Bruna (E) e Nathaly acreditam que atividades deixam aprendizado mais dinâmico | Foto: Eduardo Montecino

Bruna (E) e Nathaly acreditam que atividades deixam aprendizado mais dinâmico | Foto: Eduardo Montecino

Transformar, segundo o dicionário, significa dar um novo sentido, mudar a feição, alterar um estado. Durante a infância, não há ambiente mais inspirador para essa evolução do que a escola.

Este foi o motivo que inspirou o OCP a nomear como "Educação que Transforma" a série de reportagens sobre projetos que acontecem nas unidades da região.

Por coincidência ou não, o lema é o mesmo adotado pela escola municipal Anna Töwe Nagel, de Jaraguá do Sul, desde 2012.

A ideia, conforme a diretora Gilmara Franco Ferreira da Cruz, é trabalhar um tema diferente por ano, mas com o propósito de transformar a educação no local. Em 2018, os professores decidiram investir no despertar de habilidades dos alunos.

"Vínhamos com uma educação muito formal, caderno, livro e computador. A nossa proposta é falar de educação com outras perspectivas, levar para novos lugares", aponta Gilmara.

Ela explica que cada professor levou o trabalho para sua área de atuação de uma forma, mas sem deixar de lado o conteúdo curricular.

Das aulas de ciências do oitavo ano, por exemplo, saiu uma mão biônica para os alunos aprenderem a observar as articulações, ossos, nervos e outros detalhes do corpo humano. Ao aprender a língua portuguesa, os alunos transformaram capítulos de livros em histórias em quadrinho e "transmitiram" elas em televisões feitas de papel.

Diretora Gilmara enfatiza que conteúdo é o mesmo, porém tratado com novos e diferentes olhares Foto: Eduardo Montecino

Os professores também entraram na brincadeira para aprender novas habilidades. A equipe se dividiu em equipes e fizeram pizzas para confraternizar.

Em prática desde 2012, o projeto "Educação que Transforma", segundo a diretora, aumentou a vontade de trabalhar em equipe dos professores, de "sair da casinha" e unir diferentes atividades.

"Já as crianças ganharam em qualidade ensino. Para elas, hoje, a escola não é uma coisa fragmentada, é uma unidade, uma educação completa e que promove o desenvolvimento global deles" explica Gilmara.

A diretora observa que todas as ações são desenvolvidas com foco no conhecimento e em qual será a função dele na vida dos alunos. Eles também estão trabalhando a autoestima. "Todos têm alguma habilidade e são bons em algo. A dificuldade do professor é identificar como trabalhar com o aluno para que ele desenvolva suas falhas", avalia a diretora.

Com projeto anual, professores aprenderam a trabalhar melhor em equipe e a serem criativos | Foto: Eduardo Montecino

Rosemeri Coelho dos Santos, coordenadora do pré e do 1º ano, destaca que a equipe não foge dos conteúdos regulares, mas tenta encontrar formas para torná-lo menos cansativo.

Para a coordenadora dos 2º, 3º e 4º anos, Eveline Zanom, a escola Anna Töwe Nagel se destaca com bons índices de educação por causa deste projeto anual. "Ele amarra o grupo e torna as ações mais amplas", salienta.

Eveline completa que os projetos desenvolvidos também trouxeram as famílias para mais perto da escola e dos filhos. "Em todas as práticas, tentamos incentivar a participação dos pais. O resultado foi positivo, eles aceitaram os desafios e se envolveram. Muitos não tinham esse tempo com os filhos antes", aponta.

História virou arte, palitos formaram pontes

A escola Anna Töwe Nagel é cheia de cores pelas paredes. Mas elas não estão ali por acaso. As cores vivas que estampam um dos corredores são fruto do trabalho da turma de artes do 9ª ano. Os alunos se inspiram em fotos próprias para fazer imagens com conceitos do Pop Art.

Do outro lado, grafites que remetem à Primeira Guerra Mundial também chamam a atenção pelos retratos de paz e conflito. O objetivo da professora de história Gisele Marschner foi desenvolver a habilidade de pintura e desenho com conteúdos históricos.

