A novela jurídica envolvendo a semifinal da Copa Libertadores ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (28). A Comissão Disciplinar da Conmebol rejeitou o recurso apresentado pelo Flamengo e confirmou o Estudiantes na final da competição contra o Palmeiras, marcada para o dia 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.
O clube carioca solicitou os pontos do confronto disputado no Maracanã, alegando uma suposta escalação irregular do zagueiro Marcos Rojo pela equipe argentina. Com a decisão desfavorável, a entidade sul-americana manteve o resultado que garantiu ao Estudiantes a vaga na decisão continental.
Apesar da negativa, o Flamengo ainda tem alternativas jurídicas para tentar reverter o caso. A diretoria rubro-negra aguarda o andamento de um processo na Corte Arbitral do Esporte (CAS), instância internacional responsável por julgar disputas relacionadas ao esporte.
Além disso, o clube pode recorrer da decisão à Comissão de Apelações da própria Conmebol. O prazo para apresentar o recurso é de sete dias, mediante pagamento de uma taxa de US$ 3 mil, equivalente a aproximadamente R$ 16 mil.
Após o anúncio, o Estudiantes se manifestou nas redes sociais e comemorou a decisão favorável da Conmebol. Com a manutenção da classificação argentina, a entidade já discute com os dois finalistas os preparativos para o início da venda de ingressos para a decisão.
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O cenário indica avanço na organização da final, embora a disputa jurídica ainda possa ter novos desdobramentos em outras instâncias.
Na tentativa de obter os pontos da semifinal, o Flamengo utilizou como argumento precedentes da própria Conmebol envolvendo escalações irregulares de jogadores em competições continentais.
Entre os casos citados estão dois episódios envolvendo clubes brasileiros. Em 2018, o Santos foi eliminado nas oitavas de final da Libertadores após a escalação irregular do meio-campista Carlos Sánchez. Já a Chapecoense perdeu pontos pela utilização do zagueiro Luiz Otávio, resultado que comprometeu as chances da equipe de avançar na fase de grupos.
Entenda o caso
A polêmica envolve uma decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS), que autorizou o Estudiantes a utilizar Rojo na partida de volta, disputada no Maracanã. A inscrição do atleta havia sido recusada anteriormente pela Conmebol, responsável pela organização do torneio.
Rojo chegou ao Estudiantes após uma negociação conturbada com o Racing, seu antigo clube. A contratação ganhou urgência porque a equipe argentina não pôde contar com dois defensores titulares, Pirez e Tomás Palacios, suspensos para o primeiro confronto contra o Flamengo.
Para concretizar a transferência, o Estudiantes desembolsou US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões. O acordo também estabeleceu pagamentos adicionais de US$ 250 mil (R$ 1,2 milhão) em caso de classificação à final e US$ 450 mil (R$ 2,2 milhões) se a equipe conquistasse o título.
O defensor havia sido registrado no Campeonato Argentino como substituto do lesionado Gabriel Neves. Entretanto, a Conmebol considerou que o período previsto para a recuperação do jogador não atendia aos critérios necessários para a abertura de uma vaga na lista da Libertadores e vetou a inscrição de Rojo.
Diante da negativa, o Estudiantes recorreu à CAS e obteve autorização para escalar o reforço no duelo de volta. Rojo iniciou a partida como titular na lateral esquerda e foi substituído por Tomás Palacios aos 30 minutos do segundo tempo.
O Flamengo argumenta que a autorização concedida pela CAS não afasta a responsabilidade do Estudiantes pela utilização do jogador em uma eventual análise disciplinar. Na avaliação do clube brasileiro, a escalação contrariou as regras da competição, já que a inscrição havia sido rejeitada pela Conmebol.
O recurso se apoia no artigo 19 do Código Disciplinar da entidade sul-americana, que prevê a derrota por 3 a 0 para equipes consideradas responsáveis pela escalação indevida de atletas.
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