O Globoplay e o Telecine classificaram como "censura" a determinação do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (15), de suspender imediatamente a exibição do filme "Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola" das plataformas de streaming do país. As informações são da Coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.

A obra está disponível no catálogo dos dois serviços do grupo Globo.

Um comunicado recebido pela Folha de São Paulo diz que a empresa está atenta "às críticas de indivíduos e famílias que consideraram inadequados ou de mau gosto trechos" da obra, mas entende que "a decisão administrativa do ministério da Justiça de mandar suspender a sua disponibilização é censura".

"A decisão ofende o princípio da liberdade de expressão, é inconstitucional e, portanto, não pode ser cumprida", afirma ainda a nota.

"O filme em questão foi classificado, em 2017, como apropriado para adultos e adolescentes a partir de 14 anos pelo mesmo Ministério da Justiça que hoje manda suspender a veiculação da obra", continua o comunicado.

O longa, que tem Fábio Porchat e Danilo Gentili no elenco, está no centro de uma polêmica encampada pelo secretário especial da Cultura, Mario Frias, que acusa o filme de pedofilia e apologia do abuso sexual infantil.

O trecho da comédia que suscitou a polêmica foi publicado por Frias no domingo (13). Na cena, o personagem de Porchat instiga dois garotos menores de idade a pararem de discutir e pede que o masturbem. As crianças reagem com surpresa, negando o pedido.

Porchat defedeu o longa afirmando que "temas super pesados são retratados o tempo todo no audiovisual" e que vilões podem assumir papeis de racistas, pedófilos e nazistas, uma vez que são ficcionais.

Ele afirma ainda que quando "o vilão faz coisas horríveis no filme, isso não é apologia ou incentivo àquilo que ele pratica, isso é o mundo perverso daquele personagem sendo revelado".