A região Norte é a maior produtora de banana de Santa Catarina. A cadeira produtiva da bananicultura desta área do estado é formada por famílias dos municípios de Araquari, Barra Velha, Corupá, Garuva, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Joinville, Massaranduba, São Francisco do Sul, São João do Itaperiú e Schroeder. Pequenos e grandes produtores são responsáveis por cerca de 58% da produção estadual, tendo como as variedades mais comercializadas a caturra (85%) e a prata (15%). Daqui, a banana catarinense se espalha pelo país, considerado o maior consumidor da fruta no mundo.
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De acordo com o levantamento mais recente do IBGE (2016), a banana é o principal produto agrícola de Jaraguá do Sul e cobre uma área de 2.100 hectares, o equivalente a 5% do território rural do município. Desse total, 1.900 hectares são utilizados para plantação da banana-caturra e o restante, 200 hectares, são de cultivo da banana prata. https://ocponline.com.br/riqueza-rural-a-historia-do-jovem-jaraguaense-que-optou-pelo-campo/ Aproximadamente 250 famílias vivem da bananicultura em Jaraguá do Sul. Entre elas, a de Marcio Dematte, 45 anos, que se dedica ao cultivo da fruta desde os 18 anos - são mais de 27 anos dedicados à bananicultura. Junto ao produtor estão o pai, Silvestre, o filho Diego, e o irmão Moacir. Na propriedade, no bairro Ribeirão Cavalo, a família cultiva apenas essas duas variedades da fruta. A localidade fica na divisa com o município de Corupá, maior produtor de banana da região. Seguindo pela Estrada Paulo Voltolini, a paisagem rural vai tomando conta do lugar e as bananeiras ocupam planícies e se estendem pelos morros. A produção média nas terras da família, de acordo com Dematte, é de 20 mil caixas da caturra e cerca de quatro mil de banana prata por ano. Numa área de 15 hectares, são cultivados aproximadamente 30 mil pés da fruta. Parte da produção da banana-caturra da propriedade é vendida em Jaraguá do Sul e, depois, tem como destino os estados de São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Paraná. “O comprador transporta para fora”, diz. O restante é comercializado em Corupá, onde a fruta é climatizada e vendida em Criciúma e outras cidades. “A banana prata eu vendo para um rapaz que vem de Guaramirim. Ele climatiza a fruta e vende nos mercados em Jaraguá e região”, revela.
Aproximadamente 250 famílias vivem da bananicultura em Jaraguá do Sul | Foto Eduardo Montecino/OCP

Desafios de um cultura manual

O produtor destaca que o manejo da banana é relativamente fácil, mas requer certos cuidados, já que a cultura, como tantas outras, sofre com as ações do tempo e pragas. E um dos desafios está justamente no trabalho manual altamente exigente. Essa, aliás, é a principal reclamação da cadeia produtiva de alimentos. “O principal problema na plantação da banana é a mão de obra, já que praticamente tudo é feito manualmente. Tem pouca coisa que é mecânica. Hoje até existe máquina de espalhar adubo, mas nesses morros... Em área plana até dá, porque vai no trator e espalha bem. Mas no morro é ruim”, destaca. No manejo da fruta, uma das partes trabalhosas, segundo o produtor, é ensacar. O ensacamento da bananeira é uma prática realizada quando o objetivo da produção é a obtenção de bananas com alto padrão de qualidade. De acordo com a Embrapa, quando realizada corretamente, a prática reduz os danos nos frutos provocados pelo atrito das folhas nos cachos pela ação dos ventos e diminui a incidência de doenças e pragas. O ensacamento protege os frutos da aplicação de produtos químicos e da poeira, dos ventos frios e das geadas e aumenta a velocidade de crescimento da banana ao manter mais alta e constante a temperatura no interior do saco. A técnica ainda proporciona uma coloração amarelo-claro mais uniforme na banana, elevando a elasticidade e a espessura da casca, além de servir como proteção na colheita e durante o transporte do cacho até a casa de embalagem. “Protege um pouco do frio, porque agora ainda está bom e quente, mas na hora que der a geada a fruta precisa estar preparada. Teve um ano que secou tudo com a geada forte”, enfatiza Marcio Dematte.
Produtor afirma que ensacar os cachos de banana é a parte mais trabalhosa no manejo da plantação | Foto Eduardo Montecino/OCP

