Foto Eduardo Montecino/OCP News

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Entre os corredores e salas tradicionais da Apae de Jaraguá do Sul, um espaço reservado desperta a curiosidade dos alunos e propõe novas experiências. Esta é a sala Snoezelen. O nome difícil tem origem na junção de duas palavras holandesas: cheirar e relaxar.

Ao entrar no local, o termo pode ser compreendido com facilidade. As sensações provocadas são variadas e exploram os cinco sentidos. O som de água borbulhando em um tubo que troca de cor acalma, assim como a sensação de entrar na piscina de bolas.

No ambiente também é possível escutar o barulho dos animais na floresta e viajar pelo fundo do mar através das imagens projetadas. Fios de fibra ótica ainda contribuem para estimulação visual dos alunos.

Cada elemento da sala foi pensado e estudado para contribuir no desenvolvimento de pessoas com quadros clínicos e necessidades especiais de aprendizagem. A partir dos cinco sentidos do corpo, é trabalhada a capacidade de organizar a capacidade sensorial e de organizar as respostas, conforme a particularidade de cada pessoa.

A preparação para entrar na sala já começa na recepção. Os alunos e professores precisam tirar o calçado ou colocar um protetor nos pés. O coordenador da sala, Vanderlei Gessner, explica que o ambiente calmo e relaxante serve para estimular os sentidos dos usuários.

"Quando eles vêm aqui, deixamos apenas um equipamento ligado e fazemos com que os próprios alunos descubram os outros. Cada um tem uma função", comenta Gessner.

A sala queridinha pelos alunos

O objetivo do atendimento em uma sala normal e na Snoezelen é o mesmo, o que muda, conforme o coordenador, são os recursos utilizados. No local, atuam seis profissionais de diferentes áreas: psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, pedagogos e terapeutas ocupacionais.

Ainda é cedo para ter um balanço completo dos resultados provocados no desenvolvimento dos alunos pela Snoezelen. Segundo Gessner, cada um dos 20 usuários recebeu até agora cerca de quatro atendimentos de 30 minutos.

Foto Eduardo Montecino/OCP News
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Mesmo com o pouco tempo de funcionamento, a sala já virou a queridinha do pessoal. "Eles saem daqui mais tranquilos e felizes. Os adultos, principalmente, ficam curiosos, pedem o motivo para tantas coisas e chegam a nos procurar pela Apae perguntando quando vão poder ir na sala de novo", aponta a diretora.

Os profissionais aproveitam os diferentes equipamentos para propor atividades relacionadas às suas respectivas áreas. Além da sala principal, com paredes na cor branca, há outro espaço, chamado de sala negra.

A cor escura, segundo Vanderlei, facilita no foco dos alunos na hora das dinâmicas. O ambiente ainda tem sons e imagens do mar.

Abordagem inédita em Santa Catarina

A sala foi inaugurada em julho por meio de um convênio com o Fundo da Infância e Adolescência (FIA), que repassou R$ 104 mil para compra e instalação dos equipamentos.

As adaptações na sala para receber o projeto foram custeadas pela Apae. O local leva o nome de Ana Beatriz Barbosa, filha de uma voluntária falecida em dezembro.

A equipe multidisciplinar foi preparada pelo Centro Integrado Profissionalizante (CIP) para oferecer o atendimento.

Agora, eles precisam concluir 60 horas de estágio para completar o estudo interno e ter a autorização de atuar efetivamente, além de poderem capacitar pessoas de outras empresas e instituições para o trabalho.

"Esta é a primeira sala Snoezelen em Santa Catarina. Muitos profissionais já nos ligaram interessados em implantar o espaço e receber o treinamento, mas precisamos primeiro concluir esta fase de estágio", explica a diretora da Apae, Cláudia Roberta de Arrazão.

No ano que vem, a equipe pretende qualificar mais profissionais da própria Apae para aumentar a capacidade de atendimento no local. Nesta primeira fase, 20 alunos estão recebendo o tratamento multissensorial.

 

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