Reconhece essas palavras: ilha, figueira? Isso mesmo, o bairro Ilha da Figueira tem uma história bem interessante antes de se tornar aquele que abriga o maior número de moradores entre os 38 bairros de Jaraguá do Sul.

Você consegue imaginar uma ilha no bairro mais populoso de Jaraguá do Sul? Aliás, você consegue imaginar uma ilha em Jaraguá do Sul? Podemos até estar um pouco afastados do mar, mas a cidade já teve sim um pedacinho de terra cercado por água e, essa pequena ilha ainda ostentava uma grande figueira.

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O bairro, que hoje tem uma população superior aos 10 mil habitantes – de acordo com o IBGE, em 2010 eram 10.104 – é rodeado por morros e rios. De um lado o verde dos morros, do outro, é margeado pelos rios Itapocu e Jaraguá. E o nome dado à comunidade era até bem óbvio à época em que os primeiros colonizadores desbravaram o local, chegando pelo rio Itapocu.

Naquela época, Jaraguá do Sul ainda estava sendo colonizada, o que significa que o cenário era bem diferente e o que hoje é área urbana e casa de indústrias e comércios, antes era rio e mata. Ou seja, um cenário ainda virgem de exploração. Na região em que os exploradores e colonizadores desembarcavam havia uma ilha.

Isso mesmo, aquele pedacinho de terra cercado por água, mas no nosso caso, era água doce do rio mesmo. E nesta ilha existia uma majestosa figueira. Daí o nome do bairro que perdura até hoje, ao contrário da nossa ilha. Essa desapareceu ao longo tempo graças ao assoreamento de um braço do rio Itapocu.

População: 10.104 São 5.106 homens e 4.998 mulheres | Foto Ilustrativa/OCP
População: 10.104 São 5.106 homens e 4.998 mulheres | Foto Ilustrativa/OCP

O crescimento populacional do bairro é considerável. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2000, a população do bairro era de 7.732 habitantes, número que saltou para os mais de 10 mil em 2010.

Outro ponto que chama a atenção na Ilha da Figueira é a presença de uma paisagem rural em meio ao caos do trânsito em horário de pico. Não é incomum que, ao fazer uma curva, a paisagem de casas e comércios dê lugar a um sítio com grandes pastagens.

A ilha não existe mais e deu lugar a mais um pedaço de terra, um pedaço que ajuda a construir os mais de três milhões de metros quadrados que formam o bairro entre o alvoroço do cenário urbano e a calmaria das propriedades mais rurais.

Mesmo sem ilha e sem figueira, o fato é que o bairro se transformou no mais populoso da cidade e, como todo bairro, tem pontos positivos e outros que são alvos de críticas dos moradores.

Saúde continua sendo demanda na Ilha da Figueira

Carla chega com os filhos em unidade de saúde do bairro | Foto Eduardo Montecino/OCP
Carla chega com os filhos em unidade de saúde do bairro | Foto Eduardo Montecino/OCP

O ditado é popular e fala mais ou menos assim: o que importa é ter saúde, o resto a gente corre atrás. Saúde é, em todo lugar, o setor que mais preocupa e o de maior atenção. Em Jaraguá do Sul não é diferente e, em todos os bairros, a preocupação dos moradores está voltada ao atendimento na área de saúde. Apesar de bem estruturado, o bairro também carece de atenção, de acordo com os moradores.

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Para a dona de casa Carla Moreira, de 35 anos, o setor é bom, mas pode melhorar. Com o pequeno Téo, de apenas três meses nos braços, Carla elogia, mas chama a atenção. “O atendimento é muito bom, o postinho é bem estruturado, mas poderia melhorar, sempre pode né? Poderia ter mais médicos”, avalia.

Moradora do bairro há dois anos, vinda de Rio Negrinho, Carla conta que não chegou a cogitar outro local para morar porque foi aconselhada pela irmã, também moradora da Ilha da Figueira. “É o primeiro bairro que eu vim morar e ele é realmente muito bom. Aqui nós temos tudo na mão, não dá pra reclamar muito não”, ressalta.

“Temos muitas escolas, creches, postos de saúde, mas também temos muita gente, então é claro que a demanda é maior”

Para a estudante Layza Luiza Vasel, de 18 anos, também há pontos a serem melhorados no que diz respeito à saúde no bairro. Layza sugere que a unidade de saúde seja mais bem localizada, facilitando o acesso de toda a população do bairro. “Poderia ter um postinho mais na região central do bairro. As pessoas sempre dizem que é meio longe e também reclamam que o atendimento demora um pouco”, diz.

População grande, demanda grande. Esse é o pensamento do comerciante Juvêncio Tomazelli, de 51 anos. Para ele, como o número de habitantes da Ilha da Figueira é o maior da cidade, é quase natural que a demanda nos serviços também seja grande. “Temos muitas escolas, creches, postos de saúde, mas também temos muita gente, então é claro que a demanda é maior”, afirma.

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A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a unidade de saúde da Ilha da Figueira conta com atendimento médico, atendimento de médico pediatra, atendimento odontológico, uma enfermeira, três técnicos de enfermagem, recepcionista, agentes comunitários de saúde, auxiliar de odontologia e agente de limpeza. O município reforça ainda que mais um profissional médico está sendo contratado para a unidade e deve iniciar os trabalhos em breve.