Preços oscilam ano a ano

Atual presidente da Associação dos Bananicultores de Jaraguá do Sul, Dematte diz que em 2017 o preço estava bom para o produtor até a metade do ano. Depois, passou a sofrer queda. Em 2016, a caixa da fruta chegou a ser comercializada a R$ 20 e R$ 30. Segundo o agricultor, o panorama atual do setor está estabilizado. “Não tem muita fruta, mas o preço até que está bom, R$ 10 a R$ 15 a caixa da banana-caturra. Já a banana prata está de R$ 20 a R$ 25”, ressalta. O agricultor considera que no ano passado o valor estava melhor, mas que essa variação depende da safra. “Aqui na região tem pouca banana, mas tem muita fruta fora, na Bahia, em São Paulo”, justifica. “Aí, no ano passado, bastante gente caprichou mais e deu uma produção maior, o que fez com que o preço caísse. Esse ano, o bananal está muito bonito aqui na região”, opina.

Maruim é vilão

Com residência próxima ao bananal, mas localizada em área mais aberta, o produtor diz que o inseto não incomoda muito em sua residência. Por outro lado, no galpão que fica bem ao lado da plantação, não é possível ficar parado devido às “nuvens” de maruim. “Aqui no bananal tem bastante, porque eles gostam de sombra e umidade. Já ouvi dizer que eles se criam no cepo da banana podre, mas parece que eles também gostam daquela água parada que fica nas folhas”, avalia. O produtor explica que a área onde a banana é cultivada é sempre mais úmida, mesmo em períodos sem muita chuva, a terra fica molhada. “Se levantar aquelas folhas secas do chão, embaixo está bem úmido. Lá em casa a área é mais livre e pega bastante sol. Aqui é escuro e úmido”, diz. A associação do maruim, endêmico da Mata Atlântica, com o cultivo de bananas vem sendo estudada por pesquisadores da área. Maruins têm um ciclo de vida de aproximadamente 50 dias e podem ser encontrados também nos manguezais. O inseto se alimenta de matéria orgânica em decomposição e prefere ambientes quentes e úmidos. E encontra condições ideais para se reproduzir em talos de bananas cortados. Conforme pesquisas da Fundação 25 de Julho, o problema sempre existiu e o agricultor sempre conviveu com essa população em “desequilíbrio”, no entanto, o maruim se tornou objeto de atenção quando começou a atacar a população urbana.

A fruta mais consumida do país

Dados da Embrapa divulgados no ano passado destacavam que com uma produção anual de sete milhões de toneladas, a safra brasileira da banana é a quarta do mundo, mas o país já está no topo do pódio do consumo global. Em 2016, a fruta rendeu R$ 14 bilhões ao redor do mundo. A banana é considerada o superalimento dos trópicos, pois suas propriedades nutricionais a tornam completa. Seu cultivo, adaptado ao clima úmido e quente, faz com que o fruto esteja disponível em todas as estações do ano. No Brasil, são encontradas diversas variedades de banana, como a nanica, maçã, prata, ouro, da terra, plátanos, entre outras. Todas elas servem para turbinar a saúde. De acordo com especialistas em nutrição, bananas são fontes de vitaminas e minerais essenciais, incluindo potássio, magnésio, fibras, e muito mais. Seus benefícios fazem dela um alimento ideal para atletas e aqueles que se exercitam regularmente, por causa da alta concentração de carboidratos que regulam os níveis de energia do organismo. Os carboidratos são uma fonte rápida de absorção de energia antes do treino e recompõem as energias vitais no pós-treino. Por conter uma quantidade relativamente elevada de açúcar e carboidratos, mas praticamente nenhuma proteína ou gorduras, a banana pode elevar rapidamente os níveis de açúcar no sangue, o que é ótimo para pessoas em geral, especialmente quando consumidas antes e depois de sessões de exercícios, mas deve ser consumida com cuidado por diabéticos. A banana é uma fonte muito rica de potássio, manganês, vitamina C, cobre e vitamina B6. A fruta não contém colesterol.
São mais de 30 mil pés de banana na propriedade localizada no Ribeirão Cavalo | Foto Eduardo Montecino/OCP
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