O fim das atividades do Grupo GATS, no final de novembro, não significou exatamente descanso para os integrantes. Afinal, imagine o quanto de material pode ser reunido em 31 anos de trabalho, especialmente documentos, registros históricos e material de cena.

Multiplique isso pela quantidade de atividades que o grupo realizava em sua finada sede, no centro de Jaraguá, que incluíam apresentações diversas, oficinas, cursos e sessões de cinema.

Sim, foram meses de suor para organizar três décadas de história marcante na cena artística jaraguaense, encerrada, segundo o grupo, devido ao desmanche na área cultural e uma alegada perseguição da atual administração (leia AQUI).

Mas foi também um tempo que os membros do GATS se recolherem e pensarem nos próximos passos. Orelhada foi ouvir a atriz Mara Kochella o momento atual do grupo e o que o futuro pode reservar.

O que você e os outros atores têm feito desde o fim do grupo?

Mara Kochella - Empacotar e encaixotar figurinos, cenários, equipamentos de iluminação, sonorização, cine clube, biblioteca, ferramentaria, todo esse material que faz parte de nosso espólio, guardamos num depósito.

Os artistas do Grupo GATS são profissionais autônomos que atuam em outras frentes: professor, contador de histórias, cantor, animador e decorador de eventos. Seguimos com essas atividades, que sempre conciliamos com o fazer teatral.

Têm ensaiado?

Mara - Não estamos ensaiando e tão pouco planejando novos trabalhos, apenas estamos apresentando peças do repertório quando há alguma solicitação.

Vocês vão formar um novo grupo?

Mara - Por hora não há motivação de formar um novo grupo. Esse primeiro semestre foi um tempo necessário para limpar, selecionar e guardar os materiais em um depósito.

Também foi um tempo de se recolher, de silenciar e acalmar o coração com a decisão de fechar a sede.

Como ficou o “espólio” do Gats, tipo figurinos, cenários? E os espetáculos, pretendem recuperá-los?

Mara - Boa parte dos figurinos do curso de teatro foram doados para a família Urbanski, do Teatro Pixirica, outros foram doados para uma oficina de teatro de palhaçaria que está acontecendo nesse ano em Balneário Camboriú.

Parte dos registros impressos foram doados para a atriz Sandra Baron, que por 20 anos coordenou, deu aulas e dirigiu as peças montadas pelas diversas turmas formadas pelo curso. A própria Sandra entrou em contato e solicitou a doação do material para o seu arquivo pessoal, como recordação.

Os demais materiais impressos ficarão, a priori, guardados para registro histórico. Como o repertório continua ativo, todos os figurinos, cenários e acessórios estão guardados.

Nesses oito meses desde o encerramento das atividades, notaram alguma melhora no cenário cultural de Jaraguá?

Mara - Jaraguá do Sul está morta culturalmente falando! Nada tem acontecido nesse último ano e sete meses através de projetos ou incentivos municipais.

Não há Fundação Cultural, não há Fundo de Cultura, o Conselho de Cultura efetivamente inexiste, pois não tem autonomia e tampouco é consultado pelo poder público. Infelizmente, todos perdem com esse retrocesso.

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