebol 2005, no Copa América de Basquetebol de 2009 e na Copa América de Basquetebol de 2011.
*Com informações de Agência Brasil