"Pensamos no grafite porque é moderno, está mais próximo do jovem, e também para desmistificar a ideia que é pichação. Tudo isso relacionado com a guerra e a paz. É importante praticar a política de paz, falar sobre tolerância e respeito, principalmente no 9º ano, quando falamos muito sobre as guerras históricas", explica a professora.

Nathaly e outros alunos do 9º ano desenharam fotos e as pintaram usando como referência o movimento Pop Art | Foto: Eduardo Montecino

Sobre o "Educação que Transforma", Gisele declara que trabalhar a criatividade é fundamental, um quesito básico para conseguir resolver problemas e ser um profissional de sucesso, independente da área escolhida.

As estudantes do 9º ano, Nathaly Caetano, 15 anos, e Bruna Jonesch, 15, participaram do projeto de Pop Art, sobre a Primeira Guerra Mundial e da construção de uma ponte com palitos de picolé. O último foi uma proposta da disciplina de ciências que visava testar a resistência e força dos materiais.

"Fiz parte de muitas atividades e com elas aprendi que um teu seu talento. Eu não sou muito boa com pintura, mas na hora de montar me saio melhor", comenta Bruna. Ela, que sempre estudou na Anna Töwe Nagel, não recorda de um ano que não tenha feito parte de algum projeto diferente.

"Uma vez tivemos que montar uma arara de papelão. Como minha mãe fazia faculdade, era meu padrasto que me ajudava. Isso acabou nos aproximando mais. Sem falar que fica mais fácil de aprender", diz a aluna.

Para Nathaly, o grande aprendizado foi trabalhar em grupo, aprender a compartilhar as coisas e discutir diferentes pontos de vista. "Passamos muito tempo sentamos, com foco em escrever, mas com os projetos fica mais dinâmico", garante ela.

Turma da pré-escola entrou na brincadeira

As crianças da pré-escola não escaparam do projeto e também foram desafiadas a desenvolverem novas habilidades neste ano. Conforme a professora do pré II, Martinês Moretti, para se familiarizar com as letras, as crianças, com a ajuda dos pais, precisaram construir objetos com as letras do alfabeto.

Objetos foram confeccionados por alunos e pais do pré II | Foto: Eduardo Montecino

Cada criança ficou responsável por uma letra. De casa, os alunos voltaram com avião de papel, dado, vasos, trenzinho, instrumental musical e outros itens que remetiam ao alfabeto. "Os pais foram participativos e colocaram a mão na massa, produziram junto com as crianças, foi bem produtivo", ressalta.

Para as primeiras turmas, independendo do tema do "Educação que Transforma" ao longo do ano, o projeto precisa ajudar as crianças a assimilarem as letras e iniciar a alfabetização.

Crianças também aprenderam música

Em silêncio, com olhos voltados para a partitura e mãos segurando o instrumento com firmeza, a turma do 3º ano embarca em melodias como “Bem Te Vi” e “Os Gatinhos”. O som de xilofones, chocalhos, flautas, pandeiros e triângulos ressoa pela sala de aula e é tema para português, matemática e até história.

Foi com a música que o professor Genival Santos da Silva despertou nas suas turmas habilidades desconhecidas e surpreendentes para as crianças de 8 a 9 anos. O pequeno Davi Luiz Pereira Hullmann, de 9 anos, traz o sorriso ao rosto ao falar que gosta da “sensação” de tocar a flauta. “Eu queria aprender a tocar pela minha força de vontade” conta.

Nas aulas do professor Genival, habilidade trabalhada foi a música | Foto: Natália Trentini

Na opinião do aluno, a prática foi importante para dar “harmonia” junto aos colegas. E era essa mesmo a intenção do professor, dentro do projeto “Educação que Transforma” desenvolvido na escola.

Segundo Genival, a música poderia dar às crianças uma dose de concentração para lidar com outras matérias - o que ficou mais do que comprovado.

Trabalhar a diversidade foi outra preocupação da escola. A intenção era que todos participassem. “Fizemos uma pequena audição para eles escolherem o instrumento com que se identificassem. Cada um teve essa oportunidade de pegar o instrumento, sentir o instrumento e escolher o seu”, explica o professor Genival.

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