A secretaria destaca ainda que fila de espera para atendimento nesta unidade de saúde entrará em normalidade assim que o novo médico iniciar as atividades junto à população.

Educação e segurança são referências positivas para os moradores

“Educar nossas crianças é garantir o futuro da nação”. Essa frase é repetida à exaustão por muitas pessoas, sejam elas parte da política nacional ou não. Para a comunidade, ela é geralmente um ponto de segurança, pois a educação é sempre uma demanda cobrada e um setor que costuma ser acompanhado de perto pela população. Afinal, são os filhos, irmãos, netos que serão educados e uma boa estrutura e escola de qualidade é o mínimo que se deseja para os entes queridos.

Para a população da Ilha da Figueira, essa é uma preocupação mais suave. Com uma escola tradicional no bairro, os pais costumam ficar um pouco mais tranquilos, especialmente neste ano, quando a Escola de Educação Básica Holando Marcelino Gonçalves, carinhosamente chamada de “Homago”, passou a ter ensino médio integral.

“Todo mundo ou estudou ou conhece alguém que estuda ali e eu sempre ouço falar bem, eles confiam na escola”.

A escola, que faz parte da história de boa parte da população do bairro e dele próprio, é referência tanto quando o assunto é “onde seu filho vai estudar?” quanto como ponto de referência geográfica.

Para a estudante Layza Luiza Vasel, de 18 anos, que trabalha em frente a escola, a qualidade do ensino da “vizinha” é assunto recorrente entre os clientes da loja. “Todo mundo ou estudou ou conhece alguém que estuda ali e eu sempre ouço falar bem, eles confiam na escola”, diz.

Outro ponto que costuma atrair moradores para o bairro é a segurança. Segundo o comerciante Juvêncio Tomazelli, raras são as ocorrências policiais no bairro. Apesar de reclamar do trânsito intenso, especialmente no horário de pico, o comerciante afirma que a segurança não é apenas uma sensação no bairro e rasga elogios à “Figueira”.

“A pessoa que reclama de transporte, saúde, educação, segurança e saneamento é porque nunca foi para outro lugar. Claro que sempre tem o que melhorar, mas eu acho que nós estamos muito bem supridos. Não dá pra reclamar muito não”, destaca.

Via verde deve desafogar o trânsito na região

Via Verde, via rápida que tem objetivo de otimizar o trânsito | Foto Eduardo Montecino/OCP
Via Verde, via rápida que tem objetivo de otimizar o trânsito | Foto Eduardo Montecino/OCP

Uma das principais reclamações dos moradores da Ilha da Figueira é o trânsito. Especialmente no horário de pico. “Chega cinco da tarde e o fluxo da saída da cidade está todo aqui. Ele afunila aqui e aí, meu amigo, é difícil a coisa andar. Tem cliente meu que liga dizendo que não sabe se chega a tempo tendo um trajeto que, normalmente é feito em cinco ou dez minutos. Aí o cara não sabe se consegue fazer em 30, 40 minutos”, conta o comerciante Juvêncio Tomazelli.

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E o fluxo é realmente grande, tanto que a prefeitura idealizou a Via Verde, uma via rápida que tem como objetivo otimizar o trânsito da região. De acordo com o governo municipal, os trabalhos agora, depois de iniciadas as obras, estão na desapropriação dos terrenos para a sequência da Via Verde.

“A obra irá possibilitar a implantação de um binário com a principal rua do bairro, que é a José Theodoro Ribeiro. Esta será a principal realização no bairro para dar fluidez ao trânsito naquela região”, afirma a prefeitura por meio de nota.

Construção de galerias impedem alagamentos

Era batata, chovia e a rua enchia. Essa era a realidade da rua Rodolfo Sanson que se transformava em um verdadeiro lago a cada chuva mais forte. “Era impossível chegar aqui na loja, a água chegava aqui dentro e olha que é mais alto do que a rua”, conta o comerciante Juvêncio Tomazelli enquanto mostra os bueiros que viviam cheios. Viviam. Hoje a realidade é diferente.

Alagamento na Rua José Theodoro Ribeiro, bairro Ilha da Figueira | Foto Reprodução/WhatsApp
Alagamento na Rua José Theodoro Ribeiro, bairro Ilha da Figueira | Foto Reprodução/WhatsApp

O comerciante conta que após obras para a construção de galerias, o problema acabou, embora um dos temores de Tomazelli seja em relação ao rio. “Agora não alaga mais, não sei o que vai ser o dia que esse rio encher, mas por enquanto o problema foi resolvido”, diz. “Como isso aqui é uma bacia, aqui ficava uma lagoa. Depois que fizeram essa galeria, melhorou”, completa.

E o comerciante é bom de memória. Ele lembra que a obra foi realizada há dois anos e errou por pouco. Segundo a prefeitura, ela completa dois anos em agosto. “A Secretaria de Obras e Serviços Públicos executou em agosto de 2016, obras de uma galeria pluvial na rua José Theodoro Ribeiro, no trecho entre a rua Rodolfo Sanson até o Posto Pérola”, informa.

Além disso, de acordo com o governo municipal, a Secretaria de Obras executa consertos de erosões, bocas de lobo, troca de tubulações procurando minimizar o impacto das enxurradas e facilitando o escoamento da água da chuva.

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