A imponência da WEG é avistada de longe para quem chega a Jaraguá do Sul pela avenida Prefeito Waldemar Grubba. Carros e mais carros se acumulam no estacionamento da maior indústria jaraguaense, principal ponto também do bairro Centenário. Mas o bairro precisa dividi-la, a empresa está localizada exatamente na divisa entre ele e a Vila Lalau.

Além da WEG, outro ponto bastante conhecido e que gerou discussões quase intermináveis, assim como sua execução, é o viaduto que demorou anos para sair do papel. Desde que as primeiras máquinas começaram a trabalhar até a circulação de veículos, se passaram três anos e meio.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

O prazo fica ainda maior se levar em consideração o momento em que a obra foi acordada entre a Prefeitura de Jaraguá do Sul, o governo do Estado e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). A idealização do projeto então nasceu 12 anos antes daquele agosto de 2016, quando finalmente os carros começaram a circular.

O bairro Centenário é, portanto, casa de uma das principais obras da cidade. Mas, embora o viaduto tenha sido muito benéfico, ele também trouxe alguns problemas, especialmente para os moradores do bairro que alegam falta de planejamento. Segundo os moradores, o trânsito local continua conturbado e intenso.

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Para o chaveiro Celso Arruda, de 43 anos, e que mora há 15 no bairro, o fluxo de pessoas e veículos se acentuou consideravelmente nos últimos anos, antes mesmo da conclusão da obra do viaduto, porém, ele alega que o planejamento para o trânsito local dificulta a saída do bairro e, em muitos casos, ocasiona acidentes.

A opinião é compartilhada pelo estofador Lucena da Silva, que dos 51 anos, viveu 24 no Centenário.

“As entradas das ruas ali perto do viaduto estão bem complicadas, muito acidentes acontecem, não tem visão nenhuma. Acho que o que faltou aqui foi planejamento”, ressalta.

Além disso, para o estofador, o trânsito dentro do bairro também necessita de atenção e ele pede a instalação de lombadas elevadas para tentar inibir a velocidade dos carros que transitam pelas vias.

“Tem que colocar algum obstáculo, uma lombada elevada porque tem gente que pensa que é o dono da rua e aqui não tem lombada nenhuma”, afirma Lucena.

O morador se refere a uma das ruas de entrada do bairro e que foi alvo de discussões que, no momento, seguem de lado. A rua Expedicionário Fidélis Stinghen é uma das principais entradas do bairro e já foi lentada a possibilidade para fechar o acesso à marginal e manter apenas para trânsito local.

Segundo Lucena, no entanto, não é só nesta rua que o trânsito é perigoso. Ele conta que na via paralela, a rua Valmor Zonta, o problema se repete. “O trânsito é horrível, as entradas e saídas não possuem visão e os motoristas também não respeitam”, afirma.

Para o morador Lucena da Silva, o trânsito é um dos pontos principais que merece atenção no bairro. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Segundo o diretor da Diretoria de Trânsito de Jaraguá do Sul, Irio Riegel, o fechamento da rua Fidélis Stinghen iria amenizar o tráfego no bairro.

“Existe a rua Benildo Zamin, que pode ser utilizada como entrada e saída do bairro. Ela tem uma faixa elevada nos dois sentidos e o fechamento da saída da Fidélis tornaria o bairro mais tranquilo”, finaliza.

Saúde e educação com pouca estrutura

A população do Centenário é bastante tímida. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010, a população era de 1.499 pessoas e a estimativa é de que neste ano, a população seja de 1.739 no bairro.

E essas quase 1.800 pessoas se deslocam, diariamente, a bairros vizinhos em busca de atendimentos de saúde e educação, conforme conta a microempresária Rosecleia Arruda.

Outra estrutura imponente no bairro é a igreja São Francisco de Assis. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Segundo ela, que tem filhos em idade escolar e que frequentam as unidades municipais, a população do bairro é atendida pelas estruturas do bairro Vieiras o que, para ela, causa transtorno especialmente àqueles que não possuem automóvel.

“Eu levo de bicicleta ou de carro, mas e quando chove como fica para aquelas pessoas que não tem como levar os filhos de carro?”, questiona, ao dizer que o trajeto entre a casa e a unidade escolar é de cerca de dois quilômetros.

Para ela, o bairro necessita, especialmente, de uma creche para atender às crianças. “Eu acredito que principalmente creche é necessário porque é longe pra andar com uma criança por dois quilômetros. Isso quando tem vaga”, ressalta.

Moradores sentem falta de atendimento mais próximo na educação e saúde. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Além das unidades escolares, a unidade de saúde que atende o bairro também fica no Vieiras. Para o estofador Lucena da Silva, que utiliza o SUS (Sistema Único de Saúde) e aguarda por uma cirurgia no joelho, o atendimento é demorado.

“Eu uso quando consigo, a saúde tem muito que melhorar, não dá pra tapar o sol com a peneira”, afirma. A distância também incomoda o estofador que pede por uma unidade de saúde no bairro.

Segundo o governo municipal, a UBS Alwin Muller, localizada no Vieiras, consegue atender a demanda da população dos dois bairros que, segundo a Prefeitura, somadas, chegam a 4.838 habitantes.

Apesar de não ter uma unidade pública de saúde, o Centenário conta com um hospital particular. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Ainda segundo o poder público, a fila de espera da unidade está dentro da normalidade e é de aproximadamente 45 dias para pediatria, 60 dias para medicina clínica, três dias para medicina crônica e ressalta que todos os dias são ofertadas vagas de urgência para a população.

Limpeza e manutenção deixam a desejar

O bairro Centenário é um dos que não possui esgoto tratado em Jaraguá do Sul. E a situação tem incomodado os moradores que reclamam do mau cheiro e da falta de manutenção na tubulação que corta o bairro.

O chaveiro Celso Arruda conta que o mau cheiro chega dentro de casa em algumas situações e, segundo ele, em alguns pontos do bairro há alagamentos devido à falta de manutenção da tubulação. “Não tem esgoto tratado, volta muito mau cheiro”, completa.

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Segundo o estofador Lucena da Silva, o problema é bastante recorrente e, além disso, ele reclama da falta de planejamento entre serviços de manutenção da tubulação e pavimentação.

“Muitas vezes eles fazem a pavimentação, aí o asfalto está novinho e estoura a tubulação. O serviço de manutenção enche de buraco e estraga tudo. É uma questão de planejamento. Isso sem contar que não precisa de muita chuva pra alagar não, um pouco de água e já bate na porta de casa”, completa.

Comércio bem variado

Não é só de WEG que é feito o Centenário. Casa da Apae (Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais) e de um vasto comércio, o bairro é exaltado pelos moradores graças à tranquilidade e à localização privilegiada. O acesso ao Centro da cidade e às cidades vizinhas pela BR-280

Para Celso Arruda, a disponibilidade de um comércio diversificado faz do bairro um lugar bom para se viver, aliado à segurança do local.

Um dos diferenciais do bairro é o comércio diversificado, de acordo com o comerciante Celso Arruda. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

“A gente encontra tudo, o bairro é mil e uma utilidades. Além disso, a boa localização foi justamente o que nos trouxe para cá”, diz.

E sair do bairro não é uma opção para Rosecleia Arruda, que viu o bairro crescer. “Se fosse para eu sair daqui, não sairia, conheço todo mundo”. Ela conta que os moradores se conhecem há anos, o que torna o senso de comunidade muito forte. “As pessoas se conhecem e se ajudam, não saio daqui”, finaliza.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

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